Steve Berry é sempre sinônimo de boa leitura. A cada ano o autor vem se destacando mundialmente com bons lançamentos no mercado editorial. Seus dois primeiros livros,
A Sala de Âmbar e a
A Profecia Romanov, tornaram-se
best-sellers mundiais em curtíssimo tempo, abrindo espaço para que o autor tornar-se mundialmente conhecido. Me admira que o mesmo ainda não tenha sido objeto de interessa por parte de
Hollywood, pois as histórias que ele escreve são sempre recheadas e pontuadas de muito mistério, ação, aventura, suspense e muito, mas muito embasamento histórico.
Ler os livros de Berry é como viajar no tempo.
O autor é tão minucioso nas pesquisas para os seus livros (a maioria delas em companhia de sua esposa) que o mesmo faz questão de visitar pessoalmente cada localidade em que se passou os fatos históricos narrados em seus livros. Na maioria das vezes, para não dizer sempre, o autor é fiel a "verdadeira história" por trás da história oficial. Em seus livros,
Berry está sempre desmistificando algum fato ou personalidade histórica.
Desta forma, percebe-se logo que
Steve Berry, aqui mesmo no
Brasil, já consolidou uma legião de fãs, na qual eu me incluo também. Isso por que
A Conspiração Colombo não é o primeiro livro do autor que leio. Tenho todos os livros já lançados pela
Editora Record, dos quais já li:
A Sala de Âmbar,
A Profecia Romanov,
O Terceiro Segredo,
A Busca de Carlos Magno e
Traição em Veneza (que não resenhei aqui no blog). Destes, os três primeiros são os meus preferidos do autor, e os considero as obras-primas de
Steve Berry. E dos três, sem dúvida alguma,
A Profecia Romanov é o melhor.
Quanto ao livro
A Conspiração Colombo segue o estilo aventura-mistério que consagrou
Steve Berry. E ao contrário do que disse o
The Washington Post, na capa do livro, que esse é
“o melhor livro de Steve Berry até agora”, eu, particularmente, não concordo. Ainda não li, como disse acima, todos os livros do autor para tecer um comparativo exato de qual livro dele é melhor. Seja como for, para mim, sem dúvida alguma, é
A Profecia Romanov. E ponto.
A Conspiração Colombo é um ótimo livro, ponto. Mas, ainda assim, não supera os livros que já li do autor.
Cristóvão Colombo tornou-se uma lenda. Em
A Conspiração Colombo,
Steve Berry não trata apenas de desmistificar
Colombo. Ele o coloca em seu devido lugar, mostrando como de fato aconteceu a descoberta do
Novo Mundo.
Steve Berry desnuda a lenda e a torna tão humana quanto qualquer outra pessoa que viveu a época do descobrimento, em
1492. Os detalhes históricos, os verdadeiros, retratando a descoberta do continente americano, a vida de
Colombo, seu verdadeiro nome, sua família, seus amigos e inimigos, é aqui revelados em detalhes e considero-os bem interessantes.
Mas não é só de
Colombo que o livro trata. Não. O autor também nos leva por várias localidades do mundo, como a J
amaica,
Cuba,
Viena,
Praga entre outras, para contar a sua história. História essa que também tem a ver com a diáspora judaica ao longo de vários séculos, suas relíquias e a retomada do
Estado Judáico na atual
Israel.
E para ilustrar essa aventura ao redor do mundo, em busca dos segredos ocultos por
Cristóvão Colombo, que afeta diretamente o povo judeu,
Steve Berry criou uma dezena de personagens interessantes, cujos caminhos acabam se cruzando fatalmente e tornando a leitura ainda mais interessante. Na trama há três grupos distintos.
Na
Jamaica temos os
maroons, com suas crenças e culturas, onde encontramos
Béne Rowe, uma espécie de empresário do submundo que odeia traficantes de drogas. O sujeito é uma espécie de mafioso da ilha, e através dele vamos ficar conhecendo muito da cultura e das origens do povo jamaicano que, direta ou indiretamente, acaba resvalando na saga de
Colombo.
Rowe foi um dos personagens que eu mais gostei, apesar do sujeito ser uma espécie de "empresário do crime". Ele faz uma grande participação na história, e sem ele o autor não teria merecido as
quatro estrelas que lhe dei.
O outro grupo é liderado, tanto por seu ego quanto por seu dinheiro, por
Zachariah Simon, um judeu ortodoxo e empresário riquíssimo que, assim como
Rowe, está atrás dos segredos ocultos de
Colombo. A meu ver, achei-o digno do papel a que se presta. Apenas, como um ponto negativo, achei que o autor explorou muito pouco, ou não da melhor forma possível, todo o potencial que esse personagem tem. Em alguns momentos da leitura, achei
Zachariah Simon confuso e repetitivo demais quanto aos seus interesses e as suas atitudes para com
Thomas e
Alle, os protagonistas. Apesar disso, é um personagem interessante, de presença marcante, através do qual se conhece uma parte da diáspora judaica que, diretamente, tem a ver com o contexto
Colombo.
O terceiro grupo é composto por
Thomas Sagan e
Alle Becket. Pai e filha. Aliás, um relacionamento familiar bastante conturbado e rancoroso, por parte de
Alle.
Thomas é um ex-repórter de jornal que ganhou um
Pulitzer por uma matéria feita no
Oriente Médio, envolvendo judeus e árabes num assentamento judaico em área palestina. Apesar da fama, logo sua matéria é desmentida e, acusado de fraude, o jornalista cai em desgraça e na obscuridade. Passa a escrever livros de ficção e, assim, o encontramos no primeiro capítulo tentando se matar. Ele só não o faz porque recebe uma visita inusitada de um desconhecido que lhe mostra uma foto em que sua filha, a quem ele não via fazia anos, foi sequestrada. Aqui começa o envolvimento de
Thomas Sagan na
Conspiração Colombo. Entre fazer o que os sequestradores querem e salvar sua filha, apesar dela o odiar muito,
Thomas terá que desvendar um mistério que envolve seu avô judeu,
Abiram, e seus ancestrais, e de quebra, salvar sua filha. Juntamente com
Thomas vamos conhecer uma outra parte da vida dos judeus e desvendar os mistérios que envolve Colombo e a diáspora judaica.
Gostei muito do personagem
Thomas Sagan. O sujeito é carismático e se esforça muito para ajudar sua filha.
Alle Becket, por sua vez, é chata demais. Odiei essa personagem que se diz profunda conhecedora da história de
Colombo mas que, no decorrer do livro, se perde entre atacar o próprio pai e remoer as mágoas da infância. Assim como ocorre com
Simon, achei que
Berry não soube destilar dessa personagem tudo o que ela poderia tem a oferecer.
Mas não pensem que esses três grupos de personagens vão ficar muito tempo separados. A interação entre eles será inevitável, e as partes se confrontarão num final que muito me lembrou aquele do filme "Indiana Jones e A Última Cruzada",
1989, de
George Lucas e
Steven Spielberg.
Quanto a narrativa de
Berry, acho-a bastante fluida, agradável, e de fácil leitura. Apesar do autor ser bastante minucioso e exigente quanto ao caráter histórico, os fatos expostos não são enfadonhos ou de difícil digestão. A meu ver, é o ponto alto e o diferencial mais agradável e empolgante das suas tramas.
Um outro diferencial interessante, também, é que o autor se renova a cada novo livro. Desta forma, ler
Steve Berry é certeza de novas aventuras e novos mistérios por descobrir, ou desmistificar. O que faz de
A Conspiração Colomboum prato cheio para os fãs do autor. Sem contar, é claro, que os leitores interessados em uma ficção de aventura e mistério se sentirão em casa.
Quanto a capa e a editoração gráfica do livro, o mesmo segue o padrão dos livros anteriores, editados pela
Editora Record. Ou seja, são de ótima qualidade gráfica. A capa tem letras em alto relevo e o seu visual está dentro do contexto. Achei essa edição brasileira bem mais bonita que a original norte-americana.
Recomendo!