Mostrando postagens com marcador Resenhas de Discos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas de Discos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

EMMERSON NOGUEIRA – VERSÃO ACÚSTICA 5 (2015)

emmerson_nogueira_versao_acustica_5
Com uma continuação digna para um grande projeto, Emmerson Nogueira prova que sabe o que faz
Por Gabriel Sacramento
Emmerson Nogueira é o criador de um projeto admirável: o Versão Acústica. Consiste na regravação de clássicos do rock/pop mundial em versão acústica/folk. O projeto foi iniciado em 2001 e o sucesso permitiu que o artista o continuasse até chegar à quinta versão, lançada no dia 30 de novembro.
Desde então, o disco tem se saído bem, inclusive se tornou um dos mais vendidos no iTunes. Isso mostra o quão relevante tem sido projetos nesse formato voz e violão. Recentemente, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançaram em CD e DVD um show gravado este ano durante a turnê Dois Amigos, Um Século de Música. O projeto foi todo concebido no formato voz e violão. Nando Reis, ex-baixista dos Titãs, também cooperou para o aumento da visibilidade do formato acústico com seu novo lançamento Voz e Violão – No Recreio – Volume 1, em que o ruivo canta clássicos da sua carreira adaptados à simplicidade, no que diz respeito ao número de instrumentos. Lá fora o formato também segue bem vivo. Recentemente Anathema lançou A Sort Of Homecoming, Placebo o MTV Unplugged e até mesmo o Pain of Salvation tiraram os violões do case para fazer o 2º acústico da carreira, Falling Home (2014).
emmerson_nogueira_2015
Criar arranjos acústicos para músicas consagradas com o formato “banda” não é uma tarefa fácil. Mas Emmerson Nogueira vem provando que consegue fazer isso muito bem. Destaco a versão do músico para a famosa canção “Smoke on The Water”, lançado no primeiro disco – Versão Acústica(2001). A versão é maravilhosa. Nogueira soube colocar muito bem aquele icônico riff sem prejudicar a veia folk da versão.
Quanto ao Versão Acústica 5, é difícil apontar algum destaque, pois todas as músicas são especiais. O repertório selecionado por Nogueira é excelente, trazendo um ecletismo bem interessante para o formato. Mesmo sendo injusto com a obra no geral, deixando de lado diversos ótimos momentos, apresento o que mais me chamou a atenção: “Goodbye Yellow Brick Road” de Elton John, a soulful “I Just Called to Say I Love You” de Stevie Wonder, a maravilhosa “Wonderful Tonight” de Eric Clapton, “Ben” de Michael Jackson, “Love of My Life” de Queen e “Imagine” de John Lennon soam sublimes na voz de Emmerson, transmitindo uma candura e tranquilidade impressionantes. Além disso, as músicas soam tão boas nessas versões que parecem ter sido compostas para esse formato.
A voz dele também está ótima. Nogueira faz questão de trabalhar a suavidade e vocalizações mais amenas em todas as canções. O cantor prioriza o simples, sem exageros desnecessários. Isso funciona bem, já que a preferência no repertório é por músicas mais calmas. Os arranjos possuem leves toques de outros instrumentos e vocais de fundo que complementam a essência: a voz e o violão. Tudo soa bastante harmonioso.
Ressaltando o que já disse, interpretar clássicos como esses não é fácil, como muitos pensam. As músicas e seus arranjos foram concebidos em mundos específicos (cada uma dentro de seu estilo musical), por isso é difícil adaptá-las a outras vertentes musicais sem sacrificar a essência das mesmas. Colocar personalidade em melodias já conhecidas requer muito, mas muito trabalho (quem canta vai entender o que estou querendo dizer). Mas em seu quinto disco de acústicas, Emmerson Nogueira tira de letra o que para muitos seria algo extremamente árduo. Mesmo sendo um disco de covers, é necessário admitir que o trabalho tem poder e capacidade para estrelar no meio de discos autorais, tamanha é a desenvoltura do intérprete.
Nogueira já é conhecido por seu trabalho em converter músicas famosas para um padrão acústico. E que continue assim, visto que ele é bastante competente no que faz e em cada versão nos surpreende mais e mais. Um dos melhores discos deste final de ano e uma continuação digna para um projeto incrível. Se você estiver sem ideias sobre o que presentear neste Natal, considere esse disco. Altamente recomendado.

