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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Resenha Crítica | O Convite (2015)



sexta-feira, 15 de abril de 2016

RESENHA CRÍTICA: 10 Cloverfield Lane, de Dan Trachtenberg

J.J. Abrams sabe quando aproveitar uma boa oportunidade para conseguir alguns bons trocados. Em 2008, ano em que o found footage estava estourando após o sucesso de “Atividade Paranormal”, o criador de “Lost” convocou o roteirista Drew Goddard e o diretor Matt Reeves para conceber “Cloverfield: Monstro”. Claro que rendeu horrores, especialmente após uma campanha de marketingonline bem pregada quanto o enigma da criatura que passa a deixar um rastro de destruição por onde passa.Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane)
Ainda assim, era um projeto claramente oportunista, tendo o seu rascunho de premissa e os seus personagens unidimensionais rapidamente esquecidos conforme o formato foi perdendo a popularidade. Oito anos depois, “Rua Cloverfield, 10” vem para cumprir uma lição: se você quer aproveitar a “marca” de um produto com o intento de oferecer algo de boa qualidade, não se oprima em reimaginar todo o seu universo.
Em sua estreia na direção, Dan Trachtenberg mantém, por meio do roteiro de Damien Chazelle, Josh Campbell e Matthew Stuecken, somente a referência do original no título e a suspeita de que estamos no mesmo cenário de pré-caos. Sim, essa incerteza de conexão entre as suas obras existe, pois “Rua Cloverfield, 10” está interessado em outra abordagem.
A infalível Mary Elizabeth Winstead interpreta Michelle, uma jovem que está desfazendo o relacionamento amoroso com Ben – a voz ouvida nas ligações telefônicas é a de Bradley Cooper. Um acidente de carro acontece e ela desperta em um cativeiro, com a perna  presa a uma corrente. Logo Howard (John Goodman) se apresenta como o responsável pela situação, sinalizando que estão em um bunker que os mantêm seguros da radiação que tomou todo o ar do planeta.
Recusando-se a acreditar em Howard, Michelle logo digere a situação em que se vê ao notar a presença de Emmett (John Gallagher Jr.) nessa redoma. Ainda assim, ela é incapaz de não desconfiar do caráter de Howard. Também pudera, pois o sujeito é dono de um um comportamento suspeito e sempre se justifica com informações que não procedem quando posteriormente checadas.
Com apenas um cenário e três personagens centrais, “Rua Cloverfield, 10” abandona o mero registro amador de uma invasão de um ser de outro mundo para se concentrar em um confinamento em que impera a paranoia entre enfrentar seres humanos em situações-limite ou os monstros talvez imaginários batendo à porta. A decisão por essa opção é feliz, especialmente pela tensão que ela permite que seja construída, daquela em que nos vemos à beira da poltrona.
Um mérito que também precisa ser depositado na conta de Dan Trachtenberg é como a sua imaginação flui com o limite de recursos. Se a fortaleza em que seus personagens estão é grande demais para promover um clima de claustrofobia, o som vem como um auxílio para denunciar o perigo, seja com os estrondos sonoros externos ou as portas de ferro abertas por Howard. Trata-se de um empenho paulatino que converge em um clímax eletrizante, estabelecendo novos direcionamentos para esta franquia que ressurge agora como uma grande promessa que tem tudo para se concretizar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Velocidade, de Dean Koontz

Velocidade, de Dean Koontz
Billy Wiles é um homem de poucas palavras. Pacato e trabalhador, leva uma vida tranquila e comum como barman na pequena cidade de Napa. Mas a tranquilidade de sua vida é posta em cheque a partir do momento em que encontra um bilhete no para-brisas de seu carro, que diz: "Se você não levar este bilhete a polícia nem envolvê-la, vou matar uma linda professora loura em algum lugar no condado de Napa. Se levar este bilhete à polícia, matarei uma idosa que faz obras de caridade. Você tem seis horas para decidir. A escolha é sua".

Billy não dá muita atenção ao bilhete e no dia seguinte vê a notícia de uma loura assassinada da forma como havia sido descrito no bilhete. Mal sabia Billy que o jogo apenas havia começado. Antes de resolver a questão do primeiro bilhete, um outro lhe é enviado, com mais vidas em suas mãos. Billy Barman então corre contra o tempo para descobrir o assassino antes que mais pessoas se machuquem. Obrigado a deixar de lado sua vida pacata, adentra em um jogo de gato e rato que poderá render sua própria vida.

