quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

JOGOS VORAZES – A ESPERANÇA (PARTE 2) – A TRILHA SONORA

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Não é só o filme que termina de forma conservadora. A trilha também é extremamente convencional
Por Lucas Scaliza
Um dos blockbusters mais esperados do ano, a conclusão da saga de Katniss Everdeen em Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2 (The Hunger Games: Mockinjay Pt. 2), termina a história da luta dos 13 distritos contra a Capital de Panem de forma bastante previsível e com um bônus: cenas finais que transformam uma história de revolução e rebelião em um conto de amor tradicional e conservador. As questões políticas discutidas nos filmes anteriores, e que eram o grande trunfo da produção, acabam não tendo a mesma profundidade, impacto e espaço de antes. Ainda assim,A Esperança Parte 2 acaba sendo um filme aquém das expectativas, mas é OK para um blockbuster originalmente voltado para o público adolescente e jovem-adulto.
Se a narrativa (e também a atuação de Jennifer Lawrence) não parecem ter o mesmo brilho de antes, o mesmo podemos dizer de sua trilha sonora original. As composições de James Newton Howard são extremamente convencionais. Não são ruins, mas não acrescentam nada ao filme, apenas fazem o básico: colocam som em sequências sofridas, de suspense e de ação.
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Não há muita imaginação no trabalho de Howard. No máximo, ele constrói uma trilha que vai ficando cada vez mais tensa, de acordo com nosso suspense com o que se passa na tela, e quando a música parece que chega a seu ápice e algo vai acontecer a qualquer momento, a música volta a cair e nada acontece na tela. Um misto de frustração e alívio, mas sabendo que é temporário e que algo de fato irá acontecer. Isso ocorre umas três vezes ao longo do filme. Embora seja um recurso bem interessante de manipulação de expectativa, não é novo. Entre tantos filme que já utilizaram esse recurso, lembro-me de O Anticristo, de Lars Von Trier, em que a trilha a todo momento parece conduzir o suspense para algo bombástico, violento ou maligno, mas nunca nada disso acontece, criando uma espécie de “beco sem saída”. Ou pelo não acontece com antecipação da trilha sonora.
Howard também usa o padrão do gênero para criar sua música. Orquestrações, corais e alguns poucos elementos eletrônicos. E dá-lhe violinos lentos e arrastados para criar uma cama sonora e leitosa, notas extremamente graves nos sopros para pontuar uma situação de ameaça ou pesar, e sons mais épicos e trovejantes para as cenas de ação, como “Rebels Attack”, “Sewer Attack” e “Transfer Command”. Contudo, é nas trilhas mais explosivas que Howard se dá melhor, com mais espaço para criar, para mudar os ritmos e propor um chacoalhão no meio de tantas faixas parecidas. Aliás, Howard, também responsável pela trilha original de A Esperança Parte 1, criou alguns temas que são recuperados nesta conclusão, criando uma continuidade que musicalmente soa coerente e muito familiar. Embora seja uma repetição, é um recurso necessário a qualquer série de filmes, afinal a música também é um elemento que une e torna as diferentes partes de uma obra reconhecíveis entre si.
“Go Ahed, Shoot Me” pontua uma das melhores cenas ainda no primeiro ato do filme e é uma das faixas mais tensas para um situação que não envolve combate. E “Your Favorite Color Is Green” traz uma musicalidade mais folk que é um respiro de tanta tensão. “Plutarch’s Letter”, já no finalzinho do filme, quando toda a ação já acabou e só restaram as consequências, é quase um epitáfio em forma de som, uma música que acompanha muito bem o significado do que Plutarch quer dizer a Katniss e o que isso representa para ela, para Panem e, também, para o nosso mundo fora das telas.
Apesar dos pontos altos, Howard segue o roteiro. Seu trabalho não é ruim, mas é convencional demais. Não tem o mesmo peso que Tom Holkenborg deu à trilha de Mad Max: Estrada Da Fúria, dando a ela um protagonismo e uma importância ímpar ao filme. Se não fossem as sinfonias metaleiras, Mad Max não seria uma opera épica e punk do deserto. Também não é uma trilha que consegue ambientar o filme para fora de seu previsível universo, como fazem os sintetizadores de Disasterpeace em A Corrente do Mal, trazendo algo de anos 70 para a atual Detroit. E o padrão sinfônico também não dá margem para uma criação de novos sons, entregando uma nova proposta sonora, como fazem a dupla Atticus Ross e Trent Reznor em Garota Exemplar.
Dessa vez não será lançada uma trilha paralela com músicas de artistas pop e eletrônicos, diferente do que ocorreu com A Esperança Parte 1, que teve até mesmo curadoria da Lorde. Também não há uma canção vocal original acompanhando os créditos de encerramento. A direção musical do filme optou por colocar incluir uma longa faixa unindo três composições, “These Are Worse Games To Play”, “Deep In The Meadow” e “The Hunger Games Suite”. O destaque fica com “Deep In The Meadow”, com vocais sussurrados da protagonista Jennifer Lawrence, substituindo a voz de Sting que figurava na gravação de 2012. A roupagem de canção de ninar também foi convertida em algo mais arrastado e pesaroso, condizente com o clima geral de uma série distópica (ainda que a versão de Sting seja mais original).
Quando assistimos ao filme, notamos a trilha sem espanto, surpresa ou estranhamento algum. Ela segue pontuando o filme normalmente. Se há um ponto alto, a trilha é alta. Se há um ponto de introspecção, ela é introspectiva. Se há uma ameaça nos esgotos, a música faz parecer que haverá um bestante a cada esquina. Nós sentimos a música durante a experiência do filme, mas dificilmente reparamos nela. Quando ouvida sozinha, é mais fácil notar sua riqueza, mas mesmo assim não é exatamente empolgante.
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[Resenha] - Um amor, um café e Nova York 2 - Augusto Alvarenga

