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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Intriga Internacional – 1959 (Resenha)

O mestre do suspense sempre teve uma visão muito característica e peculiar sobre a sétima arte. Alfred Hitchcock não estava interessado em retratar a realidade em seus filmes. “O drama é a vida sem as partes chatas”, disse uma vez. Então, para ele, não importava se uma ideia era considerada absurda ou impossível de acontecer na vida real.
O que importava, de fato, era se aquilo poderia ser traduzido em uma imagem bela e poderosa, que trouxesse satisfação e entretenimento para quem estivesse assistindo. Um exemplo disso é a vontade, de longa data, que o diretor tinha de encerrar um de seus filmes com uma cena de perseguição ambientada no Monte Rushmore, famoso monumento estadunidense com os rostos de quatro presidentes históricos do país.
Então, em 1959, apenas um ano depois de realizar o filme que, para muitos, é sua obra-prima, Um Corpo que Cai, ele decidiu realizar seu desejo. Pediu ao roteirista Ernest Lehman (A Noviça Rebelde) que escrevesse uma história que culminasse na cena idealizada.
Nascia ali Intriga Internacional (North By Northwest, 1959), uma das peças mais importantes da filmografia do cineasta inglês. A história gira em torno de Roger Thornhill, um publicitário atraente, bem-sucedido e cosmopolita, interpretado pelo grande Cary Grant, em sua última colaboração com Hitchcock.
Thornhill leva uma vida confortável, fútil e vazia, maquiada por termos caros e drinques elegantes. Um dia, durante uma reunião de negócios em um restaurante, ele é confundido com um homem chamado George Kaplan, e é sequestrado por dois misteriosos agentes armados. O protagonista faz diversas perguntas, mas não consegue nenhuma resposta. Chegando ao seu destino, conhece Phillip Vandamm (James Mason), o homem responsável por sua captura. Por mais que Roger tente dizer que não é o tal Kaplan, os homens não dão ouvidos a ele.
Durante a noite, os capangas o embebedam e o fazem dirigir por uma estrada sinuosa e movimentada, esperando que ele dirigisse penhasco abaixo. Thornhill consegue viver, mas é preso por dirigir embriagado. As cenas em que Grant interpreta o personagem bêbado, tentando se explicar aos policiais e até fazendo uma ligação para sua mãe são um show à parte. Após fazer pequenas investigações por conta própria, o publicitário acaba por se envolver em um assassinato em pleno prédio da ONU, e de ser acusado como o assassino por todos os jornais dos EUA.
Portanto, de uma hora para outra, o homem que levava uma vida calma e sem muitas preocupações perde tudo, sendo perseguido tanto pela polícia quanto por homens dos quais ele não sabe nada. Usando seu charme e inteligência, Thornhill consegue sucessivamente escapar de seus perseguidores, e acaba por entrar clandestinamente em um trem para Chicago. Lá, conhece uma misteriosa e linda mulher, cujo nome é Eve Kendall (Eva Marie Saint, de Sindicato dos Ladrões).
A cena em que os dois conversam no restaurante do trem beira a perfeição. Os diálogos inteligentes e sofisticados são realçados pelas brilhantes interpretações dos atores, em um jogo de olhares, sugestões e gestos que Hitchcock costura de tal maneira que parece estar-se assistindo a um tango de palavras, sexy e provocante.
Eve se propõe a ajudar o homem, mas suas intenções não são tão boas, e Roger, por causa dela, acaba parando em uma estrada deserta, completamente sozinho. Durante seis minutos, não há uma frase dita em cena. Mas Hitchcock domina o filme com tanta força que faz desses minutos os mais tensos e dramáticos de Intriga Internacional, culminando na icônica cena da perseguição de um avião ao personagem em um milharal. Difícil de acreditar que isso poderia acontecer de verdade? Mais uma vez, o diretor não liga. O que importa é a imagem e o sentimento que ela transmite ao espectador.
