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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Lady Macbeth review – a brilliantly chilling subversion of a classic

William Oldroyd’s fierce feature debut feels like Victorian noir, a twist on a genre probably invented by Shakespeare in the first place. It could well open up a dark new avenue in the bonnets-and-bows world of classic literary adaptation. His movie does an awful lot with a limited budget. It is smart, sexy, dour: qualities that are weaponised by a lethally charismatic lead performance from Florence Pugh as the eponymous, unrepentant killer. She is both sphinx and minx. “You have no idea of the damage you can cause,” her enraged father-in-law splutters at her. Actually, he’s the one with no idea.
Sphinx and minx … Florence Pugh.
Dramatist and screenwriter Alice Birch has adapted Nikolai Leskov’s 1865 novel Lady Macbeth of the Mtsensk District, itself of course inspired by Shakespeare’s Macbeth, and adapted by Shostakovich in 1934 as an opera – the work which famously infuriated Stalin – and by Andrzej Wajda as a film, Siberian Lady Macbeth, in 1962. Oldroyd’s new movie version, shot with clarity and verve by cinematographer Ari Wegner, retains all of this story’s subversive sexiness, making changes to the narrative, bringing in or rather drawing out themes of abuse, violence, race and class. Cleverly, it gives us enigmatic backstory hints that may or may not help explain the sudden direction change the film takes in its third act, leading to a denouement of toxic ingenuity. And of all it driven by the sensuality and rage of Pugh’s performance.
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The film transplants the action from Russia to the English north east of the 19th century. Pugh plays Katherine, a beautiful young woman who has been married off to Alexander (Paul Hilton), the morose and sexually inadequate son of a wealthy mine owner, Boris (Christopher Fairbank). It is Boris who rules the roost and gloweringly insists on Katherine being a demure and submissive wife. As for Alexander, his face is not even revealed to us until the unwatchably catastrophic wedding night: he is essentially weak, bullied and victimised by his monstrous father.
With both men absent for long periods, mutinous Katherine is imprisoned in this stark, cold manor house in the middle of the moor. Refusing to be broken in spirit, she retreats first into dreary sleepiness, then drinking, then taking an interest in Sebastian (Cosmo Jarvis), the sexy, truculent young estate worker. Sebastian is of mixed race, and housemaid Anna, played with intelligent subtlety by Naomi Ackie, is black. Their presence together, and their shifting personal loyalties, create complex crosscurrents of power with the white ruling class to which Katherine’s allegiance is strained. Anna is also almost entirely mute, and the movie tacitly invites us to wonder about the pre-existing conditions of which this could be a symptom.
Intelligent subtlety … Naomi Ackie as housemaid Anna
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 Intelligent subtlety … Naomi Ackie as housemaid Anna
This Lady Macbeth is reminiscent of Pascale Ferran’s Lady Chatterley (2006) and Andrea Arnold’s Wuthering Heights (2011) – in which Paul Hilton played Mr Earnshaw. There are similar ways in which racial difference is rendered visible and turned into a new source of tension. The house itself is a potent character. We are not given a clear establishing shot of what it looks like from the outside, in the traditional style; we are just aware of its gloomy prison-like interior. You can almost feel the bone-chilling draught as you hear the incessant creak and squeak of floorboards, and doors opening and closing, like an empty church. It is a world without comfort, without upholstery, and a world in which movement is readily audible and easily monitored. It feels like a vital act of defiance when Sebastian and Katherine have loud sex on the prim marital bed, making the frame rattle, judder and grind, pretty well getting the woodwork to splinter.
As Katherine, Pugh has the vaulting ambition of Shakespeare’s character (a single line, “It is done”, pays homage to the great ancestor), also the Flaubertian yearning of the passionate woman subjected to the bourgeois tyranny of wifehood, as well as the modern noir obsession and criminal daring that begins to assume its own momentum. Katherine has cunning and a talent for survival. She starts out Madame Bovary, and winds up Mr Ripley. Pugh gets so much dumb insolence, so much delicious sly contempt into the word “sir”, which is addressed to her hatchet-faced menfolk.
When Alexander returns to the house after his prolonged absence, seething with neurotic rage at her simple fleshly presence, he accuses his dissolute wife of looking “fatter”. Actually, it is more that the disc of Pugh’s face is now defiantly turned to him and us in all its serene untroubled entirety, like a full moon.