Editora: D'plácido

Lançamento: 2015
Gênero: Romance nacional / Literatura juvenil
Número de páginas: 114

ISBN: 978-85-917914-1-5


Dois anos depois de se mudar para Nova York ao lado de seus dois melhores amigos, Marina e Pedro, a carreira como cantora da jovem Camila estava nas alturas. Reconhecida nacional e internacionalmente, ela conseguiu realizar o seu sonho. Mas seu coração ainda estava no Brasil, aonde residia seu amor, Guilherme, que infelizmente não mandava mais notícias. Até o dia em que, sem avisar, ele aparece na porta do apartamento de Camila. Mas o que poderia ser um encontro romântico agradável acabou em um consenso de separação de ambos os lados. 
Camila continuou sua vida de shows em Nova York e Guilherme voltou para o Brasil com o coração arrasado. 


Algum tempo depois, Marina e Pedro decidem que Camila precisa de um período de folga da carreira e a convencem a viajar para o Brasil para rever a família e os amigos. Depois de um tempo relutante, ela decide aceitar a viagem. Novamente em solo brasileiro, Camila quer aproveitar o tempo para descansar, mas devido à sua fama, essa tem sido a única coisa que ela não consegue fazer. Ao invés disso, divide seu tempo organizando eventos no Brasil e pensando no que Guilherme poderia estar fazendo, ou se ele saberia que ela estava ali. Porém, quando acidentalmente ela descobre que Guilherme já está em um novo relacionamento, Camila decide fazer de tudo para provar para o rapaz que a vida dela agora é o mar de rosas que ela sempre sonhou, mesmo sem ele ao seu lado. Mas será que ela estará preparada para tudo o que esta nova etapa da sua vida irá lhe trazer?
"Respirei fundo e tentei encontrar algo que fizesse sentido naqueles últimos vinte minutos, e não consegui. Acho que nada do que ele disse fazia sentido. [...] Ele me queria ao lado dele, mas me mandou para Nova York e não quis me seguir. Mas agora ele estava aqui porque precisava me falar as verdades dele, de madrugada, poucos dias antes do meu show e agora - mais uma vez - ele iria embora e me deixaria mais perdida, confusa e magoada."
Quem já leu a resenha do primeiro livro sabe que algumas coisinhas me deixaram um pouco incomodada no desenvolvimento da história, como um romance mais "água com açúcar" ou o fato de que tudo acontecia muito rápido, mas que independente disto, achei o livro bom! Quando peguei para ler "Um amor, um café e Nova York 2", não esperava que tanta coisa fosse mudar! Neste livro, eu senti o quanto houve um amadurecimento desta nova história, tanto por parte dos personagens, como da narrativa do próprio autor, que me surpreendeu demais com este livro! O segundo livro é narrado exclusivamente pela Camila, que nos conta suas incertezas sobre a viagem ao Brasil, sua confusão de sentimentos a respeito de Guilherme e Phelipe (sim, tem rapaz novo no pedaço!) e sobre as novas oportunidades na sua carreira de cantora. Mas o que eu mais gostei nele foi a diversidade: no primeiro livro, tudo era mais focado na Camila e no Guilherme em Nova York, já que este foi o cenário de quase todo o livro. Neste, já temos vários outros personagens envolvidos e muitos locais diferentes, o que na minha opinião deu um ar mais descontraído. 