A partir desse momento, o roteiro contém diversas reviravoltas, e verdades são descobertas sobre vários personagens, inclusive Eve. O ponto culminante, enfim, é a perseguição no Monte Rushmore, marcada pela emocionante trilha sonora de Bernard Herrmann, longo colaborador de Hitchcock. O governo dos EUA não autorizou a gravação das cenas no local, então a equipe do filme teve de realizar uma pequena réplica em estúdio do monumento, em um trabalho de direção de arte impecável. O corte final do filme mostra, mais uma vez, o poder de síntese e a habilidade com a qual o diretor transmite seus significados em imagens, mostrando a grande transformação sofrida pelo protagonista durante a história.
Intriga Internacional não é apenas o conjunto de uma grande atuação, direção e roteiro. É uma obra-prima que resume todo o poder do cinema, e entrega tudo o que um filme pode ter: ação, humor, suspense, romance, belas imagens, música inesquecível e um personagem pelo qual se possa torcer e com quem possamos nos identificar. Distingue-se da maioria dos filmes de Hitchcock pela combinação exemplar de drama e comédia, algo que se deve muito a Cary Grant, que tem uma presença tão poderosa em cena, e vive o personagem de forma tão natural que impossibilita o espectador de tirar os olhos dele.
O roteiro de Lehman, carregado de uma história tão intrincada e rica em personagens, é o pano de fundo perfeito para o “Senhor H” desfilar toda sua genialidade e conhecimento. Famoso por ser obcecado pelos aspectos técnicos de seus filmes, Hitchcock, com a ajuda de sua equipe, atingiu um nível de qualidade assustador neste filme, em que se destacam as cenas do avião, do jantar no trem e a cena final, do Monte Rushmore.
Após entregar mais esta maravilha da arte e do entretenimento, o cineasta viria a realizar mais um filme imortal, Psicose, um ano depois, marcando a melhor fase de sua carreira. Aos amantes do cinema, só resta agradecer e aproveitar os filmes deste grande artista, senhor absoluto de seu meio de expressão, e principalmente, de seu gênero favorito.
8.6MUITO BOM
Em um de seus filmes mais famosos, o diretor Alfred Hitchcock produziu uma experiência inesquecível para qualquer amante do cinema, repleta de ação, humor, suspense e romance, junto com algumas das cenas mais lembradas da história.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Resenha Crítica | Mamãezinha Querida (1981)

by ALEX GONÇALVES

Mommie Dearest, de Frank Perry
“Mamãezinha Querida” é o título de um dos projetos mais polêmicos a serem realizados nos anos 1980. Este filme, dirigido por Frank Perry e protagonizado por Faye Dunaway, é uma adaptação do livro autobiográfico de Christina Crawford, filha de Joan Crawford – considerada uma das maiores estrelas que Hollywood já produziu. Mas a Crawford de “Mamãezinha Querida”, tanto a do livro de Christina e a do filme de Frank Perry, não é aquela que batalhou desde a adolescência até firmar um contrato de anos com a Metro Goldwyn Mayer. A Joan Crawford daqui é uma mulher amarga e desprezível.
Nos créditos iniciais, vemos Faye Dunaway, que através de um belo trabalho de maquiagem consegue adquirir uma aparência extremamente similar a de Crowford, protagonizando uma longa sequência onde cuida de sua própria aparência e a da sua mansão de forma rígida. Já é um sinal de que será em questão de pouco tempo para vermos um “mostro” surgir. Enquanto não apresenta nenhuma atitude assustadoramente agressiva, Joan Crawford é uma mulher que é grata pelas maravilhas que a cercam, desde a fama e fortuna que lhe são recompensas do seu trabalho como atriz até os amores, sejam dos homens (o ponto de partida do filme já revela que Joan enfrentou dois divórcios, com Douglas Fairbanks Jr. e Franchot Tone) ou dos fãs.
O que falta a ela é uma única coisa que não pode ter: um filho. Embora o processo de adoção seja a princípio um obstáculo para ela, já que enfrentou divórcios e não poderá conciliar as tarefas maternais com as de seu trabalho, não demora para Crawford conseguir uma criança, ao qual batiza de Christina. Na infância, fase na qual é interpretada por Mara Hobel, já é vítima de maus-tratos.
