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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Resenha Crítica | O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

.:: 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.
Hymyilevä mies, de Juho Kuosmanen
O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki (Hymyilevä mies)
O boxe sempre foi visualizado como o maior dos esportes de superação, evidenciando especialmente na ficção o passado nebuloso de um homem sendo confrontado nos ringues em busca de uma redenção. Exemplares como “Rocky: Um Lutador”, “O Campeão”, “Touro Indomável” e “Menina de Ouro” seguem aclamados na exposição desse valor, ainda que invariavelmente alguns pendam para uma visão mais pessimista das coisas.
Interessado por uma abordagem que rejeita os extremismos americanos, o finlandês “O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki” encontra um meio termo entre a glória e o fracasso acompanhando um momento da vida do boxeador Olli Mäki (o excelente Jarkko Lahti, visto em “Pardais”) em que o dilema é sustentar o título de campeão ou priorizar o seu relacionamento com Raija (Oona Airola, graciosa). Portanto, o amor não vem como uma consequência para uma jornada de evolução, mas como um departamento emocional que demanda tanto cuidado quanto a sede por vitória.
Pressionado pelo seu agente Elis Ask (Eero Milonoff) e todos aqueles que o patrocinam, Olli Mäki aceita um tanto a contragosto o desafio de perder aproximadamente três quilos para que possa ser elegível para uma disputa de Peso-Pena. Mesmo dedicando a maior parte do seu tempo em corridas e em permanências em saunas para chegar à forma física desejada, Olli mal consegue mudar o resultado da balança. Talvez uma decorrência de sua vontade em curtir o tempo com Raija, algo impossível com a agenda de reuniões sociais e para a imprensa.
Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Juho Kuosmanen parece evitar riscos, concebendo uma narrativa extremamente plana inclusive na exposição de seus conflitos. A decisão acarreta em uma ausência de picos emocionais. Por outro viés, há nela a inteligência de desglaumoriza o universo boxe, enriquecendo um personagem que não se deixa corromper pela ganância e fúria que os cercam. Deu certo e, não à toa, o filme, que venceu o prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes, já é um dos favoritos pela disputa ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
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