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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

[Resenha] Último Turno – Stephen King

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Lançado em julho nos Estados Unidos, e transformado em um dos mais vendidos desde então, Último Turno, terceiro volume da trilogia Bill Hodges de Stephen King, chega em tempo recorde às lojas pela Suma de Letras em estratégia que concentrou o lançamento dos três volumes para este ano no país (originalmente, os dois primeiros romances saíram em 2014 e 2015).
A trama apresenta a possível última aventura do detetive aposentado William K. Hodges, mostrando novamente em cena o grande vilão de Mr. Mercedes, Brady Hartsfield, em um duelo aguardado pelos leitores desde Achados e Perdidos. Se o primeiro livro prestava uma homenagem ao detetive clássico, com o próprio autor afirmando que faltava um investigador deste estilo em seu hall de personagens, o novo romance deixa de lado eventuais convenções de gênero para também mergulhar em uma das características que fundamentaram King: o sobrenatural.
Diferente de Achados e Perdidos cuja trama explora, em grande parte, uma história sem o detetive, logo no início desta nova obra é possível sentir a mesma essência presente em Mercedes, transbordada pela presença característica do personagem, agora mais velho: em forma, porém debilitado pelos naturais problemas da velhice. Embora seja coincidente, King e seu detetive compartilham quase a mesma idade, um efeito que imprime maior realismo no cotidiano de Hodges como se o próprio autor dissesse, ei, sei bem o que estou falando porque minhas juntas também doem.
Como o leitor conhece as personagens e seu desenvolvimento pessoal devido aos romances anteriores, a ação se desenvolve desde o início, pontuando mais um crime bizarro que pode ter ligação com o famoso assassino do Mercedes. King dá sobrevida ao seu vilão adolescente, mantendo o aspecto diabólico mas deslocando-o do convencional, devido aos acontecimentos dos livros anteriores. Novamente em cena, Brady se mantém com grande apelo, e a maneira como é desenvolvido nesta última história transforma-o em um vilão ainda mais imprevisível (Qualquer outra informação poderia minar o prazer da leitura).
Assim como o vilão cresce na história, o desenvolvimento de Hodges e de seus dois parceiros de investigação, Holly Gibney e Jerome Robison, se mantém em destaque, em uma construção carismática de um improvável trio unido pela amizade e pelo prazer de esclarecer mistérios. Mesmo explicitamente conduzindo alguns elementos da trama com o crivo da ficção, apenas para explorar ganchos e prender o leitor, a construção do ambiente e dos personagens é realista e potencializa a força do vilão e a necessidade urgente de evitar um problema maior. Ciente de que o novo livro pode também atrair novos leitores, o autor pontua, em diversos momentos, os acontecimentos dos romances anteriores para situar quem tenha escolhido este livro como início. Dessa forma, àqueles que se incomodam em saber a história prévia, é recomendado a ler desde o início.
Último Turno encerra a trilogia do detetive Bill Hodges mantendo elementos policiais consagrados na primeira história mas explorando a veia sobrenatural, sempre presente nas obras de Stephen King. Ao realizar um novo embate de detetive e vilão, a obra prova, como se ainda fosse necessário, a prosa fluída e bem construída do autor, sempre dedicada a compor uma boa história e deixá-la irresistível até o último capítulo.

[Resenha] O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? – Steven Tyler

 