A rigidez de Crawford é aplicada em castigos e até agressões. Alguns, como a punição por causa dos cabides de arame usados por Christina para pendurar no closet os caros vestidos que ganhou, são duros de acompanhar. Nem na fase adulta, quando Christina ganha os contornos da atriz Diana Scarwid, o perverso comportamento de Joan é amenizado, mesmo depois de sua filha adotiva passar por colégios internos e religiosos. Christopher, o segundo filho adotivo da atriz, também passa por poucas e boas.
Embora já se tenha passado 27 anos desde o tempo de produção de “Mamãezinha Querida”, a sua má reputação permanece até hoje. Ainda que não tenha sido um fracasso comercial, já que seu custo de produção foi recuperado no seu primeiro final de semana em exibição nas telas de cinema americano, a crítica não foi nada piedosa com o retrato negativo de Joan Crawford em “Mamãezinha Querida”.
Inclusive, esse foi o filme que iniciou o declínio que assombra até hoje na carreira de Faye Dunaway, antes prestigiada por filmes como “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas”, “Chinatown” e “Rede de Intrigas”. A atriz foi dada como culpada pelo resultado final do filme, especialmente por se propor a dar vida a uma Joan Crawford conforme o retrato desenhado por Christine.
Acima de tudo,  Frank Perry fez um ótimo filme e, mesmo que sejam ignoradas outras coisas, como o fato de Crawford ter adotado mais crianças, muitas coisas estão registradas, desde a sua reação ao ouvir o seu nome anunciado como a vencedora do Oscar por “Almas em Suplício” até a sua união com Alfred Steele, que tinha forte cargo dentro da Pepsi Cola. Ainda assim, o mistério sobre Joan ser uma mulher perversa ou bondosa persiste.
Vale lembrar que até a grande Bette Davis, que contracenou com Crawford em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, defendeu a atriz dos relatos de Christina em seu livro, mesmo que Bette já tenha assumido que não gostava de Joan. No fim das contas, independente de qual conceito adotar sobre Crawford, “Mamãezinha Querida” traz algo que todos sabem e concordam: a imagem que a atriz sempre carregou de grande mito da história do cinema.

terça-feira, 26 de julho de 2016

GRANDES CLÁSSICOS DO CINEMA

Volta e meia surgem ciclos temáticos dentro da história do cinema norte-americano. Iniciando com os monstros da Universal, faroestes dos anos 1940 e 1950, filmes de ficção científica dos anos 1950, a era dos épicos dos anos 1960, o cinema de contra-cultura dos anos 1970, os brucutus do cinema de ação dos anos 1980, e a atual safra de filmes de super-heróis dos anos 2000.
Porém, entre esses temas, um dos mais reverenciados é o noir dos anos 1940 e 1950. Considerado um dos grandes sub-gêneros dos filmes policiais, o noir surgiu na literatura nos 30 e conseguiu ser transposto para o cinema com maestria pelos melhores diretores e roteiristas dos anos 40 e 50. O ScriptLab esmiuçou os principais elementos de um filme noir, sendo eles o contexto, a escuridão, o fatalismo, voz off e flashbacks que nem sempre são necessários, o protagonista falho, e, principalmente, a dama fatal.
Munido dessas informações, elaborei uma lista com os 20 filmes mais importantes e/ou marcantes do gênero em ordem cronológica para quem deseja se aventurar pelo cinema noir. Lembrando sempre que pode haver algum título importante que deixei passar.
19411941 – O Falcão Maltês (The Malthese Falcon)
Escrito e dirigido por John Houston e baseado no livro de Dashiell Hammett, O Falcão Maltês é talvez o mais emblemático entre os filmes noir que ajudou a estabelecer o gênero. Humphrey Bogart é o detetive particular que aceita pegar o caso do desaparecimento da irmã de Mary Astor. Após seu sócio Jerome Cowan aparecer morto, a investigação se desdobra em algo muito maior que envolve uma relíquia rara de valor incalculável.
double_indemnity1944 – Pacto de Sangue (Double Indemnity)
Dirigido por Billy Wilder, este se tornou um dos noir mais memoráveis ao inverter a estrutura do gênero. Fred Macmurray, detetive de uma companhia de seguro, se une a Barbara Stanwick, esposa de um homem rico, na tentativa de assassiná-lo e fraudar a investigação para ficar com o dinheiro.