PRINCE – HITNRUN PHASE TWO (2015)

prince-hitnrun-phase-two
Prince fica menos pretensioso, mais orgânico e acerta na mosca
Por Lucas Scaliza
Entre 2014 e 2015, Prince colocou no mercado nada menos que quatro novos discos de material inédito e material retrabalhado, como mostra a primeira metade deste novo trabalho, o irregularHITnRUN Phase One, que alterna momentos de criatividade e beleza com outros muito menos inspirados, quando não pretensiosamente artísticos.
A fase dois de HITnRUN, contudo, entrega um Prince bem mais equilibrado. De cara o disco nos dá a ótima “Baltimore”, música que ele já havia liberado sobre os protestos e a tensão racial na cidade que dá nome à música após Freddie Gray ser morto pela polícia em abril, iniciando um levante. É um pop bem feito, com muito coração e com inegável teor político. Fazia algum tempo que contextos sociais não eram abordados nas músicas de Prince.
Com uma linha de baixo espertíssima, a ótima “Rocknroll Loveaffair” nos mantém na mesma pegada da primeira faixa, curtindo um lado mais leve do compositor, mas com balanço, com apelo comercial e com paixão. E se quiser continuar gostando, é só deixar o disco rolar com “2.Y.2.D.” e seus arranjos de metais adornando a canção a cada compasso. O R&B de “Look At Me, Look At U” flerta com o jazz para fazer uma das canções mais ternas e deliciosas do trabalho.
prince-2015
Três músicas até agora e Prince não usou o falsete nos versos. As músicas têm groove e são dançantes, mas sem cair no eletrônico. Coma guarda baixa ele se expressa com menos pretensão, dando à Phase Two uma receita gostosa de soul, funk e pop de respeito. Os ritmos são constantes, deixando para os arranjos de piano, saxofone e flauta a função de ir construindo as características de cada canção. O baixo, um instrumento importantíssimo desta vez, é o senhor da base na ótima “Stare” e na dançante “Xtraloveable”.
Se havia EDM na fase um, dessa vez Prince optou acertadamente por fazer tudo organicamente. O instrumental é exuberante e suingado como apenas mãos humanas conseguem executar. Os timbres são suaves e bem cuidados, envernizados pelo uso apenas de instrumentação e meios de gravação analógicos. Para conseguir esse resultado, o cantor contou com a ajuda da banda The New Power Generation, que já contribuiu várias vezes com Prince, e com um grupo de sopros de Minneapolis chamado Hornheads.
As faixas não apresentam grandes surpresas em sua estrutura, mas a cada nova faixa encontramos um novo motivo para sorrir para Prince. Fica difícil escolher músicas preferidas emHITnRUN Phase Two tal é o bom gosto empregado em todas. É verdade que todas são bem regulares em comparação com as viradas e os elementos mais alternativos que usou nos últimos três discos, mas essa regularidade vem coberta de estilo e diversão.
Mas se temos que eleger uma (não temos, mas queremos), essa seria “Groovy Potential”. Ela reúne o melhor de Prince: a voz limpa, o refrão simples e marcante sem soar bobo, baixo e bateria extremamente bem casados para criar levadas que aumentam de intensidade e mantém a canção pulsante. Embora a dinâmica aumente e diminua, nunca soa explosiva, mantendo o balanço do funk tomando conta da faixa do começo ao fim.
A balada “When She Comes” é a primeira nova música a apresentar o falsete de Prince. A segunda é outra balada romântica, “Revelation”. “Screwdriver” é o primeiro rock de fato do álbum, cheio de groove e trazendo a guitarra para o primeiro plano, emulando a faceta divertida do estilo nos anos 70. “Black Muse” é outro aceno para o soul e o funk setentista, seja em sua versão mais pop (como se verifica nos vocais em coro e refrãos) ou seja no instrumental caprichado, cheio de viradas e fraseados de ligação entre uma parte e outra da canção. É outra das preciosidades do disco. “Big City” resgata a animação e o clima de boas vibrações do disco para encerrá-lo com um funk vistoso e aveludado.
Aos 57 anos, Prince tem uma enorme discografia e uma fome de música que nunca é plenamente saciada. Esta segunda parte de HITnRUN foi construída inteiramente por trechos e harmonias que já estavam circulando ao redor do artista há bastante tempo. É como se ele tivesse reciclado as ideias e finalmente encontrado uma materialidade definitiva para elas. Não sei até onde podemos criticá-lo por isso, uma vez que diversas músicas do Radiohead também estiveram por aí, sendo executadas ao vivo, muitos anos antes de ganharem forma final em seus discos. Isso faz parte da forma como Prince trabalha em estúdio: primeiro ele grava demos que podem se tornar o centro do disco em que está trabalhando. Em seguida, revisita uma infindável lista de músicas que nunca foram lançadas oficialmente em busca de composições que se adequem aos temas gravados nas demos. Por último ele escreve as canções que serão single.
HITnRUN Phase Two não vai superar seus melhores trabalhos, mas chega perto. Pode não ter muitos momentos de arrebatamento sonoro ou sentimental, mas não possui uma escolha mal feita e não deixa as good vibes de lado em momento algum. Sem dúvida, a melhor coleção de canções que ele coloca no mercado desde a década de 1990.
PrinceArseniaHall2014Banner

