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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, DE S. D. SALINGER

O Apanhador no Campo de Centeio é um livro que oferece algo a todos seus leitores. Você pode identificar-se com a angústica e alienação de Holden Caulfield, ser atraído por seu humor cínico ou ainda ficar ofendido por sua busca constante por relacionamentos, intimidade e sexualidade.
Ainda que O Apanhador tenha sido publicado pela primeira vez em 1951 (porém partes do livro vieram antes sob a forma de contos), esse clássico da literatura americana continua batendo em algumas de nossas mais primárias emoções.
Capa do livro O Apanhador no Campo de CenteioEle é o Huckleberry Finn moderno, percorrendo sua épica jornada em meio ao que parece ser uma alienação disfuncional da escola de onde fora expulso em direção a Nova Iorque. Esse enredo não parece soar como o conteúdo de um romance grandioso e duradouro, mas Salinger conseguiu tocar em algo profundo ao criar esse adolescente cínico e depressivo. É algo que talvez alguns leitores não tenham a sensibilidade para perceber, mas é também algo que você nunca esquecerá, ainda que odeie o livro.
É possível dizermos que este certamente é um livro aberto, alvo de muitas controvérsias e debates, ainda que isso não seja o que o torna um a leitura tão interessante.
O Apanhador no Campo de Centeio certamente não é um livro para alguém que deseja relaxar tomando uma xícara de chá. Pelo contrário, é uma leitura excitante e estimulante, embebida por uma realidade brutal que por vezes torna-se hilária com um humor que contrasta com momentos de depressão.
Apesar de ter sido lançado há tanto tempo, muitos adolescentes de hoje podem identificar-se com os diversos temas tratados na obra de Salinger. É um clássico moderno do romance de formação. O personagem principal, o jovem Holden Caulfield, de 17 anos, tem um caráter absolutamente intrigante e, conforme lemos o livro, é fascinante adentrar sua mente estranha e rebelde.
O livro começa com Holden falando diretamente com você, o leitor, ao recontar eventos de um período de três dias do último mês de dezembro. Sua história começa em Pencey, um colégio prestigiado, porém lotado de “babacas”, como Holden costuma chamá-los. O que mais me impressiona nesse enredo é a maneira pela qual ele compõe, desde o início do livro, o ambiente de fragilidade e impertinência no qual Holden é retratado como insolente, preguiçoso e completamente despreocupado em relação ao próprio futuro.
Praticamente toda a história é composta por uma longa retrospectiva desse período de três dias do qual falei acima, com ocasionais referências ao tempo presente. Um aspecto importante da linguagem — e algo que diferencia o romance de tudo que houvera sido escrito até então — é o uso constante de gírias e palavrões, um coloquialismo extremamente inovador e radical para a época, mas também muito realista, uma vez que o mundo dos adolescentes é que está sendo representado. Como resultado, temos personagens com personalidades incrivelmente realísticas, numa trama que talvez não seja recomendada para menores de 14 anos.
O Apanhador no Campo de Centeio é um chamado a todo adolescente e uma leitura inspiradora àqueles que passaram por essa fase, pois moralmente nos remete à necessidade de continuarmos esperançosos e verdadeiros em relação a nós mesmos.

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