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Steven Tyler está confortavelmente sentado ao seu lado. Você não se recorda há quanto tempo o conhece, embora se lembre das histórias que lhe contou, sem filtro, dando vazão a uma verborragia tão intensa quanto sua voz. Tyler relata sobre mulheres, o impulso pela experimentação – tanto na vida, quanto nas drogas – sem perder a pose. É como se ele sempre fosse um protagonista e, mesmo fora dos palcos, usa as calças com pintas de onça, diversos colares e mantém as unhas pintadas – mal pintadas, diga-se. Você pensa o quanto este figurino seria cafona se ele não fosse Steven Tyler. “estilo, cara, estilo é tudo”, ele diz.
Lançado pela Benvirá em 2013, O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? – Uma memória feita de Rock´n Roll é a segunda biografia de um Aerosmith lançada no mercado editorial, porém, a primeira a chegar em terras brasileiras (o livro de Joey Kramer ainda não chegou no país). Com título extraído da canção Something´s Gotta Give, do álbum Nine Lives (1997), a biografia entrou na lista de mais vendidos do New York Times, representando o sucesso da banda e refletindo com exatidão a aura desenvolvida pelo frontman desde o início da banda como um talento excêntrico.
Com uma linguagem simples e um estilo franco, a biografia vai direto ao ponto sem nenhum receio ou filtro. Em narrativa bem humorada, não há nenhum refreio para contar os altos e baixos de sua vida e dos problemas envolvendo o Aerosmith, a banda formada pelos bad boys de Boston. Sem abrir espaço para modéstia, Tyler se debruça na própria memória, abrindo o coração ao leitor, destacando seus feitos como heroicos e responsáveis pelos ápices da banda que co-fundou ao lado de Joe Perry. A família de classe média alta que fundamentou seu amor pela música, o apetite por explorar qualquer tipo de droga sempre reconhecendo suas modificações mentais, as mulheres que a música lhe proporcionou, tudo é transmitido ao leitor como se ele fosse um velho amigo confidente e estivesse visitando sua casa para uma noite regada de bebida e blues.
Ciente de sua própria potência, Tyler rouba a cena em todas as histórias, provavelmente distorcendo algumas aventuras para demonstrar sua força. Uma verdade que parece tão forte que se torna coerente, sem se importar ao leitor se as história foram, de fato, como relata. Sem papas na língua, desagua as mágoas da vida, sem perdoar nem mesmo os parceiros de banda. Todo o misto de violência e amor que sustenta a visceralidade insana do Aerosmith está presente, muitos relatos são dolorosos mas vistos com um carinho impar pela trajetória conquistada de uma banda que ainda permanece na ativa.
O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? É um passeio pela trajetória da banda e uma história vivida no limite por um homem sempre criativo e tempestivo. Se o Steven Tyler é um personagem, não interessa ao leitor, trata-se de um cantor autêntico que permanece em uma trajetória a procura do sucesso, como se ainda não estive ciente de que é um ícone do rock´n roll americano desde a década de 70.

[Resenha] Rocks – Joe Perry

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Dois anos após o lançamento de O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? – Uma memória feita de Rock´n Roll, autobiografia de Steven Tylerfrontman do Aerosmith, chega a vez do guitarrista Joe Perry lançar suas memórias, adicionando novo combustível a carreira sempre implosiva da banda conhecida, não a toa, como os bad boysde Boston.
Lançado em janeiro pela Benvirá, Rocks – Minha Vida Dentro e Fora do Aerosmith apresenta uma nova versão de fatos conhecidos pelos ouvintes da banda, trazendo a tona a outra figura que, ao lado do cantor, configura os Toxic Twins – alcunha dada pela mídia à amizade explosiva e ao contínuo uso de drogas dos parceiros musicais. Seguindo a fórmula tradicional de uma biografia, o músico apresenta a trajetória de sua vida, tanto antes da consagração como no estrondoso sucesso da banda, mantendo a mesma franqueza agressiva de Joey Kramer e Tyler em suas memórias. Afinal, após quase 40 anos juntos, os atritos da banda são tão fundamentais quanto seu rock´n roll.
Embora tenha convivido na mesma região de Tyler – um garoto da cidade que passava o verão na pensão de seus pais no campo – a trajetória de Perry é mais humilde. Os valores que fundamentariam sua carreira como a dedicação passional à guitarra e um louvável senso familiar diante da vida de um rockstar foram ensinamentos aprendido com os pais, responsáveis por presenteá-lo com seu primeiro instrumento musical. Desde este inicio precoce, o contraste entre os gêmeos tóxicos está presente. Steven já era conhecido na região devido a outras pequenas bandas, enquanto o guitarrista buscava trilhar seu caminho profissional. O encontro definitivo da dupla aconteceria somente em Boston quando, primeiro Perry, depois Tyler, rumariam para a capital e, todos sob o mesmo teto, fundariam o Aerosmith.
A personalidade de Joe ecoa pela biografia realizada em parceria com o crítico David Ritz. Uma narrativa mais calma e notadamente mais afiada na linearidade dos fatos do que a do companheiro. Perry se contrapõe ao cantor na timidez mas explode sintonia musical em uma potente guitarra mergulhada no blues. Mesmo mais calmo que o parceiro, compartilhou a jornada rumo à destruição através das drogas. A música, porém, falou mais alto e, em momentos quando o Aerosmith dava sinais de cansaço devido a uso excessivo de qualquer tipo de droga, Perry soube se lançar em uma bem sucedida carreira solo que ainda mantém entre um álbum e outro dos bad boys.
Se na carreira de um roqueiro há sempre um ponto de redenção que o faz repensar sua jornada, a família foi a sustentação de Perry. Ao vê-la quase colapsar devido ao uso das drogas, tentou ao máximo se abster, ainda que em inevitáveis recaídas. Em um universo mítico em que o sexo, a drogas e o rock´n se mantém como dogmas, o guitarrista soube compartilhar o melhor de dois mundos: a frente da guitarra é um dos deuses eternos do rock. Quando o espetaculo se encerra, é apenas um homem comum que mantém um legado de amor com esposa e filhos.