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ÉDIPO REI, DE SÓFOCLES

POR ANDRÉ GAZOLA
Édipo Rei - A maior de todas as tragédias da Grécia Antiga
Hoje trago a você um resumo daquela que é considerada a mais perfeita tragédia já escrita, que influencia, ainda hoje, o mundo em que vivemos e que serviu de inspiração para a famosa teoria do complexo de Édipo, de Freud. Escrita por Sófocles, provavelmente no ano de 427 a.C, Édipo Rei é um grande clássico da literatura ocidental.
O rei Édipo, preocupado com a terrível maldição que recaíra sobre Tebas, envia seu cunhado, Creonte, para o oráculo de Apolo, em busca de orientação.
Creonte, ao retornar, informa Édipo que a maldição acabaria apenas quando o assassino de Laios — o antigo rei de Tebas, morto, vários anos antes em uma encruzilhada — fosse encontrado e punido.
Capa do livro Édipo Rei, de Sófocles
Assim, Édipo passa a dedicar-se inteiramente à tarefa de investigar quem teria sido o assassino de Laios. Ele começa por interrogar diversos cidadãos sobre o fato ocorrido, incluindo um profeta cego chamado Tirésias, que diz a Édipo que ele mesmo, o atual rei de Tebas, teria matado Laios.
Édipo fica atordoado com essa horrível notícia, mas sua esposa Jocasta pede para ele tranquilizar-se, uma vez que profetas já erraram anteriormente — conta como exemplo a história do filho dela com Laios, cujo oráculo previu que mataria o próprio pai e desposaria a mãe. A profecia não aconteceu, segundo ela, porque quando a criança ainda era bebê, foi dada pelo rei para ser morta por um camponês.
A história de Jocasta não conforta Édipo. Quando criança, um velho o teria  informado que ele era adotado e estava predestinado a matar seu próprio pai e deitar-se com a mãe. Além disso, certa vez, em seu caminho para Tebas, Édipo matara um homem em uma encruzilhada, o que soa muito semelhante à história da morte de Laios.
Então, Jocasta implora a Édipo para não vasculhar ainda mais seu passado, porém seu pedido é ignorado ferozmente. O rei questiona mais pessoas, incluindo um mensageiro e um camponês que saberiam melhor sobre a história de como Édipo fora abandonado e adotado por uma família de Corinto.
Em um momento de elucidação que marca, provavelmente, o momento mais trágico da história da literatura ocidental, Jocasta percebe que, na verdade, é a mãe de Édipo e que Laios era seu pai. Horrorizada com o que acontecera, ela tira a própria vida. Logo em seguida, o próprio Édipo percebe a verdade, de que ele é o assassino do próprio pai e marido de sua própria mãe. Também horrorizado com seus atos, ele fura seus olhos e exila-se de Tebas.
Compre o livro Édipo Rei, de Sófocles

8.8

nota final

Avaliação da obra Édipo Rei, de Sófocles

Veja a avaliação desta obra em diferentes critérios e decida adicioná-la a sua lista de leituras ou não.

Resenha Crítica | Gostosas, Lindas & Sexies (2017)

Mesmo que o cinema também sirva como reflexo de uma realidade, é assustador como ainda é preciso discutir representatividade na tela mesmo após mais de um século de criação dessa arte. Cada vez mais, o público exige uma diversidade de personagens que consigam ir além dos padrões de forma e cor em histórias que sejam capazes de tratar de gente como a gente, mesmo em registros pouco críveis, como o fantástico.
Ainda que o cartaz de “Gostosas, Lindas & Sexies” pareça uma cópia descarada de “Sex and the City”, é certo que essa comédia de Ernani Nunes deve exercer uma função social, sendo a primeira a trazer um quarteto de amigas plus size. Mas vale um adendo para as mulheres que questionam os padrões dos manequins: aqui, o combate de um preconceito acaba alimentando vários outros.
Beatriz (Carolinie Figueiredo), Ivone (Cacau Protásio), Marilu (Mariana Xavier) e Tânia (Lyv Ziese) são melhores amigas e sempre encontram em suas agendas um espaço livre para saírem juntas. É uma verdadeira irmandade, com cada uma apoiando a outra em momentos de adversidades.
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ENTREVISTA COM CAROLINIE FIGUEIREDO E CACAU PROTÁSIO
Como acontece quando Beatriz, uma mulher comprometida com Daniel (André Bankoff) que acaba pulando a cerca com um colega de trabalho, o fotógrafo Sebastian (Marco Antonio Caponi), após uma noite de bebedeira. Ou com Tânia, que está presa a um casamento sem sal e que busca se firmar em um campo artístico.
Ivone também tem suas crises, buscando um bom partido para fazer com que os seus filhos, uma caucasiana e um asiático – ela é negra -, parem de questioná-la sobre a paternidade. Já Marilu, que se desdobra em vários empregos, tem dificuldades em dizer não para um relacionamento com um rapaz bem mais jovem, que vem a ser o seu aluno nas aulas de inglês.
Como se vê, os conflitos são tolos demais para se levar a sério qualquer mensagem positiva sobre o tipo de mulher moderna que se exalta aqui, ainda que Nunes, um diretor estreante oriundo da publicidade, busque associar a aceitação que cada uma delas tem com a própria imagem com a elaboração de planos em que nos deparamos com os seus reflexos.
A verdade é que tudo trabalha em favor de um texto altamente questionável de Vinícius Marques, capaz de ofender a qualquer tipo de indivíduo presente em uma plateia. Existe uma tentativa de compreender os dilemas amorosos de Beatriz, mas o roteiro não mede esforços em penalizar o marido de Tânia e a sua amante, rendendo uma cena de baixaria constrangedora em um restaurante.
Valoriza-se a atitude nobre das personagens não abrirem mão de quem são para atender às padronizações, mas estas se sujeitam ao ridículo a partir do namoro antiético entre professora (no caso, Marilu) e aluno, entre sequestrador e sequestrada (aqui, Ivone). Há um desfile de mulheres desprezíveis julgando cada protagonista pelo seu peso, mas Tânia diz que seu “negócio” é homem quando aparece a única a lhe prestar algum comentário amigável. Um filme que soa moralmente nocivo até mesmo para o maior apreciador do politicamente incorreto.
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ENTREVISTA COM LYV ZIESE E MARIANA XAVIER
Data:
Filme:
Gostosas, Lindas & Sexies
Avaliação:

O PROCESSO, DE FRANZ KAFKA



té pouco tempo atrás, meu conhecimento sobre Franz Kafka resumia-se a um escritor obscuro que escreveu um livro chamado A Metamorfose, em que o personagem principal acorda transformado em um inseto gigante.
Durante o curso de Letras, aprendi que ele é um dos representantes do grupo de escritores que lidam com um complexo conceito em suas obras: o absurdo — algo como a descrença de que uma coisa leva a outra, de que o divino, em qualquer acepção religiosa ou filosófica, existe, de que há objetivos de vida, de que estamos aqui para alguma coisa.
Capa do livro O Processo, de Franz KafkaNo início da leitura de O Processo, também nos deparamos com um personagem principal que acorda — Josef K. –, porém, ao invés de estar transformado em inseto, ele encontra dois guardas que afirmam que ele está detido; sem informar-lhe o motivo, no entanto.
Ele, o importante procurador de um grande banco (mas que mora numa pensão), vê funcionários subalternos da justiça comendo seu desjejum, rindo-se de sua situação e ainda exigindo-lhe elegância diante do Inspetor que lhe informaria que apesar de estar detido, K. poderia ir trabalhar e realizar qualquer atividade que bem entendesse enquanto seu processo estivesse em curso.
Dividida em capítulos que separam grandes distâncias de tempo, espaço e, muitas vezes, de consciência, pois frequentemente o ambiente de sonho e pesadelo fica difuso na realidade, a narrativa evolui com K. descobrindo que a Justiça que o está julgando é outra, apesar de também possuir juízes e tribunais, e que o processo contra ele é algo que paulatinamente consumirá todas suas energias a fim de provar sua inocência contra uma acusação que ele jamais descobrirá qual é.
Em certo sentido, essa Justiça pode ser uma alegoria de todos os julgamentos aos quais somos submetidos diariamente sem nunca termos certeza — ou sequer conhecimento — de qualquer infração que tenhamos cometido (não falo aqui a nível jurídico, mas a nível social). Também há a chamada justiça divina, que frequentemente perde sintonia com a realidade social, acabando por “deter” muitas pessoas de forma semelhante ao modo como K. é detido.
O aspecto mais importante da Justiça de O Processo é a necessidade de estabelecer boas relações com os juízes das mais variadas hierarquias para que possam intervir no andamento do processo — algo que nos remete aos muitos juízes que estão a espreitar-nos diariamente em busca dessas boas relações artificiais.
Comentei com alguns amigos que ler Kafka me proporcionou uma sensação daquilo que eu imagino que um usuário de drogas sinta, tamanha a profundidade da imersão no ambiente onírico criado ao longo do enredo.
Kafka, portanto, é um barato, dá barato, e escreve sobre baratas.

