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domingo, 25 de outubro de 2015

Morte Súbita (Resenha)

Que Joanne Kathleen Rowling é uma escritora genial, todo mundo sabe desde Harry Potter. Porém, em Morte Súbita (The Casual Vacancy, na versão inglesa), ela mostra que também sabe escrever de maneira pesada, séria e até mesmo mórbida.
O romance adulto de 500 páginas conta a história dos moradores de Pagford. A pequena cidade fictícia passa por uma mudança enorme quando Barry Fairbrother, um dos mais influentes membros do conselho, falece. Barry era conhecido pela defesa do bairro pobre de Pagford e de sua permanência como parte do distrito, enquanto Howard Mollison fazia parte da oposição, que queria acabar com a clínica de reabilitação para os dependentes químicos e manter a cidade elitista. A morte de Barry deixa uma vaga nesse conselho, iniciando uma grande disputa política.
Ao longo da trama, J.K. nos apresenta vários núcleos familiares, que acabam se conectando de alguma forma. Além da luta das classes, temos dramas pessoais destrinchados e desmiuçados de maneira muito verídica e sedutora. Logo descobrimos que Barry não era lá esse grande exemplo a ser seguido e – assim como o resto dos personagens – guardava alguns segredos.
Morte Súbita é um livro que soa real, com personagens que exalam uma humanidade muito característica. A autora usou uma linguagem extremamente descritiva, informando aos leitores cada detalhe de cada coisa, justamente para construir essa narrativa verdadeira e crível. Confesso que pode ser meio difícil se acostumar com o ritmo, mas quando isso acontece, a leitura torna-se viciante e incessante.
Provando que é mais do que uma escritora que levou sorte em uma série infantil, J.K. entrega uma história densa, com fortes críticas a sociedade, escura, muito realista e com um final acidamente depressivo e cruel. Pela quantidade de páginas, personagens e plots secundários, pode ser cansativo. Porém, se você gosta de dramas familiares e romances adultos contemporâneos, Morte Súbita é obrigatório.
Recentemente, a obra foi adaptada para a telinha em formato de minissérie de três episódios pela BBC. Por falta de tempo, ainda não assisti. Em todo caso, fica aí o trailer para quem quiser dar uma espiadinha.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

LIVRO: Sagrado (Resenha) de Dennis Lehane

Sagrado (Companhia das Letras, 2004) é o terceiro livro de Dennis Lehane que tem os detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro como protagonistas, tendo sido publicado em 1997. Quando li Paciente 67, há quase um ano, decidi que iria encarar o resto da bibliografia de Lehane. A maioria dos romances dele tem Patrick e Angie como personagens principais.
A obra em questão começa a todo vapor quando Patrick e Angie são sequestrados e obrigados a ouvir ao pedido do misterioso e milionário Trevor Stone. “A dor é carnívora”, diz ele enquanto pede aos seus reféns que o ajudem a encontrar sua filha desaparecida, Desiree Stone, antes que o câncer o coma vivo. O grande problema é que a dupla Kenzie-Gennaro não fora a primeira escolha de Trevor. Jay Becker, lendário detetive de Boston e patrono de Patrick, foi enviado na mesma missão e também desaparecera. Movidos por razões pessoais e pela grande quantidade de dinheiro que Trevor os oferece, os detetives caem na estrada em direção a Tampa, na Flórida, seguindo pistas do paradeiro da bela e trágica Desiree.
O primeiro aspecto interessante do livro é o estado psicológico de Angie. Na história que precede Sagrado, a detetive é baleada e tem seu ex-marido assassinado por um serial killer. Sua tentativa de cura interna é um processo lento, do qual Patrick tem um papel fundamental. A química e a interação dos dois nunca esteve tão forte, nos mostrando que o autor conhece muitíssimo bem seus personagens e sabe como desenvolvê-los de maneira interessante.
O caso não trouxe nada de novo. Apesar de muito bem estruturada e muito bem contada, a história – sobre vingança, ódio e caos familiar – não consegue nos envolver da maneira como os dois primeiros volumes o fizeram. Com seus plot twists, que aqui começam a despontar como uma característica pessoal de Lehane, Sagrado consegue fazer o leitor prender a respiração de tempos em tempos, descrevendo sequências de ação alucinantes – com direito a perseguição tripla de carros e uma competição mortal de montagem de pistolas.
Patrick, Angie e suas personalidades incríveis continuam sendo o maior atrativo dos livros, assim como a escrita fluente e sedutora de Lehane. Mesmo nas partes menos interessantes, o autor consegue te segurar nas páginas até que os bons momentos realmente cheguem. Leitura rápida, descritiva – principalmente no que diz relação a cidade de Boston – e gratificante. Mal posso esperar para ler o próximo

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Livro: Maze Runner - Correr ou Morrer de James Dashner


Ano de Lançamento: 2010
Número de Páginas: 426 páginas
Editora: Vergara e Riba
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, a única coisa que Thomas consegue lembrar é de seu nome. Sua memória está completamente apagada. Mas ele não está sozinho. Quando a caixa metálica chega a seu destino e as portas se abrem, Thomas se vê rodeado por garotos que o acolhem e o apresentam "A Clareira", um espaço aberto cercado por muros gigantescos. Assim como Thomas, nenhum deles sabe como foi parar ali, nem por quê. Sabem apenas que todas as manhãs as portas de pedra do Labirinto que os cerca se abrem, e, à noite, se fecham. E que a cada trinta dias um novo garoto é entregue pelo elevador. Porém, um fato altera de forma radical a rotina do lugar - chega uma garota, a primeira enviada à Clareira. E mais surpreendente ainda é a mensagem que ela traz consigo. Thomas será mais importante do que imagina, mas para isso terá de descobrir os sombrios segredos guardados em sua mente e correr... correr muito. 
Imagine acordar e não se lembrar de nada além de seu nome. Agora, imagine acordar em um elevador em movimento, escuro e acabar rodeado por garotos, num lugar que eles chamam de Clareira. Que mértila seria.Oooopsss. Viciei na linguagem do livro. =) Imagine o plong que seria você acordar sem saber de nada além de seu nome, rodeado por caras de mértila? Brincadeiras a parte com a linguagem, essas são algumas expressões que você encontra no livro.

Somos apresentados a Thomas, o personagem principal. A história do livro se passa praticamente toda neste lugar em que chamam de Clareira, um lugar rodeado por muros imensos e inimagináveis, com quatro imensas portas. Todos os habitantes desse lugar são apenas garotos, que não sabem porque foram parar lá e que não se lembram nada de sua vida anterior além de seus nomes. Todos eles tem uma função e um trabalho, como ser Aguadeiro,Corredor, trabalhar no Sangradouro. Mas suas preocupações são ainda maiores. Eles tentam desvendar o mistério sobre o Labirinto (que fica além das muralhas), tentando achar uma saída.

De noite, as quatro portas da Clareira são fechadas e  monstros horrendos, chamados de Verdugos, saem de suas tocas. Não queira estar preso dentro do Labirinto de noite, pois se você for picado por um deles, e conseguir sobreviver, vai passar por uma horrível Transformação. Mas não para por aí. Tudo muda quando chega à Clareirauma garota com uma estranha mensagem. Nunca havia chegado pelo elevador uma garota. E agora?  Ok, paro por aqui com a história, não quero estragar as surpresas do livro. 
  
Primeiramente tenho que elogiar muito a narrativa de James Dashner. Com uma ótima fluência e um texto ágil,Dashner nos envolve na trama, cheia de ação e suspense. A tensão faz parte de cada linha do livro e sentimo-nos dentro da Clareira junto a Thomas. INCRÍVEL. Tanto que favoritei o livro. Além disso precisa de mais motivos pra ler o livro?
O final é surpreendente! Em nenhum momento eu esperava um final como esse. Leiam, eu recomendo! Um dos melhores livros juvenis que eu já li.

sábado, 19 de setembro de 2015

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares de Ransom Riggs

ISBN: 9788580442670
Série: Srta. Peregrine, vol. 1
Tradução: Edmundo Barreiro e Márcia Blasques
Ano de Lançamento: 2012
Número de Páginas: 336
Editora: Leya
Classificação: ♥♥♥♥ 
Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. 

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo.” – Prólogo. 

A primeira coisa que me atraiu nesse livro foi a belíssima arte gráfica e seu estilo de livro antigo. A capa e a contracapa, em tom sépia, tem um toque sobrenatural que remete aos filmes de terror sobre construções assombradas, lugarejos onde se ocultam antigos e sinistros segredos de família, e filmes noir de mistério e terror dos anos 1950. Adorei também as páginas com arabescos iniciando os capítulos e as fotografias em preto e branco ilustrando situações narradas no livro, colocadas em pontos estratégicos pelo autor para aguçar a nossa curiosidade, ou provocar aquela sensação de desconforto que antecede um momento de susto. Segundo o autor, as fotos são reais, emprestadas de amigos colecionadores de fotografias antigas. Simplesmente, maravilhoso. Só por esses aspectos, o livro merece ser lido.



Ransom Riggs nasceu na Flórida, Estados Unidos, e formou-se em cinema e TV pela Universidade do Sul da Califórnia, onde vive atualmente. Como cineasta, realizou vários curtas-metragens; nas horas vagas, é blogueiro e repórter especializado em viagens. Seu primeiro romance, O Orfanado da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, tornou-se rapidamente um sucesso de público e crítica.



A ideia inicial de Ransom Riggs para o livro era fazer um livro de fotografias antigas, pitorescas, que, assumindo uma determinada sequência, contariam uma história visual. A partir daí, Riggs teve a feliz ideia de criar uma narrativa e usar as fotografias para ilustrar a história. O resultado pode ser visto no livro, que também já foi adaptado para o cinema pela Fox, com direção de nada mais nada menos que o mago dos filmes góticos, Tim Burton. O filme tem estreia prevista para março de 2016.


“Será que era isso que meu avô queria que eu encontrasse? É, só pode ser – não as cartas de Emerson, mas uma carta guardada dentro do livro de Emerson. Mas quem era essa diretora escolar, essa Alma Peregrine?” – pág.59

Da minha parte, aguardo com ansiedade por esse filme, pois, além de ter gostado muito do livro, adoro o trabalho de Tim Burton. E com ele na direção do filme, pode-se esperar um ótimo filme. Quanto ao livro, adorei a forma como o autor escreve. Ele é um escritor jovem, porém muito talentoso, que promete muitos anos de ótimas surpresas para nós. Possui uma escrita gostosa de ler, com narrativa limpa e objetiva, sem excessos, chavões ou exageros linguísticos. Seus personagens são igualmente atraentes, que nos atraem para dentro do livro e tecem uma trama que nos mantêm presos da primeira à última página.