terça-feira, 24 de novembro de 2015

SHYE BEN TZUR, JONNY GREENWOOD, THE RAJASTHAN EXPRESS – JUNUN (2015)

junun_cover_2015
Música árabe engrossa o caldo de experiências e encontros do Oriente com o Ocidente
Por Lucas Scaliza
Com o que se parece a música pop árabe e indiana? Quem conhece a música do Oriente Médio e da Índia apenas pela intermediação das novelas, dos seriados e do cinema comercial já está habituado aos seus sabores e temperos. Há um modo bastante particular de cantar, um modo bastante particular de soar alegre e arranjos que nos trazem uma explosão de cores fortes à mente. Ouvir Junun, no entanto, é mergulhar um pouquinho mais fundo na música pop e com um lado experimental do oriente. Se você logo pensou naquelas músicas de lamentação ou de glorificação religiosa, que novelas e filmes gostam de mostrar, vai se surpreender ao ouvir uma música que mesmo diferente pode ser tão tocante quanto qualquer outra.
Junun, que significa “mania” ou “a loucura do amor”, é um encontro de músicos do oriente e do ocidente. Fotos no Instagram mostravam Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, em salas de estúdio e locações orientais sem dar muitas pistas do que estava acontecendo. Como era sabido que o Radiohead aos poucos estava gravando seu disco novo, poderia ser algum tipo de pesquisa sonora para o vindouro trabalho dos ingleses. Mas como Jonny tem vários projetos paralelos – incluindo aí uma composição para uma orquestra sinfônica australiana – era melhor não afirmar nada muito cedo.
junun_2015_2
O anúncio de Junun comprovou o que aquelas fotos mostravam: Greenwood e Nigel Godrich, produtor do Radiohead e de Thom Yorke em sua carreira solo, além de músico no Atoms For Peace, foram à Índia se unir a outros músicos para fazer música nova. O cantor israelense Shye Ben Tzur liderou essa empreitada, compondo as 13 faixas do álbum. Também foram escalados renomados músicos indianos, como o trompetista Aamir Bhiyani, os tocadores de nagara Nathu e Narsi Lal Solanki, o duo de vocal harmônico Zaki e Zarkir Ali Qawwal e vários outros que formaram sua grande banda de apoio, The Express Rajasthan, com 19 membros ao todo. O cineasta americano Paul Thomas Anderson (responsável por filmes como Sangue Negro, O MestreVício Inerente, que ganharam trilhas compostas por Greenwood) também voou para lá e fez um documentário de uma hora sobre o encontro.
O projeto é multiétnico, como já ficou claro. Nenhuma faixa está em inglês, dividindo-se entre os idiomas hebraico, urdu e hindi. A parte de Greenwood foi colocar guitarra base (os solos são feitos todos por sopros e cordas indianas, mas não pense que a guitarra dele não faz a diferença), baixo elétrico, teclados e baterias programadas que hora são usadas sozinhas na música e hora complementar a percussão sempre apimentada da banda de apoio. As gravações foram feitas no forte Meharangarh, um templo incrustado nas colinas da cidade de Jodhpur.
“Roked”, misturando a percussão indiana a processos eletrônicos, é quase como uma versão remix que algum DJ ocidental faria para uma música qualquer, incluindo a manipulação da voz, cortando os versos para criar uma sensação rítmica. Já a introdução de “Hu” é mais próxima do tradicional, com uma melodia feita com um instrumento de arco que dá espaço para uma música bem marcada por percussão e groove. Não estranhe se te der vontade de bater palmas no ritmo dela. “Eloah” é praticamente uma faixa vocal que vai ficando cada vez mais acelerada. A repetição do coro determina o ritmo crescente da canção e agrega mais amplitude estilística ao álbum.
A faixa-título “Junun”, que abre o disco, e “Modeh”, que o encerra, são pura alegria e cores, abertura e conclusão de respeito que não afastam o ouvinte ocidental, pegando-o pela mão e mostrando que dá para gostar, dá até para dançar, e que a língua estranha não é uma barreira tão grande assim. “Chala Vahi Des”, com vocais femininos de Afshana Khan e Razia Sultan, segue pelo mesmo caminho. Um sintetizador se infiltra em diversos momentos entre a percussão e os sopros para criar uma camada de som mais viajante com textura etérea. No terceiro ato, o baixo deixa a melodia padrão oriental e faz um riff quase funk. É apenas um detalhe, mas como este projeto é um encontro do ocidente com o oriente, faz toda a diferença.
Com quase nove minutos, “Kalandar” é uma faixa instrumental e experimental, uma viagem pela paisagem sonora árida e misteriosa do oriente, com direito a sopros ocos e sons de aves dividindo espaço com efeitos eletrônicos e virtuosismos instrumentais, mas nada que prejudique a magia dessa faixa rica em atmosfera. “Ahuvi” é outra faixa que leva o minimalismo ao projeto de uma maneira muito sensível. Atenção para a mixagem, que deixa um instrumento reverberar no falante esquerdo enquanto mantém o direito menos poluído. Já “Allah Elohim” deixa nítida a presença de Greenwood, seja na guitarra ou nas Ondas Martenot que enfeitam o refrão. Este é o mesmo instrumento que o músico usou em Kid AHail To The Thief e na composição da trilha deSangue Negro, sendo recuperado mais uma vez. É o mais próximo que Junun produziu de uma versão oriental de uma faixa do Radiohead, com o perdão da redução, pois a faixa é um primor por si só.
junun_2015
A presença de Greenwood e de Godrich, assim como do cineasta PTA, poderá atrair mais ocidentais do mundo pop/rock para o trabalho e, embora seja um disco muito bem gravado, bonito e delicioso de ouvir, não tem os parâmetros pop que ocidentais se acostumaram a prezar e a esperar da maior parte da produção musical que resolvem tentar escutar. Assim, seja qual for o motivo que te leva a Junun, mantenha os ouvidos abertos e a mente mais aberta ainda. O estranhamento é normal, mas necessário para entendermos a beleza de outra cultura milenar. Também é interessante tentar imaginar o que Junun significa para um indiano, paquistanês, iraniano ou qualquer outro ouvinte da música popular oriental. Para eles, pode soar como uma música contaminada pelas experiências ocidentais e soar igualmente estranho, mas não posso garantir que já não exista uma série de experimentações na música gravada do outro lado do planeta.
Fato é que Junun de Greenwood, The Rajasthan Express e Shye Ben Tzur entra para o diminuto rol de música boa e sofisticada com viés antropológico também praticada recentemente pelos norueguês do Gazpacho com Molok, pelo inglês Steve Hackett (ex-Genesis) em Wolflight e pelo trompetista de jazz Ibrahim Maalouf em Kalthoum, todos trabalhos que envolvem uma extensa pesquisa por diferentes tradições culturais que determinam diferentes técnicas musicais a serem utilizadas e, claro, a produção de sons novos tanto para quem produz a obra quanto para o consumidor final.
junun-nyff-paul-thomas-anderson-jonny-greenwood

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Álbum : Deep Purple – Made in Japan 1972 (Resenha)

Existem várias perguntas que costumam render muita discussão. Muitas destas questões dizem respeito a quais são os melhores e mais influentes álbuns de determinado artista ou gênero, ou algo do tipo, de forma a render divergências e acalorados pontos de vista diferentes. Mas e quando a pergunta seria qual o melhor disco AO VIVO de rock já lançado? Sim, poderíamos citar vários exemplares, mas na opinião geral existe quase um consenso de que ainda o melhor álbum ao vivo já realizado continua sendo Deep Purple – Made in Japan.
Mesmo depois de mais de 40 anos é impossível não se surpreender com a técnica, energia e a fúria que transbordam em cada uma das sete faixas do disco, o que se torna ainda mais incrível ao constatar-se que quase não foram acrescentados ‘’overdubs’’ – as interferências feitas em estúdio com o objetivo de limar possíveis imperfeições, o que serve para atestar a incomparável competência e excelência dos músicos em cima do palco.
É importante relembrar que nesta época os purple estavam em sua segunda e mais bem sucedida formação conhecida como MK II, que se uniu em meados de 1969 quando a direção musical da banda passou das mãos do tecladista Jon Lord para o tempestuoso guitarrista Richie Blackmore que direcionou a banda para um som mais pesado e agressivo, uma decisão que se consolidou depois que o Led Zeppelin começou a estourar nas paradas. Para isto ele dispensou Rod Evans e Nick Simper, respectivos vocalista e baixista, e recrutou os novatos Ian Gillan para assumir os vocais e Roger Glover no baixo, se juntando aos já citados Blackmore e Lord, e ao estupendo baterista Ian Paice. Com esta formação a banda primeiramente lançou o Concerto for Group and Orchestra, uma ousada mistura de Rock e Música Erudita, na verdade mais um projeto solo de Jon Lord executado pela banda, para só então a banda lançar o trabalho que marcaria esta guinada ‘’In Rock’’ lançado em 1970 que revelou a banda para o mundo através de um som enérgico e furioso que seria um dos pilares para o surgimento do Heavy Metal. Com o sucesso veio em 1971 mais um lançamento ‘’ Fireball’’ e em 72 outro marco considerado por muitos o ápice da banda ‘’Machine Head’’, sim, o disco que contém a clássica ‘’Smoke on the Water’’.
Com isso a banda se tornou uma das mais populares e barulhentas do planeta, excursionando massivamente, até que a fama do grupo chegou ao Japão através do sucesso de vários singles lançados até então, sendo assim a gravadora japonesa sugeriu que eles gravassem um disco ao vivo da sua primeira turnê no Japão, o que a princípio a banda rejeitou, mas que por fim acabaram cedendo, com a condição de a própria banda supervisionar o processo de produção e mixagem final sendo que os mesmos escolheram a dedo a equipe e os equipamentos, inclusive trouxeram Martin Birch, produtor que já havia trabalhado em discos anteriores, para realizar a mixagem. Por fim os shows acabaram sendo realizados na cidade de Osaka no Festival Hall nos dias 15 e 16 de agosto de 1972 e em Budokan no dia 17, e o disco seria o resultado das melhores performances das três noites compiladas em um LP duplo. De início o disco só seria lançado para o mercado japonês, mas o resultado foi tão bom que acabaram lançando mundialmente.