9.9

Nota Final

Avaliação final do professor de Literatura André Gazola

Resenha Crítica | As Falsas Confidências (2016)

Por mais convencional que seja, pode-se dizer que “As Falsas Confidências”, canto do cisne de Luc Bondy, é um projeto puramente experimental. Nascido na Suécia, o realizador estreou em janeiro de 2014 uma peça homônima no Teatro Odéon, em Paris. No curso do calendário de apresentações, aproveitou as folgas matutinas para reunir o mesmo elenco para uma versão cinematográfica.
Com o falecimento de Bondy aos 67 anos em 2015, restou à sua esposa Marie-Louise Bischofberger finalizar o filme, originalmente submetido a um lançamento incomum, com cópias em DVD sendo disponibilizadas para venda poucos dias antes de sua transmissão na tevê francesa. Conhecer o percurso de “As Falsas Confidências” não deve comprometer a sua experiência quanto a cinema, no entanto.
Um dos fatores da obra funcionar individualmente vem de sua linguagem corresponder mais ao cinema do que ao teatro. Mesmo desenvolvida em um único cenário (há somente duas tomadas externas), a narrativa é pensada para atender às grandes telas e não ao público diante de um palco.
Ainda assim, há um teor altamente antiquado no texto originalmente concebido por Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux, influente jornalista e dramaturgo do século XVII. Nele, o jovem Dorante (Louis Garrel) se candidata à vaga para atuar como secretário de Araminte (Isabelle Huppert), por quem é secretamente apaixonado. De um lado, há pessoas que conspiram para a possível união entre dois indivíduos separados por um abismo social, como Dubois (Yves Jacques), o tio de Dorante. Do outro, há outras que não formam uma primeira impressão favorável sobre o sujeito, como Madame Argante (Bulle Ogier), mãe de Araminte.
Ainda que como uma típica comédia de costumes consiga assegurar alguma graça principalmente por suas situações de encontros e desencontros, “As Falsas Confidências” parece excessivamente preso à época de sua primeira encarnação, soando ingênuo na exposição de personagens movidos unicamente por amor ou ganância. De qualquer modo, há algum prazer em acompanhar Louis Garrel e Isabelle Huppert voltando a contracenar juntos dentro de uma proposta oposta ao radical e questionável “Minha Mãe”, de 2004.
Data:
Filme:
As Falsas Confidências
Avaliação:

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Resenha Crítica | A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017)

Ghost in the Shell, de Rupert Sanders
Em uma contemporaneidade na qual a tecnologia avançou ao ponto de viabilizar a confecção de robôs com capacidade de obedecer a muito mais que uma dúzia de comandos, os laços da realidade com a ficção científica andam se estreitando cada vez mais. Baseado tanto no mangá de 1989 escrita por Masamune Shirow quanto no longa animado de 1995, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” trata essencialmente dessa questão, ambientando a sua história em um futuro indeterminado, mas próximo.
Interpretada por Scarlett Johansson, a protagonista Major é a primeira de sua espécie, com uma anatomia robótica denominada como uma “concha” que abriga o “fantasma” de um ser humano. No caso, o cérebro de uma jovem que teria sido uma das vítimas de uma explosão e que agora recebe a sua segunda chance para servir a um propósito maior.
Com a parceria de Batou (Pilou Asbæk) e a supervisão de Aramaki (Takeshi Kitano, que não se presta a falar em inglês), Major lidera uma missão para interromper os crimes cibernéticos de Kuze (Michael Pitt), que estaria se infiltrando como um hacker na consciência de humanos constituídos de ciber-cérebros. Porém, o curso dessa caçada a reconecta com o seu eu anterior, o qual desconhecia por apenas ter fragmentos de memórias.
Mesmo não debutando do modo mais promissor com “Branca de Neve e o Caçador”, o inglês Rupert Sanders prova que é dono de um apuro estético dos mais arrojados, recriando um cenário futurístico à lá “Blade Runner”. Além da imaginação para apontar abismos sociais, dos edifícios periféricos aglutinados à uma metrópole tomada por hologramas gigantes, impressiona a caracterização de personagens, como as gueixas robôs que cometem um ataque terrorista.
Porém, o deslumbre visual, por vezes comprometido por um excesso de profundidade de campo que borra a bela cenografia digital, não reduz o fator humano tão importante em premissas como a de “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”. Mesmo polêmica, a escalação de Scarlett Johansson não traz prejuízos para um elenco essencialmente globalizado (com destaque para a francesa Juliette Binoche e a romena Anamaria Marinca em um papel que merecia ser mais amplo), correspondendo dramaticamente ao peso de se viver em um contexto no qual até mesmo a nossa consciência é ofertada e manipulada.
Data:
Filme:
A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell
Avaliação: