Johnny Depp's prosthetic nose steals the show in this lumpy true-crime thriller about the Boston gangster Whitey Bulger
Johnny Depp has an extraordinary face. So why doesn’t he use it? In Black Mass, the new true-crime thriller from Scott Cooper, the actor is buried beneath a rubber nose and forehead, an artificially receding hairline, replacement eyebrows, crumbling, brown fake teeth, lizard-blue contact lenses, and a topcoat of sickly, grey-green make-up. In still photographs, the look just about works, but in the film, he often might as well be acting through a naan bread.
Depp plays James "Whitey" Bulger, the head of the Winter Hill Gang, who dealt drugs and ran an extortion racket on the streets of inner-city Boston in the Eighties and early Nineties while simultaneously working as an FBI informant. The character is a monster – and perhaps the purpose of the prosthetics is to make that monstrousness obvious, bringing it right up to the surface of the man, like scum on a stagnant pond. But in practice, it’s dramatically stifling, and, at worst, distracting: during a dinner scene, I kept expecting Bulger’s nose to hinge forwards and drop into the soup.
In Martin Scorsese’s operatic Boston mob epic The Departed, Jack Nicholson played a character heavily based on Bulger, and did it with nothing more than a smear of grease through his hair and a satanic goatee. Perhaps if Depp had done the same, Bulger might have been his long-hoped-for comeback to serious acting: in the end, he just feels like another Mad Hatter.
That’s a negative way to begin what is, on balance, a positive review. But this is a deeply exasperating film: lumpy, unbalanced and often derivative, but with isolated moments of riveting drama.
Cooper (Crazy Heart, Out of the Furnace) borrows heavily from the Scorsese stylebook throughout: even his quick shots of cash-counting machines look like they were cribbed from Casino. But he mostly ignores the empire-building part of the story that’s so darkly satisfying in Scorsese’s gangster biopics.
Instead, his film luxuriates in the grisly details – the behind-the-scenes shootings and throttlings that for Bulger seem to qualify as both business and pleasure. You might expect a film called Black Mass to be a horror movie, and in a sense, right down to Tom Holkenborg’s throbbing, string-heavy score, that’s what it is.
Frustratingly, Mark Mallouk and Jez Butterworth’s screenplay, adapted from a book by two Boston journalists, never really manages to explain why Bulger is who he is – instead, it settles for defining him in terms of who he isn’t. He has two close relationships: one is with his white-sheep brother Bill (Benedict Cumberbatch), a Massachusetts state senator, and the other with John Connolly (Joel Edgerton), an FBI agent and long-time Bulger family friend, who’s prepared to milk that connection for his own professional advancement.
Benedict Cumberbatch and Johnny Depp in Black MassCredit: Warner Bros
At the start of the film, Connolly offers Bulger a deal. If he'll help squash the growing Italian Mafia in the city with the occasional tip-off, the FBI will allow the Winter Hill Gang to continue their operations unhindered. It’s an arrangement that initially pays off handsomely for both parties, but the compromise eats away at Connolly’s integrity – and soon enough, the lawman is more Bulger’s source than Bulger is his.
But Edgerton’s portrayal of Connolly’s slide to the dark side is full-throated and gripping, and he shares some terrific scenes with a couple of suspicious FBI superiors, played by Kevin Bacon and Corey Stoll, who both come to doubt the value of the Bulger deal. Better still is a wrenchingly unpleasant conversation at Connolly’s house, in which a light-hearted chat about a steak sauce recipe leads to not one, but two barely veiled threats of murder, and makes clear the specific whirrings of Bulger’s criminal mind.
It’s in scenes like these that the supporting cast members get a momentary chance to shine: Julianne Nicholson as Connolly’s increasingly uneasy wife, Dakota Johnson as the mother of Bulger’s kid and Peter Sarsgaard as an obstreperous cokehead all make a lasting impression in too-small roles.
Play!02:30
Perhaps best of all is Juno Temple as a puppyishly naive streetwalker who becomes a liability to Bulger’s operation, and whose neck might as well be marked "strangle here". The sense of doom as soon as she appears on screen is what Black Mass does best. It’s just a pity that the film, much like Depp’s latex-swathed face, doesn’t quite add up to a plausible whole.