[Resenha] Lordes dos Sith – Paul S. Kemp


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O livro Lordes dos Sith escrito por Paul S. Kemp, pertencente ao universo canônico de Star Wars, conta uma história que fazem os fãs de Star Wars babar, a trama envolvendo o Imperador Palpatine e Darth Vader, coloca os dois personagens em uma situação bem complicada. Nós vimos a dupla frequentemente juntos na trilogia nova (episódios A Ameaça FantasmaO Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith) como Chanceler Palpatine e Anakin Skywalker, vemos o Chanceler tentando trazer Skywalker para o lado negro e eles retomam a parceria na trilogia antiga também, o livro de Paul S. Kemp mostra um olhar mais próximo da dupla de mestre e aprendiz.
Lordes dos Sith acontece no planeta Ryloth, entre o filme Vingança dos Sith e livro Tarkin. Na trama do livro, o Império está explorando o planeta natal dos Twi’leks (espécie de humanoide) à procura do minério Ryll e ao mesmo echamnfrentando a rebelião considerável liderada por Cham Syndulla (foto), que vimos pela primeira vez na animação Star Wars: The Clone Wars, Syndulla é pai de Hera que aparece na animação Star Wars Rebels. A intenção do grupo de Cham é causar bastantes problemas para chamar a atenção do Imperador Palpatine e Darth Vader. A viagem dos Siths a Ryloth não sai como planejada e eles encontram-se tendo que lutar por suas vidas.
Vendo Palpatine e Vader neste particular período nos fornece um bom contexto da dupla. Vader continua tentando achar seu caminho, aprendendo a como deixar seu passado para trás e entendendo o poder aparentemente sem limites de Palpatine. É fascinante ver Vader descobrir como lidar com o medo e o ódio, tornando o personagem mais atrativo e entender o por que ele é do jeito que é, compreendendo qual é o papel de Palpatine na vida de Vader. Combinar o que é mostrado no livro com o que sabemos através dos filmes mostra um perfil mais completo do incrível vilão.
Eu gostei muito de acompanhar a jornada de Vader, mas também fiquei bastante interessado em ver como Palpatine manipula as pessoas que estão a sua volta, sua inteligência e paciência também ficam bem evidente no livro, os momentos nos quais ele manipula Vader são bem impressionantes, “Lordes dos Sith” mostra toda a potência de Palpatine em ação. Palpatine não fica sentado em seu trono em Coruscant, ele vai cuidar dos assuntos do Império pessoalmente no meio da selva de Ryloth. As cenas de Kemp são vívidas, deixando muito fácil de imaginar o livro como um complemento dos filmes.
No entanto as cenas de ação ficam um pouco a desejar no livro, elas são grandiosas, mas demoram muito a acontecer. Em alguns pontos do livro, eu me peguei calculando quantas páginas faltavam para finalmente chegar à cena da luta e em certos momentos eu tentei pular algumas partes, mas me contive e segui lendo o livro na íntegra.
Durante a jornada de Vader e Palpatine tentando conter a rebelião podemos testemunhar a política interna do Império, onde podemos comparar o Império com uma grande corporação, com pessoas preguiçosas tentando tirar vantagem de todas as situações possíveis. No livro nós conhecemos a Moff Delian Mors, personagem cânone e a primeira personagem homossexual do universo Star Wars, e ela desenvolve um papel importante no curso do livro.
No lado da rebelião, encontramos a continuação de uma história iniciada em Clone Wars. Os cidadãos querendo serem independentes do Império. Cham Syndulla líder da causa rebelde e é devoto a ela, enfrenta conflitos, toma decisões difíceis e carrega todo peso da causa. Você consegue sentir o peso das vidas perdidas nos ombros de Syndulla, toda decisão dele tem um impacto profundo e isso adiciona uma carga dramática ao livro.
O livro conta outros personagens como Isval e Belkor tão importantes para a história assim como os personagens já citados. O ponto de vista muda entre os personagens durante a trama e isso funciona muito bem para a história. Kemp fez um trabalho excelente ao entrelaçar as histórias dos personagens, dando espaço a todos eles.
Sem dar muito spoilers do final de cada personagem, achei que o livro termina de uma forma muito abrupta. No geral, Lordes dos Sith é uma leitura obrigatória, se você é um fã do Imperador Palpatine e/ou Darth Vader e estiver interessado em entender melhor sobre a dinâmica da dupla. O livro é um retrato da galáxia em um momento em que o Império está no seu auge, demonstrando força extrema e crueldade ao enfrentar a Aliança Rebelde.

