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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

[Resenha] O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? – Steven Tyler

 

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Steven Tyler está confortavelmente sentado ao seu lado. Você não se recorda há quanto tempo o conhece, embora se lembre das histórias que lhe contou, sem filtro, dando vazão a uma verborragia tão intensa quanto sua voz. Tyler relata sobre mulheres, o impulso pela experimentação – tanto na vida, quanto nas drogas – sem perder a pose. É como se ele sempre fosse um protagonista e, mesmo fora dos palcos, usa as calças com pintas de onça, diversos colares e mantém as unhas pintadas – mal pintadas, diga-se. Você pensa o quanto este figurino seria cafona se ele não fosse Steven Tyler. “estilo, cara, estilo é tudo”, ele diz.
Lançado pela Benvirá em 2013, O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? – Uma memória feita de Rock´n Roll é a segunda biografia de um Aerosmith lançada no mercado editorial, porém, a primeira a chegar em terras brasileiras (o livro de Joey Kramer ainda não chegou no país). Com título extraído da canção Something´s Gotta Give, do álbum Nine Lives (1997), a biografia entrou na lista de mais vendidos do New York Times, representando o sucesso da banda e refletindo com exatidão a aura desenvolvida pelo frontman desde o início da banda como um talento excêntrico.
Com uma linguagem simples e um estilo franco, a biografia vai direto ao ponto sem nenhum receio ou filtro. Em narrativa bem humorada, não há nenhum refreio para contar os altos e baixos de sua vida e dos problemas envolvendo o Aerosmith, a banda formada pelos bad boys de Boston. Sem abrir espaço para modéstia, Tyler se debruça na própria memória, abrindo o coração ao leitor, destacando seus feitos como heroicos e responsáveis pelos ápices da banda que co-fundou ao lado de Joe Perry. A família de classe média alta que fundamentou seu amor pela música, o apetite por explorar qualquer tipo de droga sempre reconhecendo suas modificações mentais, as mulheres que a música lhe proporcionou, tudo é transmitido ao leitor como se ele fosse um velho amigo confidente e estivesse visitando sua casa para uma noite regada de bebida e blues.
Ciente de sua própria potência, Tyler rouba a cena em todas as histórias, provavelmente distorcendo algumas aventuras para demonstrar sua força. Uma verdade que parece tão forte que se torna coerente, sem se importar ao leitor se as história foram, de fato, como relata. Sem papas na língua, desagua as mágoas da vida, sem perdoar nem mesmo os parceiros de banda. Todo o misto de violência e amor que sustenta a visceralidade insana do Aerosmith está presente, muitos relatos são dolorosos mas vistos com um carinho impar pela trajetória conquistada de uma banda que ainda permanece na ativa.
O Barulho na Minha Cabeça Te Incomoda? É um passeio pela trajetória da banda e uma história vivida no limite por um homem sempre criativo e tempestivo. Se o Steven Tyler é um personagem, não interessa ao leitor, trata-se de um cantor autêntico que permanece em uma trajetória a procura do sucesso, como se ainda não estive ciente de que é um ícone do rock´n roll americano desde a década de 70.

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