São muitos os bons documentários sobre Rock 'N' Roll, por isso ainda temos dezenas de coisas para falar aqui nos Arquivos do Rock. Confira agora a terceira parte de nossa epopeia da sonzeira, e se faltou algum doc que você curte, não se alarme, ele provavelmente será comentado em breve. Caso tenha perdido a primeira e segunda parte, cliqueAQUI 1 e AQUI 2. _____________________________________________________________________
Sound City (2013) Para começar esta primeira análise é preciso dizer que, infelizmente, o lendário estúdio Sound City já fechou suas portas. Como um verdadeiro símbolo, ele tombou diante do imediatismo da música atual, que tornou tudo mais fácil, comercial e bem menos interessante. No documentário "Sound City", o músico e (pela primeira vez) diretor Dave Grohl(Nirvana, Foo Fighters), além de prestar uma sincera homenagem, também realiza uma espécie de tributo pessoal ao mítico local de pura criação. O grande mérito (e maldição) do Sound City foi sua honestidade. A primeira vista o lugar não parecia muito coisa, e sua localização era bem estranha (em Van Nuys, na Califórnia, ao lado de uma fábrica da Budweiser, sendo o cheiro podre do lúpulo um cartão postal das bandas). Ele era sujo e mal organizado, do tipo onde se apagava bitucas no chão e ninguém se importava em derramar uísque. Mas como disse, o estúdio era honesto, e sua maior batalha foi tentar permanecer no ramo da música, mesmo com toda sua autenticidade. Leia a crítica completa do filme AQUI.
Sound City: EUA/ 2013/ 108 min/ Direção: Dave Grohl/ Elenco: Vinny Appice, Joe Barresi, Brian Bell, Frank Black, James Brown, Lindsey Buckingham, Mike Campbell, Tim Commerford, Kevin Cronin, Rivers Cuomo, Warren Demartini, Mike Fleetwood, John Fogerty, Neil Giraldo, Christopher Allen Goss, Taylor Hawkins, Peter Hayes, Joshua Homme, Rami Jaffe, Alain Johannes, Barry Manilow, Paul McCartney, Steve Nicks, Rick Nielsen, Krist Novoselic, Tom Petty, Trent Reznor, Keith Olsen, Paula Salvatore, Ross Robsinson, Shivaun O'Brien, Tom Skeeter, Corey Taylor, Pat Smear, Lars Ulrich, Rick Springfield, Butch Vig, Lee Ving, Brad Wilk, Pat Wilson ___________________________________________________________________________________________________________
Anvil: The Story of Anvil (2008)
O documentário corajoso do diretor Sacha Gervasi, juntamente com Steve 'Lips' Kudlow (vocal e guitarra Solo) e Robb Reiner (baterista) - membros originais da banda Anvil - é um atestado daquilo que existe de mais real e puro no Rock 'N' Roll. Em 1984 o grupo estava no auge. Um show no Japão para milhares de pessoas foi um dos pontos máximos da carreira. No mesmo show tocaram Scorpions, Bon Jovi, Whitesnake... conjuntos que superariam o número de um milhão de cópias vendidas nos anos seguintes. Mas o Anvil era de longe a melhor das apresentações. O problema foi que com o passar dos anos o quarteto caiu no esquecimento, e essa dura realidade, chamada anonimato, atingiu a cabeça dos caras como uma sentença. Leia a crítica completa do filme AQUI!
Anvil! The Story of Anvil: Canadá / 2008/ 80 min/ Direção: Sacha Gervasi/ Elenco: Tom Araya, Scott Ian, Robb Reinner, Steve 'Lips' Kudlow, Lemmy, Slash, Lars Ulrich, John Zazula ___________________________________________________________________________________________________________
Raul - O Início, o Fim e o Meio (2012) Quando Raul Seixas nasceu, em 1945, não existia o Rock 'N' Roll. Muitos talvez nunca pensaram nessa estranha realidade, essa difícil concepção em que... o Rock... simplesmente não existe. Deveria ser algo enlouquecedor. Mas para salvar o baiano havia Luiz Gonzaga. Muitos outros garotos esperavam naquela época, inconscientemente, um sinal para despertar - como espiões adormecidos que saberiam o exato momento de atacar. Lennon disse certa vez que, após ver um cinema lotado de garotas histéricas gritando para oElvis da tela, decidiu então, naquele exato momento, que seria uma estrela do rock. E o mesmo aconteceu com Raul Seixas. O som vindo da América foi algo que mudou o garoto para sempre. A voz marcante deLittle Richard, a guitarra desafiadora de Chuck Berry, a atitude e personalidade do Rei... tudo isso moldou a base da carreira de um dos mais influentes músicos desse país, mesmo ele acreditando não ter nada a ver com a linha evolutiva da Música Popular Brasileira... Mas sim, ele teve a ver... pois Raulzito fazia arte, e não apenas Rock 'N' Roll. Ele compunha boleros, forrós, tangos em que dançava com a morte, valsas orquestradas e de letras profusas, que de tão inteligentes, talvez nunca recebam aquele "tal cuspe" merecido. Mais ou menos isso. Neste documentário temos finalmente um retrato consistente de quem foi o maior rockeiro de nosso país. Leia a crítica completa do filme AQUI!
Raul - O Início, o Fim e o Meio: Brasil/ 2012/ 128 min/ Direção: Walter Carvalho, Leonardo Gudel/ Elenco: Paulo Coelho, Luiz Carlos Maciel, Roberto Carlos Menescal, Marcelo Nova, Caetano Veloso, Tom Zé, Pedro Bial, Kika Seixas ___________________________________________________________________________________________________________
Botinada: A Origem do Punk no Brasil (2006) Dirigido pelo Gastão Moreira, "Botinada: A Origem do Punk no Brasil" é com certeza um dos melhores documentários nacionais sobre nossa "música popular brasileira". O filme narra a ascensão dopunk rock no país, que alcançou o ápice de sua glória entre os anos de 1976 a 1984. Reunindo então os porta-vozes deste movimento, podemos entender melhor como tudo aconteceu. Acompanhado de um humor natural (devido a porra louquice de que se trata o tema), a fita é extremamente envolvente, muito bem detalhada e conduzida. Todos os elementos da fase inicial são destrinchados pelos entrevistados: a dificuldade de acesso ao som que vinha das gringas, a reivindicação da origem do movimento (SP x Brasília), os shows de fita, o Construção e o Templo, a galera do Carolina, as primeiras bandas, os primeiros discos, o show para a burguesada do Gallery, O Começo do Fim do Mundo, as tretas violentas entre as gangues "Warriors" de SP e ABC, o preconceito, a calúnia e difamação da mídia, e claro, os punks da época, dos quais já não se fazem mais. O documentário faz questão de enfatizar a importância das pessoas que lutaram por tudo aquilo, como o Kid Vinil com seu influente programa de rádio na Excelsior em 1978 (entre muitas outras coisas que o cara fez), o empenho do Fabião (vocalista da Olho Seco) para gravar o primeiro álbum independente de punk do país, ou do Redson(vocalista do Cólera, que morreu prematuramente em 2011) para gravar o segundo. Além desses caras temos entrevistas com: Clemente (Inocentes), Ariel (Restos de Nada), João Gordo (Ratos de Porão), Marcelo Nova (Camisa de Vênus), Mau (Garotos Podres), Wander Wildner (Replicantes), Pádua (Passeatas), Frango (Fogo Cruzado), Morto (Psykóze), Mingau (Ratos...), Tikinho (Lixomania), Valson (AI-5), Zorro (M-19), Antonio Bivar (Jornalista), Pierre (Cólera), Miro (Lixomania), Muniz (Fogo Cruzado), Tikão (M-19), entre muitos outros. "Botinada: A Origem do Punk no Brasil" é um filme de baixo orçamento feito com muita raça e determinação - e nada é mais punk que isso. Um documento importantíssimo (e talvez definitivo) sobre o punk nacional, que deve ser consumido com ódio e satisfação. PS: PAU NO CÚ DA GLOBO!
Botinada: A Origem do Punk no Brasil:Brasil/ 2006/ 75 min/ Direção: Gastão Moreira/ Elenco: Fabião, Redson, Kid Vinil,Clemente, Ariel, João Gordo, Marcelo Nova, Mau, Wander Wildner, Pádua, Frango, Morto, Mingau, Tikinho, Valson, Zorro, Antonio Bivar, Pierre, Miro, Muniz, Tikão ___________________________________________________________________________________________________________
The Doors: When You're Strange (2010) É realmente triste (e um pouco perturbador) entender como foi a desintegração psicológica e física de Jim Morrison."The Doors: When You're Strange" foi um documentário feito para a famosa série de filmes para TV, "American Masters", e oferece um retrato investigativo da história do quarteto com imagens raras, exclusivas e uma narração generosa do astro de Hollywood Johnny Depp. No entanto, o que fica do filme é a personalidade distorcida de Morrison. Criado por um pai militar, o cara se rebelou de maneira vertiginosa com sua música, e mesmo não tendo alcançado o sucesso que deveria na época (devido ao seu comportamento errático nos shows), hoje ele é canonizado como um dos maiores ícones do Rock 'N' Roll. Nada mais justo, afinal. Temos então todos os fatos e lendas em torno dele, como sua perturbada declaração em que diz que gostaria de matar o próprio pai e fazer sexo com a mãe. Foram muitas ofensas, prisões, porres homéricos e agressões ao público. Após um tempo, devido ao excessivo uso de drogas e álcool, ele já não conseguia compor nada, nem mesmo ensaiar. Se tornou um elefante no quarto, inconsciente, que amarrava o sucesso da banda, os arrastando à deriva. Como disse no início, é algo muito triste de fato, levando em consideração o poder de suas letras e a alta qualidade sonora dos músicos. Mas esse é um dos preços a se pagar por voar alto demais, e Morrison praticamente beijou o sol.