[Crítica] A Garota do Livro

 

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Escrito e dirigido por Marya CohnA Garota do Livro estreou em 2015 dando um fôlego de originalidade da história à uma indústria que atualmente se baseia seus roteiros em outras mídias.
Uma jovem editora de livros é forçada a lidar com um autor de bestseller que a fez passar pelo maior trauma da sua vida no passado.
Dividido entre o passado e o presente, o roteiro de Marya Cohn consegue se estruturar em bons personagens, principalmente na protagonista Alice. O seu grande trauma é construído aos poucos assim que ela tem o encontro com Milan e serve como ligação com o passado em bonitas cenas que vão revelar um dos maiores pesadelos que uma jovem pode ter. Alice é no fundo uma batalhadora, que apesar de ainda possuir uma grande ferida aberta e ser controlada pelo seu pai, consegue seguir com a sua vida.
Porém na parte final do filme o roteiro se perde nas ações sem fundamento da protagonista. Alice que estava até então se livrando do trauma de Milan e do controle de seu pai para se tornar de vez uma mulher independente, tenta através de escolhas bobas reconquistar o seu interesse romântico, modificando radicalmente o tom da personagem e do próprio filme, que deixa de ser um drama profundo para finalizar o filme com uma comédia romântica.
A direção de Marya Cohn conseguiu construir uma narração visual através de bons enquadramentos e a direção do elenco no geral é satisfatória. Porém a sua consistência falha ao escolher mal e não conseguir trabalhar direito com as duas atrizes que interpretaram Alice, que acabam por prejudicar o trabalho final em um filme que poderia ser muito melhor do que é.
Emily Vancamp se esforça e até consegue obter alguma entrega na atuação, mas a sua limitação como atriz prevalece, igualmente Ana Mulvoy-Ten, a sua versão mais jovem. Quem segura o filme é o sempre bom Michael Nyqvist (o Mikael Blomkvist da trilogia sueca Millenium) e Ali Ahn, que interpreta a melhor amiga de Alice. Destaque ainda para Michael Cristopher e Talia Balsam que dão vida aos pais de Alice.
A fotografia de Trevor Forrest tem tons marrons e azuis no presente, deixando um ar mais naturalista e de sepia para retratar o passado, deixando um onírico que conseguiu servir como as lembranças ruins de Alice. A edição de Jessica Brunetto é fluida e deixa o filme com um bom ritmo, que apesar de ser um pouco mais lento, não é maior do que deveria.
A Garota do Livro tem o mérito de ser uma história original que pode agradar a quem deseja fugir de adaptações.
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[Crítica] Satânico

 