Em Velocidade, Dean Koontz contrói mais uma obra instigante e de tirar o fôlego. Como o próprio nome já diz, é velocidade pura. Ao final de cada capítulo existe uma surpresa e a cada surpresa uma vontade de engolir as páginas seguintes para descobrir o que vai acontecer. Vale destacar que Velocidade não tem descrições desnecessárias, nem informações inúteis. É um livro direto, enxuto, onde o foco é a trama, a ação e a tensão por qual passa o personagem central. E, claro, isso contribui para a sensação de velocidade.

Este livro em absoluto deixa claro ainda mais a relação que Koontz tem com Dickens, traduzindo cenários e emoções como ninguém, onde até mesmo a descrição de um assassinato pode ser belo, até mesmo a violência pode ser poética. É difícil explicar, mas quem é acostumado a ler coisas do autor sabe que até mesmo a morte tem seu glamour.

E esse é Koontz. Um autor que consegue aliar poesia e amor com horror, o que pode ser percebido em clássicos como Intrusos, Lágrimas do Dragão e muitos outros. Isso apenas o coloca como um dos mestres da literatura contemporânea do suspense e terror e que, infelizmente, não possui o devido reconhecimento por aqui. Então, não tenha dúvidas em ler Velocidade, que deve agradar a todos que gostam de um bom thriller, com pitadas de poesia e, claro, muito suspense.

Nota: 9/10



Leia mais: http://bibliotecasombria.webnode.com.br/products/velocidade-de-dean-koontz/

O Fortim, de F. Paul Wilson

O Fortim, de F. Paul Wilson

O Fortim foi o primeiro de F. Paul Wilson que li. Esperei um longo tempo para isso, tanto é que passei quase um ano com a obra em mãos, enquanto outras quatro do mesmo escritor continuam na estante. Não foi por falta de vontade, apenas queria esperar o momento certo, pois por tudo o que já ouvi falar seria algo soberbo, um clássico. Mas enfim  li esta obra e a verdade é que fiquei com o gostinho de decepção.

De fato, o livro impressiona em um primeiro momento, nos fazendo devorar as páginas. Mas quando chega na metade, desanda de uma forma grosseira, diria até estúpida. A história se passa durante a segunda guerra mundial e é basicamente sobre um esquadrão de elite do exército alemão que vai até Passo Dinu, na Romênia, ocupar um forte que poderá servir de posto de observação para invasões de inimigos. Mas, na primeira noite do grupo comandado por Klaus Woermann, há uma violenta morte. A partir daí, todas as noites um soldado tem a garganta estraçalhada. O major então pede ajuda a alta cúpula nazista, que envia o capitão Kaempferr e sua Guarda de Ferro - soldados nazistas - para buscar uma solução para o que acontece.

Até aí a abordagem do livro é fantástica, já que em meio ao terror instalado no fortim, há grandes embates entre Woermann e Kaempffer por seus temperamentos e ideologias diferenciadas. Mas então, o autor nos apresenta a chatérrima Magda e seu pai Theodor Cuza logo na metade. Então tudo é posto a perder, ainda mais quando um tal Glenn aparece. E o que vinha sendo uma história interessante e assustadora, se transforma sem explicação em um romance tosco e em algo beirando a uma grotesca fantasia, digna dos piores filmes trashs dos anos 80/90.

Afora isso, tenho que admitir que F. Paul Wilson escreve super bem. A leitura flui fácil e os diálogos são ricos em sua essência. Mas nem isso salva a última metade e é preciso muita persistência para chegar ao fim, quando você se dá conta de que o autor estragou um livro que poderia ser perfeito.

Apesar da decepção, não pretendo deixar de ler seus livros. Mestres do suspense e terror, como Dean Koontz e Stephen King, também tem livros fracos. Então, F. Paul Wilson merece uma segunda chance. O lerei novamente, mas agora sem a expectativa tão no alto. Não que a expectativa que depositei tenha atrapalhado, mas simplesmente porque a decepção foi maior por isso. Assim, quem sabe, nas próximas eu tenha uma leitura de alto nível... do início ao fim.

Nota: 6/10



Leia mais: http://bibliotecasombria.webnode.com.br/products/o-fortim-de-f-paul-wilson/

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Fair Play

por 

O meio empresarial corporativo não é brincadeira. É por meio dele que o diretor e roteirista Lionel Bailliu nos apresenta uma história carregada de emoção, suspense e atitudes politicamente incorretas. Esqueça o fair play, porque nesse filme ninguém joga limpo. 
Esta obra francesa de 2006 chegou a pouco no Brasil, de forma bem discreta e incomoda, como de costume. Talvez o motivo do lançamento em nosso país seja a presença de Marion Cotillard, a talentosa atriz que ganhou o Oscar por “Piaf – Um Hino ao Amor”. Mas sua participação é apenas um dos fatores que fazem este excepcional filme funcionar tão bem.