The Doors: When You're Strange:EUA/ 2010/ 86 min/ Direção: Tom DiCillo/ Elenco: Johnny Depp, John Dnsmore, Robby Krieger, Ray Manzarek, Jim Morrison, Jim Ladd, Adolf Hitler, Janis Joplin, John F. Kennedy, Martin Luther King, Richard Nixon, Elvis Presley, Ed Sullivan, Andy Warhol __________________________________________________________________________________________________________
Imagine: John Lennon (1988) Os Beatles foram, inegavelmente, uma força que influenciou não só a musica mundial, como também seu comportamento em geral. Mesmo com diversos documentários sobre o Fab-Four adisposição, o mais interessante de "Imagine" é que ouvimos as versões dos fatos diretamente da boca de John Lennon (por meio de infindáveis entrevistas), além de outras pessoas importantes, como seus filhos Julian Lennone Sean Lennon, da ex-esposa Cynthia Powell, também Yoko Ono Lennon, e por aí vai. O filme alicerça de maneira elaborada todo a trajetória que fez do cantor um ícone do rock, com suas qualidades e perturbações. Podemos entender melhor a complicada relação dele com a mãe, os shows e bebedeiras em Hamburgo, o sucesso assustador quando jovem, as declarações polêmicas, as crucificações, o fim do sonho, osBed-Ins, os vícios, enfim, o filme demonstra através dos erros e acertos de Lennon que o mesmo era um ser humano comum, dono de uma naturalidade que já não existe mais no universo do showbiz. Acima de tudo, o cara não tinha medo de errar, ou pelo menos tinha muito menos medo do que a maioria de nós. Como pano de fundo podemos ver também a produção do álbum "Imagine", um dos mais emblemáticos de sua carreira. Vê-lo cantarolar a canção que dá nome ao disco para seus amigos pela primeira vez é algo de valor inestimável. Em certo momento da fita, John recebe em sua casa um sujeito visivelmente perturbado, que rondava a enorme mansão que lhe servia de estúdio na ocasião, querendo conversar com ídolo para confirmar "que tudo se encaixava". O ex-Beatle se comovia com essas atitudes, se sentia responsável por estas pessoas. No final, este foi apenas um indício de quão assustadora poderia se tornar a idolatria em torno de sua pessoa.
Imagine: John Lennon:EUA/ 1988/ 100 min/ Direção: Andrew Solt/ Elenco: John Lennon, Yoko Ono, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, david Bowie, Phil Spector, Cynthia Lennon, Julian Lennon, Sean Lennon, Dick Cavett, Salvador Dalí, Brian Epstein, Mal Evans, Elton John, George Martin, Klaus Voormann, Andy Warhol __________________________________________________________________________________________________________
A Todo Volume (2008) A principal motivação que levou o diretor Davis Guggenheim a realizar o documentário "A Todo Volume" foi prestar uma homenagem ao mais simbólico instrumento do Rock 'N' Roll: a guitarra. E para compreender melhor este objeto mágico, ele convidou três guitarristas extremamente distintos para contarem e discutirem suas histórias, influências, crenças e filosofias. Os caras escolhidos foram Jack White - conhecido principalmente pelo seu trabalho no The White Stripes, este é praticamente um artista conceitual do rock, que sente um prazer incomensurável em se manter natural, enraizado nas origens do blues, tirando som até mesmo de um pedaço de pau com uma corda amarrada nele -, The Edge - o espirito criativo do U2, um arquiteto sonoro fundamentalmente adepto de novas tecnologias, como pedaleiras, sintetizadores e tudo que possa acrescentar algo diferente ao seu estilo e sonoridade -, e o lendário Jimmy Page - conhecido por seu papel de protagonista no Led Zeppelin, o cara se encaixa entre o rústico e o novo, um compositor experiente, mestre em seu ofício e dono de riffs fodásticos. O filme traça então, de maneira instigante, todo o background dos guitarristas: o passado conturbado da Dublin em guerra de The Edge, a prolífera carreira como músico de estúdio de Page - que não supria suas necessidades por Rock 'N' Roll -, e a personalidade diferenciada de Jack White, um cara jovem que merecia ter nascido nos anos 30. Com uma direção atenciosa, e oferecendo uma bela fotografia, o diretor Guggnheim produz um eficiente documento que edifica o poder da guitarra. A edição sagaz mistura algumas sequências lúdicas (quase todas de Jack White), e utiliza animações inteligentes para exemplificar situações, o que torna tudo ainda mais cool. É maneiro demais ver os caras conversando e tocando juntos.
A Todo Volume/ It Might Get Loud:EUA/ 2008/ 98 min/ Direção: Davis Guggenheim/ Elenco: Jimmy Page, The Edge, Jack White, Link Wray, Bono, Michael McKean, Robert Plant, Meg White __________________________________________________________________________________________________________
Foo Fighters: Back and Forth (2011) É muito interessante entender melhor como foi o fim do Nirvana para Dave Grohl. Talvez este seja o mais importante elemento de "Foo Fighters: Back and Forth", pois o músico detalha minuciosamente todos os seus passos após os suicídio de Kurt Cobain. Grohl teve que se reinventar, e certo dia gravou uma fita cassete na garagem de sua casa, e estas músicas foram basicamente o primeiro álbum do Foo Fighters. Ele recusou se estabelecer como baterista do lendário Tom Petty, para assim iniciar sua banda do nada, tocando em espeluncas, por muito pouca grana e pouco reconhecimento. Mas o batera que se tornou vocalista se saiu bem, e o Foo Fighters se tornou um grande sucesso. Os caras fizeram turnês colossais, mas um problema sempre os acompanhou: o entra e sai de integrantes. Primeiro foi o batera original que saiu, e Taylor Hawkins o substituiu. Depois vieram uns quatro guitarristas, que, ou eram dispensados por não se entrosarem, ou abandonavam o barco sem motivo aparente - Pat Smear, ex-The Germs, decidiu sair fora no auge do sucesso, por exemplo. Bem, resumindo, eu não sou tão fã assim de Foo Fighters, mas respeito o seu trabalho e reconheço o enorme valor de Dave Grohl para a história da música. O documentário é muito bem produzido e se torna relevante até para quem não conhece muito a banda.
Foo Fighters: Back and Forth:EUA/ 2011/ 150 min/ Direção: James Moll/ Elenco: Shawn Cloninger, William Goldsmith, DavidGrohl, Taylor Hawkins, Rami Jaffee, Krist Novoselic, Pat Smear, Butch Vig
Retrô, moderno, dançante, bonito, eletrônico e comercial. É tudo isso mesmo e ainda tem solos de trompete e sax
Por Lucas Scaliza
Se a pós-modernidade artística é a crença ou a capacidade de usar todos os referenciais existentes como ferramentas para algo novo – como prédios cheios de transparências, mas com colunas gregas e decoração egípcia – e ainda por cima não ter o puder de anunciar que essa arte está à venda, podemos dizer então que Parov Stelar é pós-moderno pra burro!
Parov Stelar – codinome do austríaco Marcus Füreder – é um músico, produtor e DJ que tem se destacado. Desde 2001, lançou 13 álbuns e ficou conhecido por iniciar um tipo de música eletrônica chamada de electroswing. Esse estilo consiste em se apoiar em músicas antigas de swing e dar uma roupagem nova a elas, com as batidas do eurodance e do house atual, mas mantendo o feeling original da gravação de época, dando a várias de suas músicas um sabor vintage embalado com modernidade. O álbum duplo The Demon Diaries, seu novo disco, tem muito disso.
“Clap Your Hands”, single do trabalho, é o exemplo mais fácil. A voz e o naipe de sopros são gravações dos anos 30 (você percebe fácil a qualidade abafada do vinil da época), mas Stelar coloca uma batida de house e um baixo e faz a música transitar entre o hoje e os anos 30. Retrô, mas moderno. “The Green Frog”, “Djangos Revenge” e “Gin Tonic” usam o mesmo modus operandi. A música é atual, mas quando as partes vintage aparecem, você nota imediatamente. Ou então seções melódicas (no sax, trompete ou piano) são gravados com produção atual, mas a música remete ao passado.
A princípio, essa mistura pode causar estranheza. É como se Stelar estivesse recriando músicas clássicas de bailes dos EUA de 1920 a 1940 e dando uma cara comercial para o mercado das boates de hoje. E em grande medida, é isso mesmo que ele está fazendo. Mas após o momento de estranheza, dá para apreciar o resultado. “Don’t Mean a Thing”, também dentro desse esquema moderno-retrô, ficou ótima. Já “Josephine” se aproveita de um esquema muito usado na música eletrônica dos últimos anos (feito para funcionar perfeitamente em qualquer pista de dança de qualquer parte do mundo) e apenas insere ali no meio da batida e do teclado a melodia anos 30 dos sopros.
Mas o primeiro disco tem outras músicas que não se apoiam no electroswing. A bela “Keep This Fire Burning” usa muito bem violinos para dar o clima triste da música enquanto o piano trata de temperar a harmonia. Com Timothy Auld nos vocais, “Hooked on You” é um eurodance bem comercial. “Heat Me Like a Drum”, outra na voz de Auld, tem um violão comando o ritmo junto com batidas de house que remetem à música do leste europeu. Essas influências do leste é outra característica que encontramos na obra de Marcus Füreder. E “I Nedd L.O.V.E” combina tudo – house, electroswing e sopros – e ainda acrescenta uma guitarra bem funkeada.
Isso tudo está no primeiro disco de The Demon Diaries. É inegável que há um misto tanto de criação artística quanto de pastiche artístico, onde se toma a referência só para poder transformá-la em outra coisa mais vendável e, talvez, sem o respeito ou a homenagem ao estilo. Como já anunciado, o álbum é para as pistas.
No segundo álbum, Parov Stelar parece seguir uma linha mais artística e mais contemporânea, retirando o pastiche de cena. Se no primeiro é o ritmo dançante e animado que predomina, o segundo se deixa ser mais viajante e se aproveita de melodias do jazz, mas sem perder a música acessível de vista, ficando ali entre um Chromeo e um Röyksopp.
“The Sun”, com Graham Candy, “Six Feet Under”, com Claudia Kane, e “Walk Away”, com Anna F., são músicas mais parecidas com a produção radiofônica de Moby. A ótima “Summertime” tem base (bateria e baixo eletrônicos) de electrohouse, solos de trompete jazzistas (que lembram a trilha do seriado Homeland) e Maya Bensalem interpreta com o mesmo drama de uma Lana Del Rey. Se no primeiro disco ele faz uma “Josephine” para pistas, no segundo Anduze cantar uma versão piano e voz da canção, dando uma cara de balada RnB a ela.
“Magenta Rising” é uma das melhores faixas de todo The Demon Diaries. Piano aos poucos vai dando lugar a um redemoinho de violinos sem se preocupar em apressar nada para o ouvinte. Aqui os solos de saxofone trazem o jazz para uma faixa que é deliciosa e viajante. O clima se mantém em “Gold Arrow”, com Lilja Bloom, e na balada “The Sea”, com Harald Baumgartner. A ótima “Don’t Believe What They Say”, com vocais de Angela McCluskey, vem com bons arranjos de trompete e de piano preenchendo a faixa. O disco fecha com “The Lonely Trumpet”, com cara de trilha sonora e uma leve base de house.
Ouvir The Demon Diaries sem ser um entusiasta da música dance pode ser uma briga consigo mesmo. Por um lado, tem tudo o que você espera de uma obra de música eletrônica. Por outro, é um exercício de estilo (electroswing) e às vezes almeja ser mais criativo do que meramente comercial. No final das contas, acredito que o austríaco fez um belo trabalho e não deixou pontas soltas. Antes que fosse acusado de ser só mais um eurodance para as massas, trabalhou bem suas canções (principalmente no segundo disco) para mostrar que pode mais.
Steven Spielberg conjures up a handsome and rewarding Cold War thriller
The first two things we see in Steven Spielberg’s Bridge of Spies are faces, and both of them belong to the same man. One is his reflection in a mirror, and the other is an elegant self-portrait. The man himself is sitting between them, his own face turned away from us, looking thoughtfully from one to the other, as if he’s trying to work out which side of the looking-glass he’s on.
The man is a softly spoken Russian spy called Rudolf Abel (Mark Rylance), who’s living in New York in 1957, at the height of the Cold War. After spending nine years undercover, everything about Abel is a mystery: throughout the film, characters refer to him variously as “your guy” and “my guy”, though it’s never really clear whose guy is whose.
From his humble apartment, Spielberg shows us Abel heading out to work in an astonishing, almost silent extended sequence, in which the only sounds are city hubbub: a distant car horn, a rumbling train, a wisp of fiddle music. He takes the subway to the river and sets down his easel at a bench by the river, underneath which is stuck a secret message for him to intercept. Abel is being tailed by FBI agents, who blend into the crowd in grey trench coats and fedoras pulled down tight. Everyone looks like a secret agent. Who knows? Perhaps they are.
As its sensational opening immediately shows, Bridge of Spies is a mature and classically handsome thriller, swirling with novelistic intrigue. At times it even feels like the great James Stewart Cold War drama that never was: think of it as a kind of Mr. Smith Goes to East Berlin, complete with a Capra-esque twinkle.
Billy Magnusson, Mark Rylance and Tom Hanks in 'Bridge of Spies'Credit: DreamWorks/20th Century Fox/Jaap Buitendijk
Spielberg has always seemed more of a Frank Capra than an Alfred Hitchcock: a storyteller with interests, rather than an artist with kinks. But Bridge of Spies elicits plenty of that wry, nervy tension that underpins some of the best of Hitchcock’s films – as well as those of Carol Reed and Otto Preminger, two more consummate stirrers of mid-century murk. Perhaps for that, we have to thank Joel and Ethan Coen, who, along with the British playwright Matt Charman, co-wrote the script.
Bridge of Spies is inspired by the true story of an insurance lawyer, James B. Donovan, who became the unlikely go-between in an exchange of prisoners between the U.S. and Soviet governments in 1957. Donovan (Tom Hanks), a genially greying father of three, is nominated as Abel’s defence lawyer following his capture. The first half of the film plays out like Preminger’s Anatomy of a Murder, with Hanks – of course – taking the James Stewart role, defending an indefensible man for the greater social good.
Donovan makes an unpopular but convincing case to have Abel imprisoned rather than executed, in case he’s ever needed as a bargaining chip. That need arises almost instantly when Francis Gary Powers (Austin Stowell), the young pilot of the U-2 prototype spy plane, is shot down over Soviet Russia and imprisoned, while Frederic Pryor (Will Rogers), an American economics student studying in Berlin, is captured by the paranoid East German police force. As Abel’s state-appointed representative, Donovan is sent to Berlin to negotiate some kind of trade – and against the explicit advice of the CIA, decides to pursue a two-for-one deal.
Tom Hanks, right, and Mark Rylance in a scene from Bridge of Spies, Steven Spielberg’s Cold War thrillerCredit: AP/Jaap Buitendijk
The film’s title refers to the span across the Havel River between American West Berlin and Potsdam, where captured spies were habitually traded during the Cold War. But it’s also about the metaphorical bridge that Donovan has to build from a precarious combination of compromise, bluff and rhetoric, as he negotiates with various go-betweens, often under pretences both sides know to be false for the sake of saving face.
Hanks is as well-cast here as you’d expect, slipping into the role like it’s a silk dressing gown, and relishing his character’s breezy, argumentative wit and neat-continually bubbling private sense of amusement. But in pairing him with the glassy, unreadable Rylance – who’s magnificent here – Spielberg makes a deliberately uneasy mis-match that keeps the entire film on its guard. (A scene in which Abel quietly outwits an entire FBI raiding party in just his vest and underpants contains acting so understated, it’s virtually subliminal.)
When the story takes Donovan to Berlin, you rue Rylance’s absence, but the fun eventually picks back up. He bargains with Soviet and East German officials while the city works its icy voodoo. He eventually even develops a persistent sniffle to match Abel’s in New York: as the Coens no doubt observed, talk about a cold war.
Spielberg’s reliably superb cinematographer, Janusz Kaminski, lends Berlin a stark and bitter beauty. (The film’s craftsmanship is impeccable, with the noticeable exception of Thomas Newman’s subdued and drizzly score.) In the moonlight, as dark cars swing through the city’s snow-dusted streets, the place looks as monochrome as the Vienna of The Third Man – a life-size chessboard on which every piece has the same shadowy hue.
“What’s the next move when you don’t know what the game is?” Abel asks Donovan during one of their encounters. But in Bridge of Spies, working out the next move is the game, and it’s one that Spielberg plays with muscular self-assurance and style.