Os cinemas comerciais pelo mundo tem sido invadidos por uma nova onda de terror, que se vale dos mesmo clichês e estereótipos típicos dos anos noventa mas que tem por novidade a completa falta de carisma de absolutamente todos os personagens. Esse fenômeno ganhou muita força na década passada, com inúmeros filmes de qualidade sofrível que mais pareciam produzidos para tv do que para o formato em tela grande. Satânico bebe um pouco dessa fonte, piorado pelo fato de a direção ser de Jeffrey G. Hunt, mais conhecido por realizar séries como Vampire Diaries, os spin offs de CSIDark Blue e a famigerada Gotham.
A sinopse não poderia ser mais batida, são quatro jovens viajando para um lugar distante e que resolvem parar em Los Angeles para visitar locais onde ocorreram crimes hediondos. A partir daí eles encontram algumas pessoas que soam esquisitas aos olhares do grupinho, basicamente por essas possuírem um modo de vestir e viver diferente do deles. Depois de fazer referências diretas a filmes de qualidade discutível, como OuijaA Face do Mal e Atividade Paranormal e claro, The Walking Dead  uma vez que este é um filme dos mesmos produtores, a narrativa passa a investigar de maneira bastante preconceituosa os hábitos das pessoas, notam um ritual de sacrifício que remete aos tempos medievais, distantes demais dos tempos atuais.
O problema não seria maior caso essa ação de preconceito fosse só dos personagens, a questão e que o roteiro de Anthony Jaswinski (Águas Rasas e O Mistério da Rua 7) também julga essas pessoas como entes errados. O quadro muda ligeiramente quanto o quarteto resgata a prisioneira Alice, vivida pela bela Sophie Dalah. Seu papel até inicia bem, mostrando ser uma pessoa traumatizada e marcada por um mal inexplicável, mas logo as boas ideias de desconstrução de sexplotation são deixadas de lado, para dar vazão a mais um produto genérico.
Há algumas cenas interessantes na questão do gore. O filme varia entre a total falta de pudor em mostrar sangue e em fazer apologia ao ocultismo, mas isso é apenas um ensaio de uma mudança de patamar. Nos minutos finais o que ocorre é uma perseguição aos protagonistas sem qualquer culpa ou motivo aparente para que isso tudo ocorra. Não há explicação tampouco aura de mistério que faça valer o silêncio a respeito das mortes e da tal criatura que assombra os jovens.
As regras estabelecidas em Satânico não fazem sentido nem dentro dos clichês do gênero. A fotografia do filme é até em interessante, em face de toda a mediocridade que habita o filme, mas ainda assim é muito pouco, não salvando por exemplos os crassos erros de continuísmo. Não há quase nada durante os 84 minutos de exibição, exceção a exposição dos corpos sarados dos participantes do elenco, constituindo neste mais uma tentativa de esconder a pobreza de seu texto.


Jack Reacher: Never Go Back? If only this dreary Tom Cruise franchise had never started - review



Dir: Edward Zwick. Cast: Tom Cruise, Cobie Smulders, Danika Yarosh, Aldis Hodge, Patrick Heusinger, Robert Knepper, Holt McCallany, Robert Catrini, Billy Slaughter. 12A, 118 minutes.

There was a time when only the whoppingly successful Tom Cruise vehicles spawned sequels. Now he’s settling for leftovers. 2012’s Lee Child adaptation Jack Reacher scraped $80m at the US box office from its modest $60m budget; but it scored better overseas. So it is that Cruise resurrects one of his silliest, most arbitrary roles, as a former US military policeman with further wrongs to right, goons of overwhelmingly limited height to take down, and a framed colleague (Cobie Smulders) to bust out of jail.
Tom Cruise in Jack Reacher: Never Go Back
Tom Cruise in Jack Reacher: Never Go Back
Of all the 20 Jack Reacher novels Lee Child has so far published, it feels unfortunate that the one they’ve picked for this immediate film sequel had to be called Never Go Back. Taken as a piece of consumer advice, it prompts the retroactive complaint that its predecessor lacked one. Don’t Even Start?
The first time, chronic tonal confusion made it hard to tell which laughs were even intentional. As if to clear things up, this takes the straighter approach of mainly being drab and stultifying. It clogs up its running time with some of the most forgettable minor characters ever to litter a mainstream action thriller. If you emerge knowing how “General Harkness” or “Colonel Moorcroft” have especially enriched matters, despite wittering on for whole scenes, send a letter to this address.
We’ll give the sequel this much: the two female characters represent a slight advance on poor Rosamund Pike in the original, who had to simulate shock and awe at the most elementary of plot points. Smulders, who could pass as Cruise’s daughter or much younger sister, is mainly a victim of styling: her leather jacket, blue jeans and tied-back brunette hair scream “tough female sidekick in a PlayStation horror game”. At least she outdoes Cruise in likability, which isn’t saying much – I muttered agreement on several occasions when her character describes Reacher as a rude, four-letter portion of the male anatomy.
Tom Cruise in Jack Reacher: Never Go Back
Tom Cruise and Cobie Smulders in Jack Reacher: Never Go Back
Under surveillance by a whole range of shifty army bozos who want him dead, Jack keeps saying “I don’t like being followed”, as if most normal folk out there would claim the opposite. He has many more openly annoying habits. The film backs up how impressive he’s meant to be, but only through its incompetence. When Jack beats two guys unconscious on a busy passenger plane, no one else bats an eyelid. Perhaps he’s meant to have sedated the whole cabin with Rohypnol before boarding, and they just forgot to let us know.
Taking a turn at the wheel is Cruise’s old Last Samurai helmsman Edward Zwick, who drives it straight into a boggy mudflat. As a thriller, it’s lethargically paced, uninspiringly edited, and hardly raises your pulse even during life-or-death mano-a-mano. Cruise never cracks a smile, and his grim intensity in this role remains both studied and utterly unmysterious. He’s never looked like he’s having less fun, even when he was dying constantly in Edge of Tomorrow. How underrated that film starts to look, when the edge of your own seat is this distant a continent.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Forushande, de Asghar Farhadi | O Apartamento (2016)

by ALEX GONÇALVES
.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.
O diretor e roteirista Asghar Farhadi talvez seja atualmente o maior expoente do cinema iraniano a provar mundialmente que os filmes produzidos em seu país estão muito longe de serem tediosos e de vocabulário restrito. Ao contrário. Sem abrir mão das tradições culturais que cercam a sua realidade, Farhadi ainda assim exibe a ânsia de uma juventude e a quebra de paradigmas dos adultos.
Justamente por considerarmos todos esses fatores, “O Apartamento” soa um tanto discreto dentro do recorte mais recente e vibrante de sua filmografia, ainda que o ponto de virada do roteiro premiado em Cannes seja extremamente espinhoso de ser discutido pelos iranianos. Trata-se da condição da mulher em uma situação de abuso, geralmente privilegiando o silêncio em nome da honra.
Além de professor, Emad (Shahab Hosseini) também lidera um coletivo teatral, atualmente encenando “A Morte do Caixeiro Viajante”, a mais notória peça da autoria de Arthur Miller. Com Rana (Taraneh Alidoosti), Emad compartilha não somente o palco, como a vida privada em um apartamento em que acabaram de se mudar após o endereço em que viviam anteriormente ser ameaçado de desabamento.
A transferência de moradia resulta em uma situação em que Rana se transforma em vítima de um ataque, sendo gravemente ferida por um estranho enquanto se banha. Ao conhecer a verdadeira natureza da agressão, Emad passa a ser corroído por um sentimento de vingança enquanto Rena prefere deixar as coisas como estão para se preservar.
O Apartamento (Forushande)
Com tantos filmes de outras nacionalidades tendo uma premissa similar, a exemplo de “Paulina”, “Elle” e especialmente “O Silêncio do Céu”, esperava-se que “O Apartamento” fosse mais incisivo em sua observação sobre os comportamentos que permeiam o íntimo das mulheres ao serem violadas. Em um ângulo geral, a produção não contribui muito para o debate e, fora dele, não representa um passo adiante para Farhadi, então superando a si mesmo a cada nova obra.
Por um lado, “O Apartamento” descarta as estruturas convencionais de um mistério já deixando todas as pistas expostas para ir ao encontro do agressor. Por outro, uma predileção pela perspectiva masculina do contexto é mais perceptível, reservando em poucas ocasiões a condição de Rana em um cenário em que a mulher é secundária mesmo em situações em que seus anseios deveriam ser priorizados. Uma escolha que converge em um estrondo final sem todas as rachaduras pretendidas.

A Última Dança de Chaplin (Resenha)