Adorei também as referências que o autor fez à vários pontos turísticos brasileiros, como o conjunto de Pampulha em Belo Horizonte. Augusto Alvarenga desde o primeiro livro conseguiu se expressar bem na descrição dos ambientes e isto sempre foi um ponto muito interessante!

E não posso deixar de lado o personagem novo, né? Citei o Phelipe na resenha pois ele é alguém que claramente tem o poder de mudar todo o rumo da história! É mais do que óbvio que a Camila fica atraída pelo novo rapaz (afinal, é um romance!). O livro termina com um gostinho de quero mais, pois quando você acha que já consegue imaginar o rumo das coisas, você percebe que está enganado/a! O relacionamento dela com o Phelipe é completamente diferente do que ela mantinha com Guilherme no primeiro livro e, mesmo eu preferindo o Phelipe, o autor não deixou nenhuma brecha para a gente saber como tudo isso vai terminar! 

Ouvi dizer que "Um amor, um café e Nova York" será uma trilogia. Não sei dizer se isto é verdade, mas torço ansiosamente por um próximo livro (porque tem que ter um próximo!!!) e mal posso esperar para descobrir o rumo das coisas! Enquanto isso, indico à todos vocês este romance nacional leve e divertido.



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

8 ÁLBUNS HISTÓRICOS QUE FORAM ESCULACHADOS PELA CRÍTICA

Apesar de eternizados na história da música, discos clássicos de Led Zeppelin, Radiohead e Rolling Stones foram um fracasso na época de seus lançamentos.
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Alguns discos não fizeram sucesso de início, mas depois marcaram época
Royal Blood. Conhece?
Pois o duo formado por Mike Kerr e Ben Thatcher é a mais nova sensação da música britânica. Formada em Brighton, a banda produz um blues rock garageiro que vem fazendo cair o queixo da Rainha. Fica no meio do caminho entre o lo fi (ou low fidelity) refinado do White Stripes e a crueza empacotada do Black Keys (assim como eles, apostam em apenas dois instrumentos: neste caso, baixo e bateria).
Na última semana a dupla Kerr e Thatcher lançou seu auto-intitulado álbum de estreia, e o resultado foi o seguinte: a bolacha foi direto ao número 1 das paradas, vendeu 66 mil cópias em apenas sete dias e se tornou o debut de rock mais vendido em sua semana de lançamento desde 2011, superando Noel Gallagher e o seu High Flying Birds e até mesmo estreias mais longínquas de outros gigantes do rock inglês, como Kasabian e Muse.
Se o disco é tudo isso? Se você deve correr para a rede social mais próxima e dar um jeito de descolar o álbum?
Bem, aí é uma longa discussão…
Nem sempre as melhores obras ganham o merecido reconhecimento assim que veem a luz do dia. Há uma série de artistas que caem na graça alheia do dia para a noite apenas para cair no esquecimento tempos mais tarde. Os famosos one hit wonders.
Por outro lado, existem aqueles álbuns que inicialmente não parecem trazer grande recheio, mas quando bem maturados acabam entrando para o rol dos clássicos.
Não é preciso fazer esforço para lembrar de grandes clássicos da música que não passaram de fracasso quando de seus lançamentos. Alguns deles chegaram a ser esculachados pela crítica.
A lista é grande, diversa, ultrapassa gerações. Vai de Led Zeppelin a Arcade Fire, Rolling Stones a Radiohead.
É aquela velha máxima: mais vale o sim tardio que o não vazio. Ou, quem ri por último ri melhor.
Conheça 8 álbuns clássicos que demoraram a pegar no tranco. Mas que hoje estão aí, eternizados na história da música.
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Led Zeppelin – Led Zeppelin
Em 2003, a estreia do Led Zeppelin foi eleita pela revista Rolling Stone como um dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. Em 2004, foi introduzida ao Grammy Hall of Fame. Mas em 1969, quando o disco chegou às prateleiras, ele foi recebido assim: “O Robert Plant soa como uma cópia do Rod Stewart, mas não chega nem perto dele. Já o Jimmy Page se mostra um produtor limitado, além de um músico destinado a escrever canções fracas e sem imaginação”.


As palavras do jornalista John Mendelsohn fizeram Page boicotar a Rolling Stone EUA por anos a fio.
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Muse – Showbiz
Embora o título sugerisse outra coisa, o primeiro disco do Muse não passou do número 29 nas paradas britânicas quando de seu lançamento. Desde 1999, porém, já soma mais de 700 mil cópias vendidas, e abriu caminho para os quatro top 1 lançados pelo trio liderado por Matt Bellamy.
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Black Sabbath – Black Sabbath
Considerado por muitos o primeiro álbum de heavy metal de todos os tempos, Black Sabbath foi assim descrito pelo lendário crítico da Rolling Stone EUA, Lester Bangs: “O álbum todo é uma enganação – apesar dos títulos obscuros e letras provocadoras, ele não tem nada a ver com espiritualismo, o oculto ou nada de mais a não ser riffs que tentam imitar o Cream de Eric Clapton, fazendo os músicos soarem como se tivessem aprendido a tocar a partir de um livro de violão”.
Se arrependimento matasse, hein Lester…
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Daft Punk – Discovery
Quando recebeu em suas mãos o segundo álbum da dupla Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, o crítico musical Robert Christgau (um dos mais renomeados do planeta) veio com essa: “Esses caras são tão franceses que eu quero arrancar fora os seus fígados. ‘One More Time’ não passa de uma novidade passageira aqui pelos EUA”.
Mal sabia ele que Discovery ultrapassaria a marca de 3 milhões de cópias vendidas e que “One More Time” é, ainda hoje, o maior sucesso do Daft Punk.
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The xx – xx
Verdadeira obra prima dos anos 00, o álbum de estreia do trio londrino The xx vendeu uma mixaria em sua primeira semana: módicas 4.180 cópias. Foi só em 2010, um ano depois de chegar às prateleiras, quando o disco foi indicado ao Mercury Prize, que ele saltou para o top 15 nas paradas do Reino Unido.
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Rolling Stones – Exile on Main Street
Exile on Main Street passa o tempo todo repetindo a mesma música das mais variadas formas que os Rolling Stones conseguiram. Se por um lado o disco mostra a consistência que a banda sempre teve, por outro faz você querer deixar ele rolando e esquecer que está ouvindo.”
Lançado em 1972, o lendário álbum duplo dos Stones recebeu críticas pesadas como essa, do renomado jornalista musical Lenny Kaye. O que não o impediu de ser eleito pelas mais variadas publicações, entre elas Q,Entertainment Weekly e Rolling Stone, como um dos melhores discos de todos os tempos. Nem de ser nomeado pelo Rock and Roll Hall of Fame o sexto em sua lista definitiva dos “200 álbuns que todo fã de música deve ter”.
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Radiohead – Ok Computer
O mesmo Robert Christgau que esculachou o Daft Punk veio com essa, logo após ouvir a obra prima do Radiohead, em 1997. “A ideia deles de alma é o Bono, a quem não cansam de imitar sob o risco de parecerem ainda mais ridículos do que já são.”
O que dizer a Robert? Que Ok Computer emplacou hits como “Paranoid Android” e “Karma Police”, vendeu mais de 8 milhões de cópias e é tido por muitos como o álbum que antecipou o estilo de vida do século 21.
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Arcade Fire – Funeral
Quando chegou às prateleiras, em setembro de 2004, Funeral aparentava ser apenas mais uma promessa indie a cair no esquecimento. Em sua semana de estreia, não passou das 4.782 cópias vendidas.
Dez anos mais tarde e lá estão os canadenses encabeçando o line up do Glastonbury Festival…

Byzantium

por 

Após 18 anos de "Entrevista com o Vampiro", Neil Jordan retorna ao universo dos que têm sede de sangue.

Seguindo uma estranha lógica, os filmes de vampiros hoje não podem apresentar seus protagonistas daquela forma clássica que conhecemos, imortalizada por Béla Lugosi em "Drácula", de 1931. Para os jovens que não sabem, vampiros antigamente morriam quando entravam em contato com a luz do dia, tinham medo de cruzes, não possuíam reflexos, queimavam com alho, água benta, e por aí vai. 

Bem, enquanto algumas "inovações" acabaram por diminuir (e até mesmo ridicularizar) a importância destes personagens no universo da sétima arte, vemos com obras como "Byzantium" que releituras podem sim ser muito bem-vindas, principalmente quando novas ideias são apresentadas de maneira inteligente, e sem perder a essência do gênero em momento algum. 

O roteiro de Moira Buffini, adaptado de sua própria peça, busca inspirações em diversos lugares obscuros, fazendo de seus vampiros criaturas completamente distintas. Eles seriam melhor descritos como revenants, entidades sobrenaturais, fantasmas ou espectros que existem para aterrorizar os vivos. Neste caso, estamos falando de seres que bebem sangue, mas que não possuem dentes pontiagudos.



A criatividade em torno da origem desta mácula (ou dádiva) é imensa. Certo romantismo se mistura a uma linguagem contemporânea, e tudo é devidamente amarrado, desde a criação dos neófitos, até o rígido propósito e conduta dos mesmos. Obviamente, a estranha existência proposta pelo texto possui muitos mistérios, pois nem tudo poderia ser mastigado para o público. Mas para Buffini, o vampirismo é como um clube que literalmente exige um ingresso de entrada. Se alguém não foi convidado, e mesmo assim conseguiu se infiltrar, deve cair fora imediatamente, de preferência em duas partes bem específicas.

Mas indo além da estruturação deste universo mítico de vampiros irlandeses, o roteiro explora a mente de uma garota que não consegue esquecer 200 anos de existência. Um fardo inimaginável. Eleanor é uma imortal que vive fugindo, e suas lembranças de tempos passados tornaram-se insuportáveis, assim como o segredo em torno de sua condição. A jovem é acompanhada por sua mãe, Clara, mulher que honra as tradições do mais antigo trabalho de que se tem notícia, e que possui grande facilidade em viver apenas o presente. Mas o passado surge implacável para as duas.



E retratando tudo com um olhar clínico, temos Neil Jordan. Oferecendo sequências meticulosas, o diretor trabalha de forma excepcional seus cenários, cores e fotografia, recortando belíssimos enquadramentos, e estruturando com competência uma rica narrativa que passeia por diferentes personagens, locais e épocas. O trabalho de Jordan faz de "Byzantium" um filme visualmente atrativo e pouco comum. Ele foge constantemente do tradicional, e o resultado é uma linguagem que não se prende a moldes.

O elenco se relaciona de forma eficiente. Ele é composto pela bela Gemma Arterton,Sam RileyDaniel Mays, Caleb Landry Jones, o ligeiramente destoante Jonny Lee Miller e Tom Hollander. O destaque é sem dúvida a pureza emulada por Saoirse Ronan, jovem e experiente atriz que faz de Eleanor uma pessoa admirável, melancólica e corajosa à sua maneira. A ótima construção da personagem facilita o trabalho da intérprete, mas a mesma se empenha em destacar sua personalidade no resultado final.

Em resumo, "Byzantium" não é um filme SOBRE vampiros, ele é um autêntico filme DE vampiros. O roteiro de Moira Buffini reinventa com criatividade a existência destes seres imortais que se alimentam de sangue, injetando na história uma voz singular, que não busca uma audiência específica, mas sim uma proposta diferenciada. Dando corpo a tudo isso, evidencia-se o trabalho de Neil Jordan, que depois de 18 anos de "Entrevista com o Vampiro", retorna de forma contundente ao gênero. Em "Byzantium", tudo é ofertado na medida certa, como suspense, drama, romance e decapitações. Recomendado principalmente para os antigos membros da Camarilla.