deep-purple
Da esquerda para direita: Jon Lord, Ian Paice, Ian Gillian, Richie Blackmore e Roger Glover.
A faixa de abertura do disco é nada mais nada menos que ”Highway Star”, que por sinal já mostra que o ambiente em que o Purple se sente em casa é mesmo o palco, onde a banda transborda técnica e energia, onde Gillian simplesmente entrega tudo o que pode em uma interpretação selvagem e furiosa, com os seus característicos berros e agudos que se tornaram uma marca. Destaque também para os excelentes solos de Ritchie Blackmore e Jon Lord. Logo em sequencia a densa e épica ”Child in Time” com seu início soturno e melancólico que vai crescendo progressivamente no avançar da canção se transformando em uma das canções mais ‘’hard’’ do álbum que conta com a melhor interpretação de Gillian que despeja sem piedade os seus desesperados berros que pontuam a canção e mostrando o porque do título ‘’Silver Voice’’. Em seguida a versão definitiva de ‘’Smoke on the Water’’ e seu clássico riff, o qual dispensa todos os comentários. Temos também ‘’The Mule’’ no qual o batera Ian Paice despeja toda a sua criatividade, exuberância e técnica em um solo que só peca por ser um tanto longo demais, o que não chega a comprometer, ‘’Strange Kind of Woman’’ sem dúvida uma das mais divertidas canções do álbum, com o duelo entre os agudos de Ian Gillan e a guitarra de Blackmore e ”Lazy”, uma faixa com fortes tintas bluseiras/jazzisticas quase totalmente instrumental com poucas frases cantadas por Gillian.
Sem esquecer dela….”Space Truckin”, que vai muito além de uma simples versão ao vivo de uma faixa clássica de Machine Head, para se transformar em uma verdadeira epopeia de mais de 19 minutos de viagem sonora por sons espaciais diversos e sensações mistas, com Jon Lord mostrando o porquê de ser até hoje simplesmente o MELHOR tecladista da história do rock. Existe uma frase que o define bem: ‘’Um tecladista que toca como guitarrista’’, sendo ele um dos grandes diferenciais do som do purple, no qual os seus solos de teclado rivalizavam com os de guitarra, sempre se sobressaindo, e não servindo apenas como apoio. De qualquer forma os segundos de silêncio depois do fim da faixa mostram o quão embasbacados estavam os japoneses em presenciar aquilo.
Por fim, este álbum é a representação exata do que significava o Deep Purple em cima de um palco, coroando uma bem sucedida fase da banda, embora isto não duraria por muito tempo. Em 1973 o MK II lançaria ‘’Who Do We Think We Are’’, que continha a divertida ‘’Woman from Tokio’’, uma homenagem as mulheres japonesas, e em seguida a formação chegaria ao fim após a saída de Roger Glover e Ian Gillian em decorrência dos diversos conflitos entre o vocalista e Blackmore. Assim David Coverdale assumiria os vocais junto com o mais novo baixista Gleen Hughes dando inicio assim a MK III, mas isso já é assunto para outro dia, no mais, não deixe de ouvir Made in Japan, pois sua vida musical não estará completa sem esta experiência.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