 POR 23082016-chaplin intrinseca
A minha memória é um guarda-roupa tão inverossímil que não sei mais se realmente vivi ou sonhei o que ele contém.
Charles Chaplin foi um dos grandes ícones do cinema e, quanto a isso, não existem dúvidas. Preferências à parte, seus filmes são comentados e estudados até hoje, seja para dar boas risadas, explicar algum conceito sociológico ou explorar elementos cinematográficos.
Mas, se já sabemos tanto sobre a sua vida enquanto astro hollywoodiano, que tal falar um pouco sobre seu encontro com a morte? Essa é a premissa de A Última Dança de Chaplin, livro de Fabio Stassi publicado no Brasil pela Editora Intrínseca.
Stassi é um autor italiano, considerado um dos mais talentosos de seu país. Nessa publicação, ele combina elementos reais a cenários fictícios, em que o intérprete de Carlitos revela quem é longe das suas máscaras teatrais.
A história começa com uma espécie de roteiro entre Chaplin e a Morte. O ator já passou dos 80 anos e (de acordo com a profecia que ouviu de uma cartomante quando ainda era jovem e desafortunado) aquela deveria ser a noite em que se despediria do mundo. Contudo, depois de fazer a ceifadora rir, Chaplin propõe um acordo: ela permite que ele continue vivo e pode retornar a cada Natal, mas só levará sua alma se não der uma única risada sincera nesses encontros.
A Morte concorda e, na próxima página, o ritmo da história já é outro. Agora, estamos acompanhando uma narração em primeira pessoa, em que o próprio Chaplin conta a seu filho, Christopher James, sobre o acordo com a Morte e a sensação de que seu fim está se aproximando.
Através de uma carta, o ator entrega a Christopher todos os segredos de sua carreira. De aventuras em navios a romances proibidos, conhecemos as dificuldades financeiras e planos ardilosos que o transformaram de um menino pobre, criado entre artistas itinerantes, a uma das maiores estrelas do cinema.
Os capítulos seguem como uma conversa informal entre pai e filho – mesmo que só um deles, Chaplin, apareça. Ao longo da história, surgem algumas imagens importantes da vida do Vagabundo: mímicos que gostavam de contar histórias nos bastidores do circo; o seu primeiro amor por uma jovem dançarina; uma viagem conturbada a Nova York e sua jornada como um nômade, trabalhando em uma vidraçaria, uma loja de animais empalhados e até em uma academia de boxe.
Em determinados pontos, os capítulos são interrompidos para que o roteiro entre Chaplin e a Morte se apresente mais uma vez, mostrando como ele conseguiu encantá-la (ou enganá-la) durante alguns anos.
A Última Dança de Chaplin prevalece alguns aspectos da vida do ator, mostrando-o como um apaixonado pela carreira, pelas pessoas e, principalmente, pela vida. Com um enredo desses, o livro tinha tudo para dar certo, ainda mais se adicionarmos a importância que o livro dá às mudanças proporcionadas pelo cinema (um deleite para os fãs da sétima arte), o belíssimo design da capa e, é claro, o próprio nome de Chaplin, que criava grandes expectativas em relação ao conteúdo das páginas.
Contudo, a narrativa é um pouco lenta e acaba quebrando a magia para o leitor. A proposta de aliar fatos e ficção é incrível, mas não conseguiu se materializar tão bem quanto o esperado e – confesso – acabou deixando a desejar.
Em termos de conteúdo visual, o livro é muito profissional, mas a forma como os elementos são apresentados possui muitos rodeios e exageros narrativos, que se tornam forçados durante a leitura. Outro ponto crucial é que, enquanto o Chaplin personagem (aquele que realmente age e possui o discurso direto na narrativa) se apresenta muito carismático, o Chaplin narrador (que está contando a história da sua juventude) é um pouco egocêntrico e desagradável – como se fossem duas pessoas diferentes. Esse jogo de personalidades, em vez de instigar e brincar com as percepções do leitor, tira todo o encantamento da história.
Portanto, A Última Dança de Chaplin não é tudo o que se espera – principalmente se você o recebe com a expectativa de acompanhar uma bela valsa e acaba saindo com alguns calos no pé. Para a nossa sorte (e de Chaplin), seus movimentos continuam eternizados nas películas e são eles que devem realmente nos conduzir.
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6.6SEM RITMO.
O nome, o tema e a direção de arte geraram altas expectativas, mas o livro não consegue alcançá-las. A mistura entre fatos e ficção é confusa e não prende a atenção como deveria, deixando a leitura cansativa. Possui alguns trechos divertidos e romantiza completamente a história de Chaplin, mas ainda não chega aos pés de outras publicações sobre o astro de Hollywood.