laura-movie-poster-1944-10201436981944 – Laura (Idem)
Com Vincent Price no elenco, Laura narra a clássica investigação do assassinato da personagem título, interpretada por Gene Tierney, conduzida pelo detetive Dana Andrews, que não só descobre que ela está viva como se apaixona por ela.
lost_weekend_xlg1945 – Farrapo Humano (The Lost Wekeend)
Outro filme dirigido por Billy Wilder, Farrapo Humano é um noir que foge da trama policial ao focar no drama e na condição humana de Ray Milland, um alcoolatra que não consegue largar o vício enquanto tenta ser salvo por Phillip Terry, seu irmão e Jane Wyman, sua namorada, enquanto quase tem um caso com Doris Dowling. Destaque para as cenas do bar com Howard da Silva.
Detour_(poster)1945 – A Curva do Destino (Detour)
Mais um noir de drama, A Curva do Destino apresenta Tom Neal, um músico de jazz que viaja pelos Estados Unidos de carona e assume a identidade do motorista que morreu na sua frente. Após se envolver com Ann Savage, uma mulher que lhe dá outra carona, a relação dos dois termina mal.
big-sleep-movie-poster-19461946 – À Beira do Abismo (The Big Sleep)
Considerados por muitos como um dos melhores filmes noir, À Beira do Abismo é baseado no livro de Raymond Chandler e tem a direção de Howard Hawks. O detetive particular Humphrey Bogart investiga o caso de extorsão contra a filha mais nova de um rico industrial enquanto se envolve com a sua irmã mais velha, Lauren Bacall.
The-Killers-Poster1946 – Assassinos (The Killers)
Baseado em uma história de Ernest Hemingway, a morte do personagem de Burt Lancaster desencadeia uma investigação por parte do detetive de uma agência de seguros, e acaba por revelar como se deu um grande crime no passado e o envolvimento de Lancaster com Ava Gardner.
blue_dahlia1946 – Dália Azul (The Blue Dahlia)
No filme escrito por Raymond Chandler e dirigido por George Marshall, Alan Ladd é um ex-piloto de guerra que se torna o principal suspeito de matar Doris Dowling, sua infiel esposa, que tem um caso com Howard da Silva, o dono da boate Dália Azul. Para provar a sua inocência, tem a ajuda de Veronica Lake, a ex-esposa do dono da boate.
203193021946 – Gilda (Idem)
O filme dirigido por Charles Vidor que consagrou Rita Hayworth é outro noir que foge às tramas policiais. Gleen Ford é um apostador que abandona o vício do jogo e vai trabalhar para o dono de um Cassino em Buenos Aires. A sua vida vira ao avesso ao ver que seu chefe voltou de viagem casado com Rita Hayworth, antigo caso seu.
the-lady-from-shanghai-movie-poster-1948-10204142341947 – A Dama de Shanghai (Lady From Shanghai)
Escrito, dirigido e protagonizado por Orson Welles, se tornou um dos grandes filmes da sua carreira com todos os elementos noir. Welles é um marinheiro que se apaixona por Rita Hayworth e aceita fazer parte da equipe do navio de seu marido, Everett Sloane, acabando por se envolver em uma trama de assassinato.
b70-98961947 – Fuga ao Passado (Out of The Past)
Robert Mitchum está refugiado em uma pequena cidade, até ser encontrado pelo capanga do seu antigo chefe, Kirk Douglas, para acertar as contas sobre um serviço não realizado do passado, que envolvia a bela Jane Greer e uma alta quantidade de dinheiro. Participação de Rhonda Fleming.
Francesco-Francavilla-The-Third-Man-Movie-Poster-20151949 – O Terceiro Homem (The Third Man)
Outro grande noir sobre espionagem na Europa pós-Segunda Guerra Mundial. Dirigido por Carol Reed, Joseph Cotten é um escritor americano que chega a Viena para encontrar um antigo amigo, interpretado magistralmente porOrson Welles, que foi dado como morto e tenta por todos os meios continuar assim.
sunset-boulevard-movie-poster-1950-10201427051950 – Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard)
Outra direção de Billy Wilder, Crepúsculo dos Deuses é um dos filmes mais marcantes da história do cinema fazendo referência à própria indústria em um grande noir de drama humano. William Holden é contratado para reescrever o roteiro de um filme por Gloria Swanson, em uma interpretação memorável como uma ex-estrela do cinema mudo que caiu no ostracismo. Participação memorável de Cecil B. DeMille e Buster Keaton como eles mesmos, além de Erick von Stroheim.
