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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

[Resenha] Rocks – Joe Perry

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Dois anos após o lançamento de O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? – Uma memória feita de Rock´n Roll, autobiografia de Steven Tylerfrontman do Aerosmith, chega a vez do guitarrista Joe Perry lançar suas memórias, adicionando novo combustível a carreira sempre implosiva da banda conhecida, não a toa, como os bad boysde Boston.
Lançado em janeiro pela Benvirá, Rocks – Minha Vida Dentro e Fora do Aerosmith apresenta uma nova versão de fatos conhecidos pelos ouvintes da banda, trazendo a tona a outra figura que, ao lado do cantor, configura os Toxic Twins – alcunha dada pela mídia à amizade explosiva e ao contínuo uso de drogas dos parceiros musicais. Seguindo a fórmula tradicional de uma biografia, o músico apresenta a trajetória de sua vida, tanto antes da consagração como no estrondoso sucesso da banda, mantendo a mesma franqueza agressiva de Joey Kramer e Tyler em suas memórias. Afinal, após quase 40 anos juntos, os atritos da banda são tão fundamentais quanto seu rock´n roll.
Embora tenha convivido na mesma região de Tyler – um garoto da cidade que passava o verão na pensão de seus pais no campo – a trajetória de Perry é mais humilde. Os valores que fundamentariam sua carreira como a dedicação passional à guitarra e um louvável senso familiar diante da vida de um rockstar foram ensinamentos aprendido com os pais, responsáveis por presenteá-lo com seu primeiro instrumento musical. Desde este inicio precoce, o contraste entre os gêmeos tóxicos está presente. Steven já era conhecido na região devido a outras pequenas bandas, enquanto o guitarrista buscava trilhar seu caminho profissional. O encontro definitivo da dupla aconteceria somente em Boston quando, primeiro Perry, depois Tyler, rumariam para a capital e, todos sob o mesmo teto, fundariam o Aerosmith.
A personalidade de Joe ecoa pela biografia realizada em parceria com o crítico David Ritz. Uma narrativa mais calma e notadamente mais afiada na linearidade dos fatos do que a do companheiro. Perry se contrapõe ao cantor na timidez mas explode sintonia musical em uma potente guitarra mergulhada no blues. Mesmo mais calmo que o parceiro, compartilhou a jornada rumo à destruição através das drogas. A música, porém, falou mais alto e, em momentos quando o Aerosmith dava sinais de cansaço devido a uso excessivo de qualquer tipo de droga, Perry soube se lançar em uma bem sucedida carreira solo que ainda mantém entre um álbum e outro dos bad boys.
Se na carreira de um roqueiro há sempre um ponto de redenção que o faz repensar sua jornada, a família foi a sustentação de Perry. Ao vê-la quase colapsar devido ao uso das drogas, tentou ao máximo se abster, ainda que em inevitáveis recaídas. Em um universo mítico em que o sexo, a drogas e o rock´n se mantém como dogmas, o guitarrista soube compartilhar o melhor de dois mundos: a frente da guitarra é um dos deuses eternos do rock. Quando o espetaculo se encerra, é apenas um homem comum que mantém um legado de amor com esposa e filhos.

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