Byzantium: 2012/ Reino Unido, EUA, Irlanda/ 118 min/ Direção: Neil JordanElenco: Saiorse Ronan, Gemma Cassin, Sam Riley, Daniel Mays, Caleb Landry Jones, Jonny Lee Miller, Tom Hollander

A Noite das Bruxas de Agatha Christie

Livro cedido pela editora para resenha
ISBN: 9788525431585
Tradução: Bruno Alexander
Ano de Lançamento: 2014
Número de Páginas: 256
Editora: L&PM
Classificação: ♥♥♥
Era a vez da viúva Rowena Drake ser a anfitriã da tradicional festa de Halloween do vilarejo. Durante os preparativos, Joyce, uma irrequieta menina de treze anos, gaba-se por já ter testemunhado um assassinato. Ninguém lhe dá ouvidos e tudo transcorre bem em meio a brincadeiras do dia das bruxas, até que um crime interrompe a diversão. Hercule Poirot prepara-se para uma noite entediante quando é surpreendido por uma ligação aflita de sua velha amiga e escritora de livros policiais Ariadne Oliver, convicta de que só ele poderia desvendar esse mistério antes que um novo crime aconteça… 


"Tudo tem que ter sua ordem e método. A gente deve terminar uma coisa antes de começar outra."  – Agatha Christie

Gente, um livro desses nem precisa de resenha! Agatha Christie é a rainha, a diva, a mãe e a avó dos livros policiais de mistério e suspense. Dizer-se que gosta de thrillers policiais e nunca ter lido um único livro da autora é o mesmo que dizer que se pode viver sem respirar. Sério!

Os livros de Agatha Christie já foram publicados em mais de 100 idiomas e já venderam mais de 4 bilhões de exemplares em todo mundo, totalizando 66 novelas policiais e 163 contos. E esse feito rendeu-lhe o título de"a autora mais vendida no mundo", recorde mundial registrado no Guinness Book of World Records. As vendas dos seus livros só são superados pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare. As suas inspirações literárias foram as obras de Conan DoyleEdgar Allan Poe e LerouxO Assassinato de Roger Ackroyd é considerado, desde 1926, sua obra-prima. Agatha Christie, nascida em 1890, faleceu em 1976, aos 85 anos de idade. No cinema, desde 1928 até 2008, PoirotMiss MarpleTommy TuppenceMr. QuinParker Pyne, entre outros de seus personagens, foram vistos em mais de 30 longas-metragens e 20 adaptações para TV.

“Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente feliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com certeza, que estar viva é sensacional.” – Agatha Christie

Particularmente, sou suspeita de falar sobre algum livro de Agatha Christie, porque adoro os livros da autora. Lembro quando peguei A Noite das Bruxas para ler na biblioteca da escola, e como o devorei em algumas horas. Por coincidência, foi o primeiro livro que li da autora, e desde então me apaixonei! A Noite das Bruxas tem tudo o que Christie sabe fazer de melhor, e adorei relê-lo, porque este é mais um dos seus bons romances de mistério.

A fórmula é perfeita, quase mágica: um assassinato, vários suspeitos, um detetive implacável (diga-se Mrs. Poirot), muito suspense e muitas pitadas de mistério, personagens ricamente ilustrados, diálogos inteligentes, narrativa envolvente (para não dizer viciante), um toque de mitologia e sobrenatural e… voilà: temos um thriller policial que só a maga Agatha Christie consegue idealizar. A Noite das Bruxas agradará em cheio os fãs mais ardorosos, calejados na leitura da autora, e até os novatos que estão iniciando nesse caminho agora.

“A melhor receita para o romance policial: o detective não deve saber nunca mais do que o leitor.” – Agatha Christie

Editora L&PM está de parabéns por essa republicação e por outras, com o detetive Hércules Poirot. São mais de 30 livros lançados pela L&PM, entre os quais destaco: Morte no NiloOs Trabalhos de HérculesAssassinato no Expresso OrienteO Natal de PoirotDepois do Funeral, entre outros. Recomendo sempre! Boa leitura!

Review: ‘Sound of Redemption’ Traces Frank Morgan’s Route From Jazz Musician to Prisoner and Back