ÁLBUM: The Wall – Pink Floyd (Resenha)

É incrível como músicas têm o poder de transformar tudo ao seu redor. Escutar Pink Floyd não é apenas dar play em suas canções, mas sim sentir e viver uma experiência única. Na minha opinião, The Wall é uma das grandes obras primas do rock progressivo e da banda inglesa. Recentemente me deparei com uma bela análise no site Whiplash onde o autor Neimar Secco traduziu o texto do thewallanalysis.com e eis aqui uma ótima leitura.
The Wall, do Pink Floyd, é um dos álbuns mais criativos da história do rock. Desde o lançamento do álbum de estúdio em 1979, da tour entre 1980 e 1981 e o filme subsequente, The Wall tornou-se sinônimo de (se não a exata definição do termo) “álbum conceitual”.
the-wall-2
Hello
Is there anybody in there?
Just nod if you can hear me
Is there anyone at home?
  • Comfortably Numb
Através da audição, que é “explosiva” em disco, aterradoramente complexa no palco e, visualmente explosiva na tela, The Wall investiga a vida do protagonista ficcional, Pink Floyd, a partir dos seus dias de infância na Inglaterra pós segunda guerra mundial até o seu autoimposto isolamento como renomado astro do rock, conduzindo a um clímax que é tanto catártico quanto destrutivo.
Desde o início, a vida de Pink gira em torno de um abismo de perda e de isolamento. Nascido durante as dores finais de uma guerra que tirou a vida de cerca de 300.000 soldados britânicos (dentre eles, o pai de Pink) a uma mãe superprotetora que dispensa a seu filho doses iguais de amor em abundância e fobia, Pink começa a construir um muro mental entre si mesmo e o resto do mundo para que ele possa viver em um equilíbrio constante e alienado de “colagens de filmes”, livre das confusões emocionais da vida.
Cada incidente que causa sofrimento a Pink torna-se mais um tijolo em seu muro cada vez mais alto: uma infância órfã de pai, uma mãe dominadora, um sistema educacional insensível, inclinado a produzir “engrenagens compatíveis” (submissas) na roda da sociedade, um governo que trata seus cidadãos como peças de xadrez, a superficialidade do estrelato, um casamento alienado e até mesmo as drogas às quais ele se volta a fim de encontrar libertação.
Conforme seu muro vai chegando ao final (da construção), cada tijolo isolando-o do resto do mundo – Pink gira em parafuso em um verdadeiro mundo de insanidade. Contudo, no minuto em que o muro se completa, a gravidade das escolhas de sua vida inicia. Agora acorrentado a seus tijolos, Pink assiste sem defesas (ou talvez ele fantasie) enquanto sua psiqué aglutina-se na exata persona ditatorial que antagonizou com o mundo durante a Segunda Guerra Mundial, cicatrizou sua nação, matou seu pai e, em essência, poluiu sua própria vida desde o nascimento.
Na mesma proporção em que essa história é contada principalmente do ponto de vista de Pink com foco em (uma) vitimização niilista, também ocorre uma forte contracorrente existencialista na qual a liberdade não pode ser separada da responsabilidade pessoal.
Culminando em um julgamento mental tão teatralmente rico quanto os maiores shows teatrais, o conto de Pink termina com uma mensagem que é tão enigmática e circular quanto o resto de sua vida. Seja vista em definitivo como uma história sarcástica sobre a futilidade da vida ou uma jornada esperançosa de morte e renascimento metafóricos, The Wall é seguramente um marco musical importante, merecedor do título “arte”.
the-wall-1
We don’t need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
All in all it’s just another brick in the wall
All in all you’re just another brick in the wall
  • Another Brick In The Wall, Pt. II
Assim como na maioria das artes, o álbum conceitual do Pink Floyd é uma combinação de imaginação com a própria vida do autor. O álbum germinou durante a tour do álbum de 1977, Animals, quando o frontman Roger Waters, cada vez mais desiludido com o estrelato e o status “eudeusado” que os fãs costumam atribuir aos rock stars como ele mesmo, cuspiu na face de um frequentador de concertos superzeloso. Horrorizado com seu desencantamento, Waters começou a esquadrinhar esses sentimentos de alienação adulta assim como aqueles nascentes da perda de seu próprio pai durante a Segunda Guerra Mundial para dar vida ao personagem ficcional, Pink. As loucas histórias que cercam o primeiro frontman da banda, Syd Barrett – incluindo suas fugas em drogas e subsequente retirada do mundo – proporiconou a Waters inspiração adicional para o rock star temperamental.
As contribuições dos colegas de banda David GilmourNick Mason e Richard Wright proporcionaram as pinceladas finais para um anti-herói contemporâneo um homem comum, existencial e tentando duramente encontrar (ou discutivelmente perder) a si mesmo e o significado em um século fragmentado pela guerra.
E você, o que acha desse disco? Deixem suas opiniões.
the-wall-3
9.2ÓTIMO
The Wall, do Pink Floyd, é um dos álbuns mais criativos da história do rock. Desde o lançamento do álbum de estúdio em 1979, da tour entre 1980 e 1981 e o filme subsequente, The Wall tornou-se sinônimo de (se não a exata definição do termo) "álbum conceitual".

terça-feira, 6 de outubro de 2015

DISCO: Ramones – 1976 (Resenha)