O formato é muito inusitado. A trama se desenrola por meio de diálogos dos personagens que, no momento, estão praticando algum tipo de atividade física. Os cenários são: Uma remada, uma partida de squash, jogging (o nosso famoso cooper), caminhada com rapel em cachoeiras.

A história gira em torno da liderança de uma empresa, onde chefes e parceiros de negócios discutem passo a passo suas atitudes no meio comercial, ou melhor, no meio “capitalista selvagem” em questão. Aparentemente o chefe Charles está perdendo o controle diante das traições mútuas de seus imediatos Alexandre e Jean-Claude. Complicações que estão fazendo a empresa perder clientes, manchando assim a imagem do líder para seu sogro e chefão Édouard, que teme o futuro da empresa, ainda mais depois da secretária Nicole abrir um processo de abuso contra seu genro.
O clima é muito tenso. O publico é conduzido e muitas vezes enganado pelas diversas reviravoltas. Em uma das cenas mais simbólicas do filme – imagem que acabou servindo de capa para o filme -, a partida de squash é perfeita em sua totalidade. Ela exemplifica bem o poder do controle, da capacidade de virar o placar, de se fingir fraco para se levantar mais forte, e por fim, claramente saber as regras do jogo. Seguindo uma ordem cronológica, a trama se revela com saltos bruscos. A negociação da conversa anterior se torna o fracasso em análise do diálogo seguinte. Tudo de forma auspiciosa e extremamente criativa.

O diretor e roteirista Lionel Bailliu, que já fez o também esportivo “Squash”, de 2002, traz o estilo europeu clássico na hora de filmar, intercalando com um tom documental, de bastante movimento e aproximação, fazendo assim uma mistura prazerosa de se acompanhar. Seu texto é impecável. Todos os exageros de certos elementos são passados com tanta naturalidade e ênfase, que no final estamos torcendo por um ou outro personagem, mesmo sendo eles víboras bem treinadas e inconseqüentes.

Todo esse esquema não seria possível sem o excepcional time de atores. Eric Savin, que interpreta o chefe Charles, traz toda a humanidade para este empresário de 40 e poucos anos que pensa estar preparado para tudo, mas vê seu mundo desabando da noite para o dia. Longe de ser ingênuo, Charles sabe que não é apenas seu trabalho que está em jogo, e sim seu casamento, e o desespero acaba alimentando suas atitudes.

Benoît Magimel, ator que tem extenso currículo de filmes franceses pouco conhecidos fora de seu país, faz de Jean-Claude o cafajeste perfeito. Seu personagem é uma verdadeira incógnita. Pode ser engraçado e muito correto em seus pensamentos, mas também se revela um lunático assustador. Ele é peça chave em todo o desenrolar da história e sua personalidade inusitada realmente chama a atenção.  Jérémie Rénier tem pouco tempo de carreira, mas já protagonizou importantes filmes, como o vencedor de Cannes “A Criança”, dos irmãos Dardenne.

Seu personagem Alexandre é talvez o mais perturbado ou o mais cínico de todos e sua ganância faz com que ele bata de frente com Charles e Jean Claude, mas o rapaz parece sempre ter um Ás na manga.  Já Marion Cotillard interpreta Nicole, uma verdadeira ilusão. Quem a vê com seu ar de garota comportada nem imagina as besteiras que a jovem é capaz de fazer. Num verdadeiro jogo de gato e rato, vence quem é mais forte e mais rápido. Todos têm algo a ser enterrado, ou mesmo estão prestes a ser enterrados por isso.
O filme não segue um padrão, fazendo com que todos tenham seus momentos de razão e seus momentos de vilão, e utilizando desse artifício lados não escolhidos, deixando para o público o julgamento do que está certo ou errado. Talvez Charles seja duro demais com os funcionários, mas ele realmente quer melhorar as coisas. Nicole está acusando Charles, mas não é inocente no envolvimento entre os dois, tudo que ela queria era ficar fora da vista de todos. Jean Claude parecia leal, mas e se alguém o traísse, ele não teria o direito de revidar? Questionamentos básicos das relações humanas exemplificadas de forma coesa e original, e sem dúvida no lugar perfeito: o competitivo meio empresarial corporativista.

A mensagem que fica é clara: é da natureza humana fazer de tudo para sobreviver, mesmo que para isso seja preciso fechar os olhos e esquecer o fair play.

Fair Play: França/ 2006/ Direção: Lionel Bailliu/ Elenco: Eric Savin, Benoît Magimel, Marion Cotillard, Jérémie Renier, Mélanie Doutey, Jean-Pierre Cassel

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Resenha do Livro: Escola Noturna


Título: Escola Noturna
Autor: C. J. Daugherty
Ano: 2014
Número de Páginas: 336
Editora: Suma de Letras

Sinopse: Quando a adolescente problemática Allie Sheridan vai presa de novo, seus pais decidem que já estão fartos. Assim, ela é despachada para a Academia Cimmeria, um colégio interno bem distante dos seus amigos londrinos.
A academia é uma bela construção, cheia de adolescentes lindos e milionários do tipo que viaja de jatinho, foi criado pela babá e só faz compras nos endereços mais exclusivos. Em Escola Noturna, primeiro volume de uma série, Allie faz novas amizades e conhece Carter, um rapaz solitário com quem ela sente uma conexão imediata.
Só que seus colegas, e talvez até alguns dos professores, estão protegendo um segredo sombrio. Quando o perigo começa a rondar os muros da escola e a violência se torna realidade, Allie terá que decidir em quem confiar, se quiser descobrir o que está acontecendo.
Quando todos estão mentindo em quem você confia?

Resenha: Alyson Sheridan, conhecida por Allie era uma menina normal, exceto talvez por se dar super bem com seu irmão mais velho, Christopher. Mas de repente ele começa a se afastar e depois vai embora de casa deixando apenas uma carta, em que afirma não fazer mais parte daquela família. É nesse momento que o mundo de Allie desaba.

O livro começa algum tempo depois do ocorrido, quando Allie já surtou e foi expulsa de várias escola, mas quando vai presa pela terceira vez é que seus pais decidem que não dá mais, e a matriculam em um colégio interno, a Academia Cimmeria.

A Academia Cimmeria não é uma escola comum, um prédio assustador, com regras estranhas e segredos obscuros. Lá Allie percebe que nada será como antes, a nova escola não permite celular, televisão ou qualquer outra tecnologia, então para se distrair ele precisará fazer amigos, mas isso pode ser difícil, já que todos que estudam na Cimmeria tem algo em comum, são multimilionários e a maioria têm um legado, gerações da família que estudaram lá. Mas ela não se encaixa em nada disso, e por isso ninguém sabe como ela entrou.
 - Certo. Mas ser presa não te coloca na Cimmeria. Aqui não é reformatório. Por que você está aqui?
Alfinetada, Allie pôde sentir a irritação aumentar, mas lutou contra.
 - Pra ser sincera, não faço ideia. Meus pais disseram que eu vinha pra cá, e alguns dias depois, aqui estava eu. Meus pais me disseram que esse lugar é especializado em alunos como eu. Seja lá o que isso signifique.
Allie faz amizade com Jo, uma menina espirituosa e divertida que faz com que a nova escola se torne um lar para a menina. Para animar o coração da nossa protagonista temos Sylvain, ele é um típico príncipe, bonito, inteligente, educado e muito mais, porém admito não ter gostado muito dele, a mania de falar frases em francês me incomodou muito. Como de costume temos o “Bad Boy” Carter, que tem fama de partir o coração das garotas.

Mas situações assustadoras começam a acontecer na Cimmeria e Allie não sabe em quem confiar. Quando uma aluna é morta e um incêndio começa, a escola vira um caos. Quem são os alunos da Escola Noturna? E o que eles fazem? Como Allie foi parar em uma escola para a elite?

Regras da Academia Cimmeria
1. O dia começa às sete da manhã e termina, no máximo, às onze da noite. Em outros horários, permaneça em seu dormitório.
2. A floresta que cerca a escola é perigosa; os alunos são proibidos de ir lá sozinhos ou após escurecer.
3. Nenhum aluno pode deixar o terreno da escola sem autorização.
4. O acesso à ala dos professores é proibido.
5. Alunos de determinadas áreas de estudo avançados cursam a Escola Noturna. Apenas alguns seletos têm essa oportunidade; quem não estiver entre eles não deve interferir na Escola Noturna, tampouco observá-lá.
6. A identidade dos alunos da Escola Noturna é secreta. Qualquer um que tentar desvendar sofrerá punição.
7. TODAS as atividades da Escola Noturna são secretas. Qualquer integrante que for descoberto divulgando detalhes dessas atividades será severamente punido.
Pág.: 50 e 51
Minha Opinião: O livro é cheio de reviravoltas e suspense. Gostei da construção da protagonista como uma pessoa que pensa por si própria e age quando necessário.
Esse é o tipo de livro que te prende do início ao fim, mas nem por isso as coisas acontecem rápido demais, em Escola Noturna elas acontecem no momento certo, a autora conseguiu ligar os romances, as aulas, o suspense e as amizades de modo que nada se perdeu.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Resenha Crítica | A Visita (2015)