E tal narrativa fica ainda mais interessante, e contagiosa, ilustrada pelas fotografias em preto e branco que encontramos no livro. Algumas são bizarras; outras, poéticas; uma meia dúzia delas são assombrosas; e algumas me deram a sensação de algo atemporal, como que a evocar um acontecimento há muito perdido no tempo, ou retido em um limbo de coisas inimagináveis. Essas fotos mexeram com o meu imaginário de uma tal forma que, a medida em que ia lendo e vislumbrando essas fotografias, era como se eu estivesse tendo duas histórias diante dos olhos: a escrita, contada pela ótica de Jacob, o adolescente, e a visual, reveladas pelas imagens estáticas. Ambas as narrativas parecem formar dois mundos distintos, porém contíguos, que se entrelaçam no decorrer da leitura.

“Mas o que eu realmente achei assustador não foram as bonecas zumbis ou os cortes de cabelo estranhos das crianças ou como elas pareciam não sorrir nunca: quanto mais examinava as fotos, mais familiares me pareciam.” - pág.106

Tem duas fotografias no livro que eu achei as mais perturbadoras de todas. Uma está na página 178, onde aparece uma mulher com os cabelos desgrenhados segurando uma galinha nos braços com um olhar que parece querer hipnotizar a gente; a outra foto está na página 48: mostra uma menininha fazendo contorcionismo, a espinha dobrada de tal maneira que a cabeça dela aparece por entre as pernas abertas, como se a cabeça da menina estivesse saindo do corpo de uma outra. Isso é bem sinistro e bizarro. A garota parece ter saído de um filme deGuilhermo Del Toro.



O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares é uma obra muito peculiar, sem dúvida alguma. Inquietante, tenso, misterioso e sinistro, também, mas nada que faça você perder o seu sono. A narrativa de Riggs nos convida a viajar por um mundo que parece feito de sonho, onde nem tudo o que parece ser é, de fato, o que parece ser. Jacob, o protagonista, após a morte do avô, nos leva para uma jornada repleta de situações e personagens que não nos deixam desgrudar do livro um só instante.

“O etéreo usou duas de suas línguas para se agarrar às paredes da entrada do túnel e usá-las como apoio para evitar a lama, e cobriu a entrada com o corpo como se fosse a tampa de um vidro. A terceira língua me puxava em sua direção. Eu estava igual a um peixe fisgado por um anzol.” - pág.287

Adorei as personagens, a narrativa, as fotografias, a edição maravilhosa e a composição gráfica do livro, seu toque sobrenatural e o mistério envolvendo a srta. Peregrine, seu orfanato e as crianças que lá viviam. Ransom Riggs é um ótimo contador de histórias, e sua narrativa juvenil vai agradar em cheio os leitores de todas as idades.

Para quem está procurando um livro com um ótimo mistério, bom suspense sobrenatural, um visual gótico e sombrio, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é uma excelente opção. Recomendo!

Doce Relíquia Mortal de Nora Roberts

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788580413779
Série: Mortal, vol. 20
Tradução: Renato Motta
Ano de Lançamento: 2015
Número de Páginas: 532
Editora: Bertrand Brasil
Classificação: ♥♥♥♥ 
Laine Tavish é a conhecida dona da Doce Relíquia, uma encantadora loja de antiguidades. Seus clientes, no entanto, nem imaginam que ela é filha de um trapaceiro conhecido pela polícia e que cresceu como uma fora da lei, sempre se mudando de cidade. Mas o passado de Laine acaba por alcançá-la. Seu tio há muitos anos desaparecido visita a Doce Relíquia e deixa um misterioso alerta antes de morrer atropelado por um carro. Logo em seguida, a casa de Laine é saqueada. Agora, as respostas sobre quem a persegue – e por quê – precisam ser encontradas por ela e pelo enigmático e atraente Max Gannon. E uma fortuna em diamantes roubados e desaparecidos faz parte desse mistério. Décadas depois, na Nova York do ano 2059, uma boa parte do velho tesouro que Laine e Max tanto buscaram continua sumida. Mas agora há mais alguém à procura dos diamantes; uma pessoa disposta a matar por eles.

Nora Roberts é uma autora estadunidense de renome internacional, com cerca de 200 romances editados em diversas línguas ao redor do mundo. Nora nasceu Eleanor Marie Robertson, em 1950, na cidade de Silver Spring, no estado de Maryland, Estados Unidos. Ela também adotou o pseudônimo de J. D. Robb na série Mortal, a qual écomposta por mais de vinte livros já publicados, inclusive pela Bertrand Brasil. Nora também assina pela pseudônimos de Jill March Sarah Hardesty, com obras publicadas no Reino Unido, Inglaterra. Ela começou a escrever em 1979, para matar o tempo, mas só dois anos depois, em 1981, que ela conseguiu publicar seu primeiro romance: Irish Thoroughbred, com o pseudônimo de Nora Roberts. Posteriormente, Nora publicou 23 livros entre os anos de 1982 e 1984, porém o sucesso só viriam em 1985 com a publicação de Playing the Odds, da série McGregor. E a partir daí o sucesso de Nora Roberts nunca mais parou.

Atualmente a série Mortal conta com 50 livros já publicados nos Estados Unidos. A série foi iniciada em 1995, com o lançamento de Naked in Death. O quinquagésimo livro editado neste ano é Obssession in DeathRemember When, ou Doce Relíquia, argumento desta resenha, é o vigésimo livro da série Mortal publicado em 2003. E acreditem, é o primeiro livro que leio da Nora. E minha impressão, de forma geral, foi positiva.

Nesta série assinada por J.D. Robb, acompanhamos as investigações criminais de Eve Dallas e sua convivência com o marido Roarke, CEO das Indústrias Roarke, no  ano de 2050. Isso porque todas as histórias são ambientadas na cidade de Nova York, no futuro, após um conturbado período de guerras urbanas evidenciado nas décadas anteriores.

Doce Relíquia é dividido em duas partes. A primeira parte se passa no início dos anos 2000, e conta a história deLaine Tavish, dona da Doce Relíquia, uma lojinha de antiguidades em Angel's Gap, no Maryland. Conta a história de Laine e seu passado conturbado na companhia do pai trambiqueiro e golpista, Jack O'Hara que, em companhia de seu irmão Willy e mais outro comparsa, roubam uma importante joalheria de Nova York. Como já mencionado na sinopse, Laine vai acabar se envolvendo com esse roubo por acaso, já que ela deixou a sua vida de infância para trás ao ir embora de casa com a mãe. Muitos anos depois, com um novo nome e uma vida nova, a vida criminosa do pai vêm à tona num encontro inesperado com o tio Willy. A partir daí a vida de Laine vira de pernas pro ar, arrastando-a numa caçada para encontrar uma fortuna de quase 30 milhões de dólares em diamantes. A essa caçada se juntaMax Gannon, um investigador particular contratado para achar os diamantes roubados. E como as coisas não são como sempre deveriam ser, um mar de flores, às atribulações de Laine somam-se ainda um inescrupuloso assassino que fará de tudo para pôr as mãos nos diamantes.

A segunda parte do livro se passa em 2059, onde encontramos Samantha Gannon, neta de Laine e Max, ainda vivos, que se tornou uma escritora de romances bem-sucedida que escreveu um livro contando a saga dos avós e os diamantes desaparecidos. Da noite para o dia, quando Samantha retorna de uma viagem de lançamento de um livro, ela se depara com um crime hediondo. Eve Dallas entra em cena para investigar a morte, enquanto outros corpos vão surgindo, todos, aparentemente, relacionados aos diamantes desaparecidos.

Das duas partes do livro, gostei muito dessa segunda parte, que a meu ver mereceu as quatro estrelas. A primeira parte ficou um pouco a desejar, principalmente no quesito investigação policial. J.D. Robb privilegia, na primeira parte, o relacionamento conturbado de Laine com o seu passado, ou seja, Jack O'Hara, e seu interesse num relacionamento amoroso com Max. A interação com Max coloca os diamantes desaparecido em segundo plano, e assim o suspense investigativo acaba relegado à segunda parte do livro.

A narrativa é fácil e ágil, com boas descrições das personagens e situações. É um livro gostoso de ler, podendo ser lido de um só fôlego. Tem alguns momentos entediantes entre Laine e Max, mas isso não atrapalha a leitura em geral. Laine e Max são personagens simpáticos aos olhos do leitor, mas eu, particularmente, gostei mais de Eve Dallas, apesar do seu jeito de durona.

Em suma, Doce Relíquia Mortal é um bom romance que vai agradar os fãs da série Mortal. Para os que ainda não leram absolutamente nada dessa série (assim como eu), mas já são leitores de Nora Roberts, o livro é indispensável. E para os leitores que gostam de um bom thriller policial, ainda mais com um toque futurista, Doce Relíquia Mortal é uma ótima opção. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FILME: SEGREDOS DE SANGUE - STOKER



- Ele costumava dizer que as vezes a gente deve fazer uma coisa ruim para impedir que façamos uma coisa ainda pior.