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Frank Morgan performing in 1992, in “Sound of Redemption.”CreditJames Gudeman/Green Garnet Productions LLC
In the 1950s, some jazz musicians believed they couldn’t get that Charlie Parker “happy-sad feeling without using drugs.” So says a friend of the saxophonist Frank Morgan in “Sound of Redemption,” a documentary that revels in the happy despite some seriously sad events.
Mr. Morgan was born into music. His father was a professional musician who used to play his guitar while pressing it against the belly of his pregnant wife, and later played by his son’s crib. Mr. Morgan was an accomplished saxophonist by the time he was a teenager; it’s said that when he performed with Billie Holiday, his music made her cry.
His renown grew, as did an addiction to heroin. His drug habit was soon financed by crime, and for some 30 years he was in and out of prison. After his last stint, he was released and went on to record some of his finest work.
The film, directed by N.C. Heikin, traces Mr. Morgan’s career with beautiful black-and-white photographs and newsreels. Those scenes are intertwined with segments from a 2012 tribute concert at San Quentin prison in California, five years after his death.
“Sound of Redemption,” subtitled “The Frank Morgan Story,” isn’t a hard-hitting exploration. Though Mr. Morgan’s grittier side is outlined, it’s not deeply investigated. (When a former wife says that the only way to love Frank Morgan was to “live in a state of exasperation,” you long to hear more about their marriage, and his demons.) Instead, it’s a fond and forgiving tribute to the man, filled with music that moves beyond happy and sad, and toward something like brilliance.


“Sound of Redemption: The Frank Morgan Story” is not rated. Running time: 1 hour 24 minutes.

Superman is furious in new clip from Batman v Superman: Dawn of Justice

New footage from Zack Snyder's superhero mash-up premiered during the fall finale of Gotham

Henry Cavill as Superman in Batman V Superman: Dawn of Justice
Henry Cavill as Superman in Batman V Superman: Dawn of Justice

Review: ‘Hitchcock/Truffaut’ Revisits the Master of Suspense

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François Truffaut, left, and Alfred Hitchcock in a scene from the Kent Jones film “Hitchcock/Truffaut,” which revisits their 1962 interview. CreditPhilippe Halsman/Cohen Media Group
“Psycho” (1960) was the first film I saw in a movie theater, an experience that my 7-year-old self was ill-equipped to parse. Surrounded by jittery adults, I puzzled over everything, and not just the frantic screaming that mimickedBernard Herrmann’s devilishly clever musical cues. Why, I wondered, was Janet Leigh wandering around in her bra in the middle of the afternoon?
That juxtaposing of sex and terror was as essential to Alfred Hitchcock’s cinematic style as his meticulous deployment of icy blond actresses. Disappointingly, Kent Jones’s documentary “Hitchcock/Truffaut” — though not nearly as dry as its title — barely tickles Hitchcock’s fascinating fetishes. Despite a promising nod to the brilliant perversions of “Marnie” and “Vertigo” (which few can deny is one terrifically sick movie), Mr. Jones remains rigidly focused on hammering home the director François Truffaut’s motivation for writing the 1966 book on which this film is based: To lead Hitchcock, then widely considered a mere commercial entertainer, out of the shoals of populism and into the cineaste spotlight. Truffaut knew that hindsight was better than no sight at all.
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Hitchcock/Truffaut Official Trailer 1 (2015) - Wes Anderson, Olivier Assayas Movie HD Video by Movieclips
Just as a snooty reader might be enticed to the novels of Stephen King by a thumbs-up from The New York Review of Books, movie buffs were likely to view Truffaut’s enthusiasm for Hitchcock as a sufficient entree to their discerning fold. But the book, an engrossing record of Truffaut’s dayslong interview with his idol in 1962, did more than just reposition its subject’s reputation. It also provided riveting insight into the art and craft of moviemaking, revealing Hitchcock’s mastery of time and space and his unwavering preference, honed by his period of making silent movies, for image over dialogue.
Curating a selection of the original interview recordings (whose sound quality is damn near pristine), Mr. Jones fashions an unfaltering encomium that’s entirely free of the highfalutin monologues that might deter noncinephiles. Bob Balaban’s intermittent narration is soft and unintrusive, and a chorus of lauded directors, mostly American and all male (I can’t help thinking that a woman might have dug deeper into the significant contributions of Hitchcock’s wife and collaborator, Alma Reville), chime in with acuity and ardor.
What they don’t do is show how their own movies might have been influenced by Hitchcock’s technique, which Mr. Jones lovingly illustrates in dissections of a few of the master’s most memorable scenes. Though merely a tasting menu, these moments add jolts of pulpy fun and allow their creator to speak for himself. The man who embraced many of the characteristics that movie snobs love to denigrate — his genre; his prolific output (at the time of the interview, he was just completing his 48th film); the constraints of the studio system — is finally his own best argument for the happy coexistence of art and entertainment.
“Hitchcock/Truffaut” is rated PG-13 (Parents strongly cautioned). Have you seen ‘Psycho’? Running time: 1 hour 20 minutes.