InaLonelyPlace_US_30x401950 – No Silêncio da Noite (In A Lonely Place)
Uma mistura de policial e drama, Humphrey Bogart é um roteirista violento que vive no mundo de glamour de Hollywood. Suspeito de assassinato, ele é inocentado por sua vizinha, Gloria Grahame, e os dois acabam se envolvendo até que a sua difícil personalidade complica a relação.
the-asphalt-jungle-movie-poster-1950-10201909451950 – O Segredo das Joias (The Asphalt Jungle)
Em outro filme dirigido por John Houston e com Marilyn Monroe fazendo uma pequena participação, O Segredo das Joias é o típico filme de assalto onde se mostram todas as etapas de preparação, além do roubo. Conduzido pela mente criminosa do recém-saído da prisão Sam Jaffe, conta com Sterling Hayden no elenco.
cry-danger-movie1951 – Golpe do Destino (Cry Danger)
Nesta obra dirigida por Robert Parish, Dick Powell vive um homem inocente que sai da prisão perpétua após uma testemunha ajudá-lo com um álibi, mas que na verdade quer informações sobre um assalto que Powell não cometeu. Durante a vingança contra quem o colocou na cadeia, tentam incriminá-lo novamente enquanto se envolve com a belaRhonda Fleming.
1953 - The Big Heat 21953 – Os Corruptos (The Big Heat)
Em outro grande noir, Os Corruptos é dirigido por Fritz Lang e conta a história de Gleen Ford, um detetive que ao investigar a morte de um colega se vê lidando com criminosos que comandam o próprio departamento de polícia, sendo um deles Lee Marvin. Após ter a sua família assassinada, ele busca justiça ao lado de Gloria Grahame.
killing_xlg1956 – O Grande Golpe (The Killing)
O Grande Golpe é outro dos filmes noir diferentes. O terceiro longa-metragem dirigido por Stanley Kubrick é o típico filme de assalto que lembra bastante a estrutura de O Segredo das Joias. Um bando de vigaristas é liderado também por um ex-presidiário, Sterling Hayden, que planeja um grande assalto durante uma corrida de cavalo.
large_i2gJBlr01BZiZb5b5TOJudc4nv61958 – A Marca da Maldade (Touch of Evil)
O filme que tem a melhor cena de abertura da história do cinema, A Marca da Maldade, dirigido por Orson Welles, é também o último dos filmes noir. Charlton Heston e Janet Leigh são um casal composto por um mexicano e uma americana que vivem na perigosa fronteira entre os dois países, em uma perigosa investigação conduzida por Wellessobre uma bomba que explodiu um carro.
film-noir-chinatown-1974-movie-poster-via-professormortis-wordpress1974 – Chinatown (Idem)
Considerado pós-noir, o filme dirigido por Roman Polanski é uma homenagem aos filmes de 20 e 30 anos anteriores, com todos os elementos do noir, inclusive com a presença de John Houston. Jack Nicholson é um detetive particular que investiga o caso de uma mulher traída, e que acaba se revelando algo muito maior. Com a ajuda de Faye Dunaway, ele enfrenta uma trama política e de assassinato sobre a seca na Califórnia. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A Felicidade Não Se Compra – 1946 (Resenha)

Como é possível um filme de 1946 ser absurdamente atual em 2016? Como é possível um filme sem nenhuma complexidade técnica passar uma mensagem extremamente mais forte e cativante do que filmes que custam milhões de dólares? Como é possível que um filme desses tenha sido assistido por uma GIGANTE minoria da população mundial? As perguntas não terminam mais…
– Estranho como a vida de um homem toca tantas outras.
– Se alguém não existe, deixa um buraco horrível.
Frank Capra, diretor do longa, já havia feito sucesso com filmes anteriores como A Mulher Faz o Homem (1939), Aconteceu Naquela Noite (1934) – vencedor de 5 Oscars – e Esse Mundo é um Hospício (1944). Porém, sem deixar a peteca cair, em 1949 o diretor consegue trazer mais uma obra de arte para as telas, se não a maior de todas: It’s a Wonderful Life ou, no título brasileiro que acertou, A Felicidade Não Se Compra.