O diretor Chan-wook Park ficou mundialmente famoso depois de lançar sua "trilogia da vingança". Em especial depois do capítulo do meio, Oldboy (que deve ser lançado em versão americanizada pelas mãos de Spike Lee). O que ele foi capaz de fazer, foi um filme que tinha um visual muito interessante, melodrama e muita violência. Em especial, um tipo de violência que não se vê em filmes rodados na terra do Tio Sam.
Em seu primeiro filme, não esperava que ele conseguisse manter tanto das qualidades que o levaram e ficar famoso internacionalmente. Logo na primeira metade do filme, o que sentimos é uma espécie de medo que apenas antecipa o que está por vir. O mundo de Park, tem cores dessaturadas, peles pálidas, movimentos de câmera lentos e uma atmosfera assustadora. É este o mundo da personagem India (Mia Wasikowska.
India é uma adolescente introspectiva e solitária que perde seu pai quando está fazendo seus 18 anos em um bizarro acidente de carro. Ela mora em uma casa enorme junto de sua mãe, Eve (Nicole Kidman), que não a toca. Nada pessoal, é apenas que India não gosta de ser tocada por ninguém. O humor da jovem vai ficando ainda pior com a chegada de seu tio, Charlie (Metthew Goode), que ela sequer sabia que existia.
Difícil imaginar que ela fosse muito melhor antes da morte de seu pai, já que quase ninguém no colégio sequer fala com ela. Ela é um tanto instável com mudanças de humor. Pode ter piorado pela morte do pai ou não, mas com certeza é a presença de seu tio que a deixa ainda mais instável. Em especial por: 1. tentar manter uma relação com ela, coisa que não gosta (provavelmente seu pai era o único que interagia com ela); e 2. começar a ter uma relação com sua mãe, o que a deixa enojada. Ele parece ler a mente da jovem em alguns momentos, mas não estamos diante de um filme sobrenatural. A verdade é muito mais assustadora.
Aos poucos, o diretor vai soltando importantes informações sobre os personagens e sobre a própria história. As vezes são revelações impressionantes, outras um tanto quanto decepcionantes. A aurea de mistério que se formou ao redor de India começa a se dissipar, e o filme começa a focar agora no personagem de Charlie, que começa a ser dissecado em uma história bizarra que envolve mortes e loucura.
Ainda que o filme possa caminhar de forma que pareça boba, há muito mais por trás de tudo isso. E somente faz com que o final seja muito bom apesar de um pouco irregular em seu desenvolvimento. Ele (o diretor) pode não ser um mestre do suspense, como Hitchcock, mas com certeza consegue segurar a tensão dando eventuais choques na plateia de tempo em tempo, choques quase cronometrados. Eu poderia falar agora toda a verdade sobre Charlie, e ainda assim não seria capaz de estragar a surpresa dos eventos da forma como vão decorrer.
Claro que em termos de violência, o diretor não pode manter o nível do que fez em seus filmes anteriores, mas a crueldade de seus personagens continua a mesma. Toda a maldade que se pode ver no mundo, continua lá. E em especial, a construção de um personagem interessante está lá. E essa personagem é India, que continua mantendo uma média de excelentes interpretações que marcam seus personagens. Apoiada por uma Kidman competente como sempre, mas em especial por um Goode que mostra que é um ator fantástico quando quer. Um elenco de peso que mantém o interesse do filme do início ao fim

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Cinco Dias de Doriedson Santos

ISBN: 978-85-8013-021-8
Páginas: 128
Editora: Schoba
Pontuação: ♥ ♥ ♥  
Um homem preso em uma cidade, perturbado pelas sombras do seu passado, por um relacionamento fracassado. Em busca de respostas não apenas para seus conflitos, mas também para as mortes que estão ocorrendo ao seu redor. Será preciso solucionar um problema para tentar solucionar outro. Descubra junto deste estranho viajante qual é o mistério que envolve Coonwalt. é preciso descobrir o que está acontecendo, e quem está envolvido, pois o tempo se esgota rapidamente. SÃO APENAS CINCO DIAS. 

A primeira coisa que me chamou atenção nesse livro foi a capaVocês sabem eu amo capas. Bom, claro que eu não julgo um livro apenas pela capa. Na verdade é todo um conjunto de coisas que define se um livro é bom ou não. Mas tudo bem, a capa me chamou a atenção! Eu gostei muito do ar de mistério que a capa mostra. Aí depois eu li a sinopse, a mesma que está aí em cima, e já me empolguei. Afinal, adoro livros de terror e suspense. 

Então quando comecei a ler o livro ele não me decepcionou.  Logo de inicio o livro já começa como num filme. Aliás, deixa eu comentar uma cosa que eu adorei no livro: ele me lembrou um filme. Não vou dizer que ele é cheio de ação e de sangue, se você espera ver isso no livro, porque não tem. Não é um livro de terror, é um livro de suspense. Na verdade, o clima que o livro transmite me lembrou o clima de filme.
Deixando isso bem claro, continuo, então, minha resenha. O livro é curto, tem apenas 128 páginas, o que eu achei uma pena, pois poderia ter mais umas 300 e eu não ligariaDoriedison Santos escreveu uma história gostosa e leve de lerEu li super rápido. Você devora o livro e ainda quer mais. 

Como eu já mencionei anteriormente, eu adoro R. L. Stine, e uma série que eu gostava muito dele era o A Rua do Medo5 Dias me lembrou alguns dos livros de R. L. Stine, com um clima de suspense e agonia, super gostosos de prestigiar. Sua narrativa é ágil e constante, o que contribuem para a facilidade de leitura.
Só o nível de suspense que eu achei fraco, eu já sabia quem era o culpado logo de cara. Fora isso o livro é show! Em resumo eu gostei muito do livro. E pra quem gosta, assim como eu, e um suspense gostoso de ler, este livro vale muito a pena. 