A Visita (The Visit)

The Visit, de M. Night Shyamalan
Provavelmente, desde Michael Cimino que Hollywood não testemunha uma ascensão e queda tão vertiginosa quanto a de M. Night Shyamalan. O indo-americano havia produzido dois longas (“Praying with Anger” e “Olhos Abertos”) que ninguém viu e abalou as estruturas do cinema com “O Sexto Sentido”. Os sucessos posteriores de “Corpo Fechado” e “Sinais” o tornaram capa da revista Newsweek, onde se lê a chamada “The Next Spielberg”, o próximo Steven Spielberg. Hoje, a previsão é encarada como uma piada quase tão hilária quanto os últimos filmes do diretor.
Se a fábula “A Dama na Água” e o mistério ecológico “Fim dos Tempos” ainda é defendido com fervor por alguns fãs, o mesmo não pode ser dito sobre os desastres fantásticos “O Último Mestre do Ar” (adaptação da minissérie animada “Avatar”) e “Depois da Terra”. Neste ano, Shyamalan parece finalmente ensaiar uma volta por cima, lidando com projetos menores após a rejeição dos grandes estúdios. Investiu na tevê como produtor executivo de “Wayward Pines”, com uma temporada de 10 episódios com boas críticas – ele próprio dirigiu o piloto. Com “A Visita”, consegue o feito de ter um dos lançamentos mais lucrativos do ano.
Com o desejo de retomar o controle criativo de seus filmes, Shyamalan produziu “A Visita” quase na surdina, com o orçamento minúsculo de 5 milhões de dólares e dentro da estética do found footage. Na história, Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould) são irmãos enviados pela mãe (Kathryn Hahn) para a casa dos avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), pois ela passa por um período delicado e decide entrar em férias para relaxar um pouco.
Becca e Tyler têm conhecimento das desavenças que a mãe deles passou com os seus avós ao abandoná-los ainda na juventude, o que já estabelece certa tensão quando eles chegam por conta própria na casa deles. Amáveis, Nana e Pop Pop sequer se incomodam com o fato de Becca trazer consigo uma câmera para a realização de um documentário – ela tem o desejo de atuar profissionalmente como uma diretora quando mais velha. Os problemas se concentram nos hábitos estranhos desse casal de idosos, ainda mais sinistros no curso da noite.
Como em seus grandes filmes, M. Night Shyamalan confere em “A Visita” as suas maiores virtudes como diretor e roteirista. Como poucos, constrói uma linha progressiva de tensão com ameaças palpáveis. Também extrai o melhor de seu elenco, com destaque especial para Ed Oxenbould, Kathryn Hahn e a assustadora Deanna Dunagan. Só não vai mais adiante justamente pelo formato, que parece aprisioná-lo no desenrolar de alguns acontecimentos que seriam ainda mais assustadores caso a câmera tivesse posicionada em um ponto mais privilegiado.
Não poderia faltar a “reviravolta Shyamalan”, aquela que desconcerta o público ao pegá-lo totalmente desprevenido diante de uma revelação difícil de se antecipar. Felizmente, ela vem carregada com uma brutalidade arrepiante e com um discurso contundente e emotivo sobre famílias destroçadas, tema caro na filmografia de Shyamalan. Ressalvas à parte, é um belo retorno à boa forma.

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Chamada de Emergência (The Call)

por 

"Chamada de Emergência" se revela apenas um engano.

Este novo "Chamada de Emergência" tinha algumas boas chances de ser bem sucedido, mesmo com um enredo extremamente genérico servindo como base. Primeiramente ele conta com a participação de duas atrizes queridas pelo público: a veterana Halle Berrye a jovem Abigail Breslin, conhecida principalmente por ser a garotinha bonitinha do famoso "Pequena Miss Sunshine". 

Em segundo lugar vem o experiente diretor Brad Anderson, que já trabalhou bastante com TV- conduzindo, por exemplo, 12 episódios da épica série Sci-Fi "Fringe" - e que tem no currículo pelo menos dois ótimos filmes: "O Operário" (aquele em que Christian Bale aparece cadavericamente magro) e "Expresso Transiberiano" (thriller intercontinental arrasador). No entanto, nada disso parece ter resistido ao precário roteiro de Richard D'Ovidio ("13 Fantasmas"), que afetou todos os aspectos da produção como um vírus letal.

A trama acompanha a desesperada luta pela sobrevivência da adolescente Casey, que foi sequestrada na saída de um shopping center. Presa no porta malas do veículo de seu raptor, ela liga para o 911, famoso serviço de emergência americano. Do outro lado da linha, prestando não só assistência, mas servindo também como uma conselheira, está a atendente Jordan Turner, que depois de um tempo afastada - devido a uma crise nervosa, resultado da forte pressão que enfrenta no dia a dia da profissão -, retorna meio que bruscamente nesta ocorrência em específico. A situação para ela, mais que rapidamente, se torna pessoal - algo desaconselhado, obviamente.  

O problema geral de "Chamada de Emergência" é a superficialidade de sua edificação e execução. O texto de D'Ovidio não se preocupa em fundamentar as transformações de seus personagens, sendo que diretor e a equipe de atores não conseguem amenizar o grave problema, muito pelo contrário, eles apenas o potencializam. O resultado então é um descompasso geral, marcado por mudanças narrativas abruptas e completamente inconsistentes. Colapsos psicológicos, por exemplo, não têm força dramática alguma, parecem apenas chiliques incompreensíveis, algo que definitivamente não condiz com o estrutura da história.


A direção de Anderson se prende a uma escassez de originalidade absurda. O único suspiro de inovação que o americano tenta agregar à fita são closes extremos do rosto da vítima, mas o resultado é fraco, não há nada de excepcional no artifício. A atriz Halle Berry bem que se esforça (como sempre), mas diante da falta de naturalidade da trama, seu desempenho dramático se transforma em um overacting mal regrado (eu na verdade nunca vi a atriz como uma grande intérprete, para ser honesto). Já pela vitimizada (e agora belíssima) Abigail Breslin, certa empatia é estabelecida, mas sua participação não escapa das caras e bocas comuns do desespero. Outro ponto negativo é a péssima equipe de coadjuvantes: nenhum se salva, ainda mais com o direcionamento pouco inspirado da produção.

No segundo ato, quando todo o plote foi estabelecido e personagens devidamente apresentados, temos um certo dinamismo proveniente da investigação policial e do trabalho coletivo da equipe de atendentes, que realiza uma troca rápida de informações, possibilitando a identificação do carro em que o vilão leva sua refém... e por aí vai. Essa parte até que agrada, mas ela dura no máximo dez minutos. No final, "Chamada de Emergência" parece um filme "sessão da tarde" bem ruim, daqueles que você assiste enquanto tira um cochilo. Algo genérico, com personagens descartáveis e pobremente realizado. Passe longe.




Chamada de Emergência/ The Call: EUA/ 2013/ 94 min/ Direção: Brad Anderson/ Elenco: Halle Berry, Abigail Breslin, Morris Chestnut, Michael Eklund, David Otunga, Michael Imperioli, Justina Machado, José Zúñiga

Caso 39 (Case 39)

por 

Sempre é uma surpresa agradável saber que filmes de suspense serão produzidos com nomes de peso no elenco. Pois afinal, o gênero passa por uma escassez tão grande de bons exemplares que talvez uma produção mais ousada acabe verdadeiramente assustando alguns atores. Em "Caso 39" isso não aconteceu, e com Renée Zellweger a obra  ganhou muito em visibilidade... mas infelizmente perdeu em qualidade. A atriz, que tem bons filmes em seu currículo – como o recente "Appaloosa – Uma Cidade sem Lei" –, já se aventurou por este terreno mórbido com o mal cotado "O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno", mas em "Caso 39" a decepção que temos com sua personagem Emily Jenkins é grande o suficiente para colocar o resultado final em xeque.

Jenkins é uma assistente social dedicada que lida com casos sérios, e aos montes (38 para ser exato). E com a adição de mais um sua vida vira um verdadeiro inferno. O caso envolve a garota Lillith Sullivan (Jodelle Ferland), que aparentemente sofre maus tratos de seus pais, que parecem dois lunáticos. Depois de uma intervenção drástica, a assistente resolve adotar legalmente a menina. É aí que os problemas começam. Estranhos e trágicos eventos se desencadeiam, revelando que a garota esconde uma ligação com as forças do mal. Basicamente isso.


O roteiro vem das mãos de Ray Wright, que tem poucos trabalhos escritos e aqui entrega um trabalho com diversos problemas. A trama não poderia ser mais comum, envolvendo uma criança cabeluda, telefonemas estranhos e descrença de tudo e todos ao redor da protagonista. Wright até que tenta amarrar algumas coisas, e assim situar seus personagens na história com uma ligação convincente. Mas o problema é que esta suposta linearidade perde completamente seu ritmo e não segura as cenas forçadas.


As reviravoltas são fulminantes e, mesmo se tratando de algo sobrenatural, sentimos que as coisas foram de 0 a 100 em segundos. Alguns bons diálogos trazem pontos positivos, como a entrevista entre a garota e o psicólogo Douglas, ou mesmo cenas de tensão com os pais da menina, mas no geral, esta irregularidade acaba sendo fator decisivo para a recepção negativa do longa, que culmina com um final obviamente sem inovação.

A direção ficou a cargo do alemão Christian Alvart, que entre seus poucos trabalhos está o  irregular "
Pandorum". O diretor demonstra possuir certa percepção com sua câmera, e se utiliza de ângulos e sequências interessantes, operando o seu melhor nos momentos de tensão e ação. Cenas como o ataque de vespas ou a invasão domiciliar são alguns dos trechos aproveitáveis. O resto perde em ritmo devido à fluidez descompassada da história.

Mas os problemas são profundos quando a protagonista não dá conta do recado. Renée Zellweger parece indisposta na pele de sua Emily Jenkins. Enquanto tudo está bem e ela é a assistente social dos sonhos das crianças carentes, a atriz até parece confortável, mas com as viradas bruscas do roteiro ela fica perdida e não convence ninguém com suas caras e bocas. Seus momentos de medo ou raiva são hilários, dignos de filmes B (Sam Raimi na direção e roteiro seria perfeito, pois nada melhor que um alívio cômico para uma atuação tão improvável). A relevância da personagem para a fita acaba se tornando uma pedra que afunda qualquer coisa que se mostre positiva ao redor. Uma péssima escolha do casting.

O time de coadjuvantes se sai um pouco melhor. Os pais da garota, Edward e Margaret Sullivan, interpretados por Callum Keith Rennie e Kerry O’Malley (atores com extensa experiência em séries de TV), geram alguns bons momentos. Já Iam McShane se esforça com seu detetive Mike Barron, e até consegue despistar o roteiro incrivelmente previsível em algumas ocasiões, mas manter sua relevância se mostra uma difícil missão, sendo que no final, seu personagem é o mais contraditório e descartável de todos.

Bradley Cooper, ator que tem ótimo tom para comédia – comprovado em "Se Beber, Não Case" -, aqui fica preso a um estereótipo de possível galã e não rende muita coisa com seu psicólogo Douglas J. Ames. A jovem atriz Jodelle Ferland, que vive a bonitinha e terrível Lillith Sullivan, se sai bem dentro do possível, principalmente por parecer uma criança normal na maioria do tempo. Mas analisando a participação dos atores de apoio, o correto é entendermos que, toda e qualquer relevância que esses personagens possam vir a ter não muda em nada o fato do filme ser ruim.

Esta é uma obra que não dá pra se levar a sério, que acaba soando descartável na maioria dos momentos. Além de falhar no andamento e apresentar uma direção limitada, traz atuações que estão praticamente ligadas no piloto automático, sendo Zellweger o destaque neste quesito. Quando vemos produções como esta percebemos o dilema que o gênero passa nos dias de hoje. Parece cada vez mais difícil ficarmos realmente assustados mediante a tamanha bobagem.

Caso 39/ Case 39
: Estados Unidos, Canadá/ 2009/ 109 min/ Direção: Christian Alvart/ Elenco: Renée Zellweger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Bradley Cooper, Callum Keith Rennie

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

12 Horas (Gone)

por 

Heitor Dhalia ganhou certo status de herói após a realização do interessante "O Cheiro do Ralo". O fato que marcou este filme, que tem Selton Mello como protagonista, foi seu baixíssimo orçamento e o apoio incondicional de todos os envolvidos. Antes disso, o diretor havia chamado a atenção da crítica com seu obscuro "Nina", e depois de alcançar o sucesso não disse muita coisa com "À Deriva", mas também não se saiu mal.

Já em "12 Horas" Dhalia acaba se aprisionando em uma espécie de inferno kármico particular, e dentro dele decide desaparecer. Ele nem demonstra estar presente por trás das câmeras do enlatado hollywodiano. Algo definitivamente triste de se ver.

Na trama acompanhamos o intenso sofrimento de Jill, jovem perturbada por traumas passados que agora tem de lidar com o possível sequestro de sua irmã. Desacreditada pela polícia, ela parte em uma investigação solitária, buscando, principalmente, uma verdade pessoal, pois o crime está conectado a sua própria história.

No geral a fita é fraca, e seu maior pecado é ser completamente desinteressante. O roteiro é um festival de clichês e em nenhum momento chega a levantar algum mistério ou oferecer a mínima empolgação. Na realidade é até engraçado ver a personagem, praticamente uma mitomaníaca, inventando incessantemente histórias para conseguir suas informações. Era pra soar articulado, acabou  somente exagerado.

O núcleo de atores também é decepcionante e Amanda Seyfried é a porta voz desta afirmação. A atriz tem como cena mais contundente de sua carreira um beijo em Megan Fox no pouco relevante "Garota Infernal". Ela até agora não demonstrou nada que justifique toda a bajulação que a rodeia, sendo a única explicação para seu sucesso a clássica: "um rosto bonitinho e nada mais". E além dessa falha central temos um festival de personagens descartáveis, abandonados, e uma lista de suspeitos simplesmente equivocada.   

Mas o problema maior de "12 Horas" é sua falta de personalidade. Heitor Dhalia resolveu não dar as caras no filme, disfarçando bem por trás de uma direção neutra, que em alguns momentos usa movimentos de câmera desnecessários. Mas apesar de toda culpa de Dhalia, é certo dizer que ele também é vítima. Estava no lugar errado, na hora errada e acabou fazendo produto, não arte. Filme não recomendado.



























12 Horas/ Gone: EUA/ 2012/ 94 min/ Direção: Heitor Dhalia/ Elenco: Amanda Seyfried, Daniel Sunjata, jennifer Carpenter, Sebastian Stan, Wes Bentley, Joel David Moore

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

FILME: Crime Verdadeiro

Crime Verdadeiro - poster
Dois anos após dirigir duas produções e exercer dupla função em uma delas, Clint Eastwood retorna a sua bem-sucedida jornada dupla em mais uma trama baseada em uma narrativa policial. Ao contrário da estranheza de Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal e do plot conspiracional de Poder Absoluto, a narrativa de Crime Verdadeiro é uma trama tradicional apoiada na tradição dos suspenses investigativos, desenvolvendo um personagem detetivesco que retoma a trilha de um caso antigo à procura de pistas não encontradas pela polícia, tentando ajudar um homem prestes a ser executado.
Culpado por um assalto à mão armada que vitimou uma mulher e seu filho há seis anos, Frank Louis Beechum (Isaiah Washigton) aguarda sua execução enquanto observa a agonia familiar. Mesmo que a intenção da trama seja explorar a investigação do jornalista, é notável uma inferência sobre o sistema judiciário americano, lento e mal executado, principalmente quando questões raciais estão no cerne da questão. No papel do jornalista Steve Everett, Eastwood mantém um estilo comum a muitos de seus personagens: a evidente presença da velhice como parte da composição do papel, representando uma velha guarda jornalística, a qual investigava e verificava fontes além da mera publicação das notícias,
O ator parece explicitar seu gosto de imprimir um aspecto diferencial na idade, assim este aspecto se sobressai na análise de sua obra geral gerando uma possível teoria sobre suas personagens. Porém, suas caracterizações sempre são equilibradas entre tensões positivas e negativas. Everett é um jornalista de senso apurado que mantém uma vida amorosa indiscreta. Um pai e um marido ausente que sobrepõe o trabalho e seu instinto por notícias acima dos laços familiares, denotando certa imaturidade mesmo em idade mais avançada, um contraponto que não corrompe o carisma natural.
Se por um lado o conflito inicial é bem desenvolvido, com o jornalista colhendo pistas para descobrir uma nova linha investigativa, a conclusão não é funcional. A trama corre contra o tempo e se passa em um dia, aproximadamente. Diante deste espaço temporal limitado, as ações da personagens se tornam inverossímeis devido ao acúmulo de situações que se apresentam e a uma rápida dedução de um caso. Mesmo que a rápida conclusão demonstre a habilidade e o faro do jornalista, a intensificação do suspense dilui parte do impacto narrativo.
Crime Verdadeiro é funcional como um thriller e coerente com a vertente mais comercial do diretor que, na época, ainda dividia-se entre projetos mais comerciais e mais autorais, um aspecto que, com o amadurecimento e uma carreira consolidada, foi modificado a favor de grandes obras.
Nota:


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