Ramones foi o primeiro álbum da Banda, o qual leva o mesmo nome do grupo. Foi lançado em 1976, naSire Records. A Banda gastou pouco mais de 6.000 dólares, usou técnicas – na época – muito boas para a gravação; algumas sendo as mesmas que os próprios Beatles usaram.
Para qualquer garoto que usa all star arrebentado, calça jeans rasgada, jaqueta de couro e cabelo cumprido esse disco é a razão de viver. Já para a Rolling Stone, é o 33º melhor álbum de todos os tempos.
A capa dele, mostrada logo abaixo, retrata os integrantes encostados em uma parede de tijolos; 58ª melhor capa, na relação – feita pela mesma revista – das 100 melhores. Tem duração de 29:04 minutos e foi produzido por Craig Leon.
É difícil expressar com palavras a importância desse disco para a história não apenas do Punk, mas da música em geral. É incrível pensar que como 4 garotos depressivos, drogados e sem esperança nenhuma conseguiram tanta coisa com apenas 3 acordes. Joey tinha TOC (Transtorno obsessivo compulsivo), foi considerado inválido pelo governo e mesmo assim foi atrás daquilo que pertencia a ele: a música.
Independente de ser o primeiro, acredito que foi um dos melhores, por mostrar as origens da banda e contar com hits até hoje conhecidos, como a música do jogo Tony Hawk Pro Skater 3, “Blitzkrieg Pop”que abre o disco, com um grito quase que de guerra e que até hoje é o lema da banda: “Hey ho let’s go”. Vale lembrar que Blitzkrieg (termo alemão para “guerra-relâmpago”) foi uma doutrina militar em nível operacional que consistia em utilizar forças móveis em ataques rápidos e de surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tivessem tempo de organizar a defesa.
O disco intercala entre músicas românticas, sérias e desengonçadas, mas claro, todas com um toque especial dos garotos e até com os gritos de Joey “bata no moleque com um taco de beisebol” o disco marca uma era. A talvez mais triste e complicada música, seria “53rd and 3rd” onde Dee Dee narra suas noitadas por essa esquina de New York em que ele se prostituía para conseguir comprar sua dose de heroína.
Enfim, é um disco incrível e você pode conferir todas as músicas aqui em baixo.
ramones-1976

8.2ÓTIMO
Os Beatles acabaram, as rádios eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, sem contar o hard rock de Led Zeppelin. Ramones foi uma quebra de tabus, marcou a época e será lembrado para sempre.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dark Side of the Moon – Pink Floyd (Resenha)

Vamos falar um pouco de Dark Side Of The Moon, um dos maiores álbuns da história da música, o qual alcançou números surpreendentes, tanto em vendas como em posições nas paradas mundiais, esse disco é grandioso desde sua capa até seus mínimos detalhes, levezas sonoras e etc, conheça mais sobre a obra:
Dark Side Of The Moon é o oitavo álbum de estúdio da banda, porém, na linha cronológica de discos é o nono. Lançado no dia primeiro de março de 1973, o disco é marcado por sonoridades especiais, principalmente em “Time” com diversos relógios tocando ao mesmo tempo; hoje você pensa “poxa, mas é tão simples reproduzir esses efeitos” mas vale lembrar que o disco é da década de 70, com tecnologia muito precária.
Sucesso que, logo de cara deixou o disco nos top da Billboard 200 americana e, até hoje, é considerado um dos mais importantes álbuns da história da música e principalmente do rock progressivo.
Depois do sexto álbum lançado, “Meddle”, Waters teve a idéia de na próxima turnê que se aproximara, eles focassem em já apresentar materiais que viriam no futuro, com temas mais desgastantes visando a perda do integrande Syd devido ao seu estado mental vir abaixo decorrente do uso de drogas; e assim foi, os integrantes foram gravando músicas mais pessoais, Roger Waters gravou algumas fitas demos em sua casa.
Gravado no Abbey Road Studios, ao lado do produtor Alan Parsons, famoso por ter trabalhado com os Beatles, o disco contou com técnicas avançadíssimas na época para chegar ao resultado final. A segunda faixa gravada “Money” contou com alguns efeitos que Roger havia criado com moedas, usando também a técnica loop.

Fatos curiosos

As gravações tiveram algumas interrupções desnecessárias, como as vezes que Waters largou as sessões para ver partidas de futebol do seu time, ou assistir seriados de TV.
Outra curiosidade, que no caso é mais uma lenda do que curiosidade que ronda o disco; a relação que o mesmo teria com o filme “O Mágico de Oz”, que quando junta cenas do filme com músicas do disco, eles parecem se completar, veja o vídeo:

dark side
9.3ÓTIMO!