Livro: A conspiração Colombo de Steve Berry

Livro cedido pela editora
ISBN: 978-85-01-40380-3
Tradução: Michele Gerhardt
Ano: 2014
Páginas: 602
Editora: Record
Classificação:  ♥♥♥♥
A vida e a história de Cristóvão Colombo permanecem um mistério. O famoso navegador, conhecido por ter descoberto a América, nunca deixou muitos registros sobre os seus feitos, o que sempre levantou suspeitas. Mas e se tudo o que sabemos sobre o descobrimento da América for uma mentira? E se essa mentira foi planejada para esconder o verdadeiro motivo pelo qual Colombo partiu em seu navio, em 1492? E se esse segredo guardado há mais de quinhentos anos for capaz de reformular todo o cenário político moderno? Nesta nova aventura, Steve Berry redescobre os segredos por trás dessas perguntas e revela ao mundo um tesouro há muito tempo perdido. 

Steve Berry é sempre sinônimo de boa leitura. A cada ano o autor vem se destacando mundialmente com bons lançamentos no mercado editorial. Seus dois primeiros livros, A Sala de Âmbar e a A Profecia Romanov, tornaram-se best-sellers mundiais em curtíssimo tempo, abrindo espaço para que o autor tornar-se mundialmente conhecido. Me admira que o mesmo ainda não tenha sido objeto de interessa por parte de Hollywood, pois as histórias que ele escreve são sempre recheadas e pontuadas de muito mistério, ação, aventura, suspense e muito, mas muito embasamento histórico. Ler os livros de Berry é como viajar no tempo.

O autor é tão minucioso nas pesquisas para os seus livros (a maioria delas em companhia de sua esposa) que o mesmo faz questão de visitar pessoalmente cada localidade em que se passou os fatos históricos narrados em seus livros. Na maioria das vezes, para não dizer sempre, o autor é fiel a "verdadeira história" por trás da história oficial. Em seus livros, Berry está sempre desmistificando algum fato ou personalidade histórica.

Desta forma, percebe-se logo que Steve Berry, aqui mesmo no Brasil, já consolidou uma legião de fãs, na qual eu me incluo também. Isso por que A Conspiração Colombo não é o primeiro livro do autor que leio. Tenho todos os livros já lançados pela Editora Record, dos quais já li: A Sala de ÂmbarA Profecia RomanovO Terceiro SegredoA Busca de Carlos Magno e Traição em Veneza (que não resenhei aqui no blog). Destes, os três primeiros são os meus preferidos do autor, e os considero as obras-primas de Steve Berry. E dos três, sem dúvida alguma, A Profecia Romanov é o melhor.

Quanto ao livro A Conspiração Colombo segue o estilo aventura-mistério que consagrou Steve Berry. E ao contrário do que disse o The Washington Post, na capa do livro, que esse é “o melhor livro de Steve Berry até agora”, eu, particularmente, não concordo. Ainda não li, como disse acima, todos os livros do autor para tecer um comparativo exato de qual livro dele é melhor. Seja como for, para mim, sem dúvida alguma, é A Profecia Romanov. E ponto. A Conspiração Colombo é um ótimo livro, ponto. Mas, ainda assim, não supera os livros que já li do autor.

Cristóvão Colombo tornou-se uma lenda. Em A Conspiração ColomboSteve Berry não trata apenas de desmistificar Colombo. Ele o coloca em seu devido lugar, mostrando como de fato aconteceu a descoberta do Novo MundoSteve Berry desnuda a lenda e a torna tão humana quanto qualquer outra pessoa que viveu a época do descobrimento, em 1492. Os detalhes históricos, os verdadeiros, retratando a descoberta do continente americano, a vida de Colombo, seu verdadeiro nome, sua família, seus amigos e inimigos, é aqui revelados em detalhes e considero-os bem interessantes.

Mas não é só de Colombo que o livro trata. Não. O autor também nos leva por várias localidades do mundo, como a JamaicaCuba, VienaPraga entre outras, para contar a sua história. História essa que também tem a ver com a diáspora judaica ao longo de vários séculos, suas relíquias e a retomada do Estado Judáico na atual Israel.

E para ilustrar essa aventura ao redor do mundo, em busca dos segredos ocultos por Cristóvão Colombo, que afeta diretamente o povo judeu, Steve Berry criou uma dezena de personagens interessantes, cujos caminhos acabam se cruzando fatalmente e tornando a leitura ainda mais interessante. Na trama há três grupos distintos.

Na Jamaica temos os maroons, com suas crenças e culturas, onde encontramos Béne Rowe, uma espécie de empresário do submundo que odeia traficantes de drogas. O sujeito é uma espécie de mafioso da ilha, e através dele vamos ficar conhecendo muito da cultura e das origens do povo jamaicano que, direta ou indiretamente, acaba resvalando na saga de ColomboRowe foi um dos personagens que eu mais gostei, apesar do sujeito ser uma espécie de "empresário do crime". Ele faz uma grande participação na história, e sem ele o autor não teria merecido as quatro estrelas que lhe dei.

O outro grupo é liderado, tanto por seu ego quanto por seu dinheiro, por Zachariah Simon, um judeu ortodoxo e empresário riquíssimo que, assim como Rowe, está atrás dos segredos ocultos de Colombo. A meu ver, achei-o digno do papel a que se presta. Apenas, como um ponto negativo, achei que o autor explorou muito pouco, ou não da melhor forma possível, todo o potencial que esse personagem tem. Em alguns momentos da leitura, achei Zachariah Simon confuso e repetitivo demais quanto aos seus interesses e as suas atitudes para com Thomas e Alle, os protagonistas. Apesar disso, é um personagem interessante, de presença marcante, através do qual se conhece uma parte da diáspora judaica que, diretamente, tem a ver com o contexto Colombo.