7 grandes histórias de Charles Bukowski que você precisa ler

POR  
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É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa. – Charles Bukowski
Ame-o ou odeie-o, com Charles Bukowski é assim, 8 ou 80. Não é difícil achar pessoas que não gostam das obras do autor, afinal, sua linguagem afiada e despreocupada não acaba agradando a maioria. Por outro lado, é fácil se deixar envolver pela leitura natural de seus livros, suas experiências de vida um tanto quanto desgastantes e sua naturalidade em escrever os acontecimentos das formas mais explícitas possíveis.
Confira 7 obras essenciais deste autor bastante polêmico, mas genial, que foi Charles Bukowski.

Cartas na Rua (1971)

20092016-charles-bukowski-livros-2Cartas na Rua é o primeiro livro a apresentar Henry Chinaski, alter ego de Bukowski e protagonista de cinco dos seus seis romances. Autobiográfico, trata do período em que o escritor trabalhou nos correios e de como o sistema massacrou sua vida, moral e saúde. Com um humor sarcástico, soube pegar algo desinteressante (o trabalho de carregar e separar correspondência) e utilizar isso como uma forma de identificação com todo e qualquer leitor que já tenha tido um trabalho do qual não gostava. | Via

Factotum (1975)

20092016-charles-bukowski-livros-4Em Factótum, segundo romance de Charles Bukowski, publicado em 1975, encontramos mais uma vez Henry Chinaski, alter ego do autor, protagonista de vários dos seus livros e um dos mais célebres anti-heróis da literatura americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o loser Henry é considerado “inapto para o serviço militar” e não consegue entrar para o exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos, fazendo de tudo um pouco – daí o nome do livro –, na tentativa de subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande amor: escrever. | Via

Mulheres (1978)

20092016-charles-bukowski-livros-3“Mulheres”, publicado em 1978, descreve a vida de Henry Chinaski “alcoólico que se tornou escritor para poder ficar na cama até ao meio-dia”: as bebedeiras, as ressacas permanentes, os vômitos, as corridas de cavalo, as leituras nas universidades, as festas, as cartas de admiradoras, as esperas no aeroporto, os encontros sexuais, os dias seguintes, as rupturas, as reconciliações. Mais cerveja, mais sexo, mais mulheres. | Via

Misto Quente (1982)


20092016-charles-bukowski-livros-1O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994). | Via 

Crônica de um Amor Louco (1983)

20092016-charles-bukowski-livros-7Crônica de um Amor Louco é o primeiro dos dois volumes da obra Ereções, Ejaculações e Exibicionismos, do genial escritor Charles Bukowski (1920-1994). Uma jornada pelo universo infernal e onírico do velho e safado Buk – seus personagens desvalidos, seus quartos imundos em hotéis baratos, seus bares enfumaçados na longa louca noite de neon: o sonho americano reduzido a trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que Bukowski amava acima de todas as coisas. | Via

Hollywood (1989)

20092016-charles-bukowski-livros-5Hollywood foi escrito a partir da experiência de Bukowski ao fazer o argumento para o filme Barfly (direção de Barbet Schroeder, com Mickey Rourke e Faye Dunaway), onde ele narra a história de um escritor que ganha um bom dinheiro para escrever um roteiro para o cinema. Alguns de seus diálogos são memoráveis e a violência de sua linguagem geralmente oculta uma indisfarçável ternura pelos perdedores e excluídos. | Via

Pulp (1994)

20092016-charles-bukowski-livros-6No livro, Bukowski narra os episódios da vida de Nick Belane, um detetive particular de Los Angeles. Um cara durão, mas azarado, que divide o seu escritório com as moscas e as baratas, sempre atrasando o aluguel. Em um dia insuportavelmente quente, Belane é surpreendido por uma mulher sexy, de longas pernas, “um glorioso barato de carne”, que chega ao seu escritório. Seu nome é Dona Morte. Ela tem um trabalho para o detetive: encontrar Celine, um escritor francês que está morto há 32 anos, mas que ela insiste em dizer que avistou em uma livraria de Los Angeles. Na busca por Celine, Belane também investiga outros estranhos casos, todos envolvendo vigaristas dos mais variados tipos, perseguições, assassinatos, brigas de bar e até uma conspiração alienígena. Dona Morte, uma mulher inacreditavelmente fatal, é a personificação do sentimento que acompanhava Bukowski no período em que escreveu a obra, o de estar vivendo os seus últimos dias. Pulp foi escrito em 1993, nos intervalos entre as sessões de quimioterapia a que Bukowski se submeteu devido à leucemia que o mataria meses mais tarde. | Via

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