Protagonizado por James Stewart (o “mascote” de Alfred Hitchcock que atuou em Janela Indiscreta e Um Corpo Que Cai, além de outros grandes filmes) vivendo o sonhador George Bailey, a história é extremamente envolvente, do início ao fim. Além, é claro, de contar com a belíssima Donna Reed (A Um Passo da Eternidade) que interpretou a simpática Mary Hatch.
George Bailey é o nosso herói, sim, na clássica concepção da “lenda do herói” ele está alí, representando uma espécie de “conto de natal” diferente do comum, onde vemos um personagem entrando em completo desespero e pedindo ao seu anjo da guarda para que nunca tivesse nascido.
Calma, vamos voltar ao início do filme, quando Bailey é, ainda, um pequeno menino com grandes sonhos, o mais evidente, conseguir seu primeiro milhão de dólares. Desde cedo, percebemos a força de vontade do garoto que trabalha fielmente com Mr. Gower (H.B. Warner) na loja de doces e, com o passar dos anos, não vê a hora de deixar a pequena cidade onde mora para crescer na vida.
Infelizmente, para George Bailey, o destino não deixou que isso acontecesse. Seu pai, homem comum e dono de um banco incomum (que empresta dinheiro e não cobra juros) falece logo antes de seu filho trilhar o caminho rumo a vida adulta, deixando para George toda a responsabilidade da empresa. Ao lado de seu tio Billy, ele aceita deixar de lado os seus sonhos para manter o legado de seu pai na cidade e, com todo o esforço possível, consegue deixar o banco estável por um tempo.
Mesmo que não fosse o seu desejo ficar nessa cidade, é aqui que o protagonista faz sua vida. Casa com Mary Hatch, sua amiga de infância, cria seus filhos e faz grandes amizades. Mas, com o passar do tempo, a empresa começa a se desestabilizar e todos os problemas vêm à tona. Para piorar, Mr. Potter (Lionel Barrymore) – o homem mais rico e poderoso da região – faz de tudo para que isso aconteça.
É aqui que George começa a enlouquecer, na noite de natal ele está tendo o pior dia de sua vida. Como vai dar conta da sua família sem o emprego? Como vai ser se ele for preso? Por que ele aceitou trocar sua vida de sucesso por uma vida medíocre naquela cidade com a esperança de que tudo isso pudesse acontecer? Por que ele foi tão estúpido?
Sem pensar muito, George resolve se matar e vai até a ponte mais próxima. É a partir daqui que o filme de Capra começa a fazer todo o sentido e percebemos que estamos assistindo a um dos melhores longas já realizados. Nosso protagonista encontra Clarence (Henry Travers), um anjo de segunda classe que aparece para salvá-lo. E qual jeito melhor de salvar alguém à beira do suicídio do que mostrando como o mundo seria sem ele? O que teria acontecido com Mr. Gower? Com sua mãe? Com sua mulher? Com todas as pessoas que ele ajudou durante toda a sua vida?
O roteiro do filme é brilhante, uma vez que joga cenas – a princípio desnecessárias, como o afogamento do irmão de George ainda criança, ou quando Mr. Gower troca os remédios de uma menina por veneno, acidentalmente – para, no final, trazer tudo isso novamente de uma forma magistral.
A fotografia em preto e branco é bela, digna de montar um quadro com qualquer frame do filme, assim como a trilha sonora de Dimitri Tiomkin, que parece ter sido feita para escutar no natal, enquanto reunimos a família para a tão esperada ceia. Ta aí: por que não fazer desse filme um ritual para todos os natais?
Como eu já disse, o impacto emocional da obra é algo surpreendente, algo que todos devem sentir. O mais incrível é pensar que A Felicidade Não Se Compra nunca envelheceu nesses seus mais de 70 anos, pelo contrário, ele está ainda melhor e mais atual.
Se você ainda não assistiu, é a sua vez. Tenho certeza que quando acabar, vai pensar “por que eu não assisti isso antes?”.
9.1ÓTIMO