O terceiro grupo é composto por Thomas Sagan e Alle Becket. Pai e filha. Aliás, um relacionamento familiar bastante conturbado e rancoroso, por parte de AlleThomas é um ex-repórter de jornal que ganhou um Pulitzer por uma matéria feita no Oriente Médio, envolvendo judeus e árabes num assentamento judaico em área palestina. Apesar da fama, logo sua matéria é desmentida e, acusado de fraude, o jornalista cai em desgraça e na obscuridade. Passa a escrever livros de ficção e, assim, o encontramos no primeiro capítulo tentando se matar. Ele só não o faz porque recebe uma visita inusitada de um desconhecido que lhe mostra uma foto em que sua filha, a quem ele não via fazia anos, foi sequestrada. Aqui começa o envolvimento de Thomas Sagan na Conspiração Colombo. Entre fazer o que os sequestradores querem e salvar sua filha, apesar dela o odiar muito, Thomas terá que desvendar um mistério que envolve seu avô judeu, Abiram, e seus ancestrais, e de quebra, salvar sua filha. Juntamente comThomas vamos conhecer uma outra parte da vida dos judeus e desvendar os mistérios que envolve Colombo e a diáspora judaica.

Gostei muito do personagem Thomas Sagan. O sujeito é carismático e se esforça muito para ajudar sua filha. Alle Becket, por sua vez, é chata demais. Odiei essa personagem que se diz profunda conhecedora da história deColombo mas que, no decorrer do livro, se perde entre atacar o próprio pai e remoer as mágoas da infância. Assim como ocorre com Simon, achei que Berry não soube destilar dessa personagem tudo o que ela poderia tem a oferecer.

Mas não pensem que esses três grupos de personagens vão ficar muito tempo separados. A interação entre eles será inevitável, e as partes se confrontarão num final que muito me lembrou aquele do filme "Indiana Jones e A Última Cruzada", 1989, de George Lucas e Steven Spielberg.

Quanto a narrativa de Berry, acho-a bastante fluida, agradável, e de fácil leitura. Apesar do autor ser bastante minucioso e exigente quanto ao caráter histórico, os fatos expostos não são enfadonhos ou de difícil digestão. A meu ver, é o ponto alto e o diferencial mais agradável e empolgante das suas tramas.

Um outro diferencial interessante, também, é que o autor se renova a cada novo livro. Desta forma, ler Steve Berry é certeza de novas aventuras e novos mistérios por descobrir, ou desmistificar. O que faz de A Conspiração Colomboum prato cheio para os fãs do autor. Sem contar, é claro, que os leitores interessados em uma ficção de aventura e mistério se sentirão em casa.

Quanto a capa e a editoração gráfica do livro, o mesmo segue o padrão dos livros anteriores, editados pela Editora Record. Ou seja, são de ótima qualidade gráfica. A capa tem letras em alto relevo e o seu visual está dentro do contexto. Achei essa edição brasileira bem mais bonita que a original norte-americana. Recomendo! 

domingo, 6 de setembro de 2015

LIVRO : A Bruxa de Near


Victoria Schwab
ISBN: 9788542201673
Ano: 2013
Páginas: 240
Tradutor: Marcelo Barbão
Editora: Planeta
Pontuação:  ♥ ♥ ♥  ♥ 
Na cidade de Near não existem estranhos e a velha história da Bruxa é contada apenas para assustar as crianças. Estas são as verdades que Lexi Harris ouviu durante toda a vida. Mas quando um estranho, um garoto que parece desaparecer como fumaça, surge em uma noite do lado de fora de sua casa, ela sabe que algo não está correto. Na noite seguinte, crianças começam a desaparecer de suas camas sem deixar qualquer vestígio e o estranho é o principal suspeito. Mas quando o garoto se oferece para ajudar na busca, algo no coração de Lexi diz que ele esconde outros segredos e não é o culpado. Ela estaria imaginando ou o vento parecia sussurrar através das paredes? Quando a busca pelas crianças se intensifica, o mesmo acontece com a necessidade de Lexi de saber sobre a Bruxa que talvez não seja só uma história para dormir... 
Adoro histórias que envolvem antigas lendas, mistério e bruxas! E o livro A Bruxa de Near tem tudo isto e muito mais! Apesar da história simples, o livro tem o clima certo, aventura, romance, mistério e ainda um toque assustador. O resultado: adorei o livro!

Com uma história atemporal (ou seja, sem determinar uma data ou tempo específicos), somos transportados para uma história de época, que pode ter ocorrido há centenas de anos. Ou talvez mais, ou menos. Mas o mais importante, Schwab criou uma fábula, uma verdadeira aventura que tem vida própria. Um conto de fadas, ou melhor, um conto no melhor estilo A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Não pude deixar de comparar o livro com o clima do filme estrelado por Johnny Deep e Cristina Ricci, pelo qual sou completamente apaixonada.

Em A Bruxa de Near conhecemos, através de Lexi Harris, a lenda que há muito tempo faz parte das brincadeiras das crianças, músicas e que fez crescer o medo dos habitantes da cidade de Near.


Diz a lenda que a bruxa era parte do páramo (planaltos desérticos encontrados a grandes altitudes, principalmente em cadeias montanhosas, inexistentes no Brasil), que cerca e determina os limites da cidade. Ela controlava tudo: o vento era sua voz, os rios eram seu sangue, a relva sua pele. Não havia nada que ela não pudesse controlar. O páramo fazia parte da bruxa, e a bruxa era o páramo. Ninguém se atreve a sair dos limites da cidade, de forma alguma. E, por causa da terrível lenda, as bruxas não são vistas com bons olhos pelos habitantes de Near. O medo é tudo o que eles sentem.


Lexi conta e reconta, noite após noite, a história da bruxa para sua irmãzinha Wren, de seis anos, dormir, assim como fazia seu pai fazia com ela. Lexi adorava o som da voz do pai contando como os ventos ganhavam vida sob a voz melódica da bruxa, como seu poder era imenso e incontrolável. E ela sabe de cor toda a história, assim como o pai a contava, pois esta é uma das lembranças que ela guarda e a qual se agarra para manter a memória do pai viva. Com apenas 16 anosLexi já não tem mais o pai por perto, pois ele faleceu há três anos, deixando ela, sua mãe e irmã aos cuidados de seu tio Otto. Que, sucessivamente ao seu pai, ganhou o título de Protetor da cidade, atuando de forma a proteger os cidadãos.

Seu tio Otto é controlador e desde o início da história se mostra intolerante para com a jovem. Não concorda com suas atitudes e não entende seu espírito livre, tão parecido com o do irmão, pai de Lexi. A garota aprendeu com o pai a ser uma rastreadora, e consequentemente uma excelente caçadora. Adora usar as botas surradas e usadas do pai, e usa na cintura a faca que herdou dele. Assim, se sente segura e protegida.

Mas nada poderia a prevenir de que sua vida seria afetada por uma mudança drástica: a vinda de um estranho para a cidade. Cole, o estranho, parece esvanecer no ar, e esconder grandes segredos. Mas Lexi se sente atraída de imediato pela força e magnetismo que o estranho parece emanar. Mas quando crianças começam a desaparecer e as acusações recaem sobre Cole, ambos têm que lutar pela verdade e desvendar os segredos que o vento incessante do páramo esconde.

E tem muito mais pela frente! A narrativa de Schwab tem uma característica que aprecio muito em livros de suspense e aventura: ela cria uma tensão crescente e os acontecimentos contribuem para que a história engrene cada vez mais, criando um ritmo no qual se é impossível parar de ler até se chegar à última palavra. E ainda mais que isso, me deixou querendo mais.

Tenho diversos pontos positivos a pontuar, e um deles é a grande sacada da autora em deixar sua história suspensa em um passado sem uma data determinada, o que permite uma liberdade narrativa bem maior. Outro detalhe são os personagens. A caracterização de cada um é excelente, e suas personalidades são marcantes e únicas, enriquecendo ainda mais a trama.

Lexi é incrível! Sua personalidade indomável e livre, questiona o certo e o errado. A jovem acredita no que acredita e ponto! Não consegue crer no que tentam lhe impor, e não aceita resignada seu destino. Ela luta pelo que acredita com unhas e dentes. Uma personagem forte e marcante que me cativou, e muito. Outro destaque é o Cole, o estranho. Misterioso e calmo, ele representa tudo aquilo que traz medo e assombro para os moradores de Near, mas de forma injusta. E o romance que se desenrola entre Cole e Lexi é encantador (muito amor)!

Há também os vilões, que não são exatamente vilões mas cumprem bem seu papel odioso: tio OttoBo, e Tyler, caçadores que empreendem uma busca incansável pelo responsável do desaparecimento das crianças, mas que acabam cometendo enormes injustiças (sentirei um ódio eterno por estes personagens que são burros, cegos e só atrapalham a vida de Lexi ColeTambém há as irmãs bruxas que vivem nas imediações da cidade, Magda eDreska, que contribuem ainda mais para o toque de mistério do livro.

E claro, a Bruxa de Near, que está viva e presente em todo o livro, em cada linha e pensamento dos personagens. Sua presença é terrível e verdadeiramente assustadora, pois ela se encontra em tudo e em todos os lugares. Não há como fugir. Aliás, a bruxa é um espetáculo à parte! #terrível #medo

Achei interessante que a autora criou vida até mesmo para os elementos da natureza, e o vento é um personagem vivo e constante. Aliás, dá até para ficar com medo do danado do vento, que traz canções e vozes, que arrasta, empurra e entra por frestas das janelas e portas. Ui, que arrepio!


Enfim, a narrativa é simples mas é justamente aí que ganha pontos: o livro é muito agradável de ler! Entre diversos sentimentos, posso dizer que me apaixonei por este livro. Começando de forma simples e se tornando uma verdadeira aventura com toques de terror e muito mistérioculminando em um fim de tirar o fôlego, A Bruxa de Near foi uma grata surpresa para mim. Uma proposta diferente entre tantos livros iguais. Indo muito além do que eu esperava. Gostei de cada detalhe! Recomendadíssimo!