Tivemos tantos bons lançamentos nos primeiros seis meses do ano que foi difícil escolher apenas 10 destaques. Então, deixamos nossas regras mais flexíveis e aumentamos para 15 o número de álbuns que recomendamos e acreditamos estar entre o que de melhor foi lançado na música brasileira e internacional até agora. Contudo, concordamos em deixar alguns álbuns sensacionais já lançados de fora desta lista apenas para a lista de Melhores do Ano de 2015, que devemos publicar em dezembro. Procuramos ser abrangentes nas escolhas e estilos musicais: rock, eletrônica, jazz, indie, heavy metal, música de bandas muito conhecidas, discos de artistas que você precisa fuçar para descobrir, bandas nacionais, dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Itália…
(porque as boas obras estão por toda a parte, nem só no underground e nem apenas no mainstream).
É claro que essa lista com quinze nomes não agradará a todos. Mas, não tenham dúvida de que cada uma dessas obras possui méritos e características únicas que foram levadas em consideração para estarem elencadas. Algumas destas poderão, quem sabe, aparecer na lista de Melhores de 2015, outros talvez não se mantenham até lá. De qualquer forma, o importante é ouvirmos mais música e ampliarmos nosso horizonte de fruição estética. Se discordar de nosso julgamento ou se quiser indicar algum disco, os comentários estão abertos.
Poesia e música. Muito menos afetada e muito mais pé no chão do que nas experiências do álbum anterior, Sufjan Stevens nos entregou um dos melhores – se não o melhor – disco de sua carreira até agora. Sensível, bem construído, econômico e com um tema e tanto: sua mãe, Carrie, e tudo o que se passou com ela: os momentos especiais no Oregon, a distância entre eles, seus problemas com drogas e sua condição mental. Belas composições que revelam delicadamente o fantasma de Carrie, uma situação sem volta. Mas Sufjan mostra que não está em busca de solução alguma. É apenas luto, da forma mais bonita que você vai ouvir em 2015.
Neste primeiro semestre, já contamos com excelentes discos instrumentais, como o de Marcus Miller (Afrodeezia), Bixiga 70 (Bixiga 70 III), Al Di Meola (Elysium) e Scott Henderson (Vibe Station), mas o grande disco (grande, mesmo) instrumental deste semestre foi o do californiano Kamasi Washington. É o primeiro álbum da carreira deste saxofonista americano, que já participou das bandas do Snopp Dogg, Stanley Clarke e gravou para Kendrick Lamar e Flying Lotus. The Epic é épico por vários motivos: sua duração (178 minutos); a forma como desliza pelo jazz contemporâneo; a habilidade para dialogar com outros estilos musicais; como ser rebuscado, virtuoso e ser ao mesmo tempo easy listening. Kamasi Washington entregou-nos um excelente trabalho artístico.
Steven Wilson cumpre o que promete: fez novamente um disco excepcional e que empurra o rock progressivo para novos horizontes, incorporando com muito bom gosto a música eletrônica e até mesmo o pop (mesmo que seja um pop no estranho compasso 9/4). Retirou os elementos de jazz da banda dessa vez, mas continuou mantendo o som com a mesma sofisticação que já era esperada dele. Um disco de faixas e atmosferas diversas, mas conceitual e que esteticamente está muito bem organizado. Com uma banda excelente ao seu redor, Steven Wilson faz questão de deixa-los brilhar também. Um nome obrigatório para todos que acompanham a retomada da música progressiva.
Seis anos após o último álbum, No More Stories (2009), os dinamarqueses do Mew reaparecem com +-, um disco superelaborado e cheio de camadas. Uma banda que sempre foi boa e legal no indie, dessa vez surpreendeu. Faixas muito bonitas e cheias de bom gosto, com produção e vocal que lembra o do Yes em diversos momentos. Disco colorido, animado, sentimental e com uma boa camada de verniz sonoro que ajuda o Mew soar ainda melhor.
A cantora norueguesa de 29 anos lançou o sexto álbum em fevereiro de 2015. Ten Love Songs flerta com a pop music, sim. Mas, não trata-se daquele pop banal, produto da cultura de massa. Ela reelabora a pop music com intenções artísticas, e consegue juntar a ele referências da música eletrônica (synthpop), o new age (lembram da Enya?) e elementos de música clássica. Detalhe é que o álbum tem esse nome porque, quando a cantora começou a escrevê-lo, observou que todos os temas das letras passavam pelo amor. Ah, o amor! E que lindo disco.
Dancê já era discutido antes mesmo do seu lançamento. “Então, a Tulipa vai entrar numa vibe eletrônica?”. Alguns não gostaram da ideia, outros tantos pagaram pra ver. E o disco foi lançado. E, qual a surpresa? A qualidade. O terceiro disco da Tulipa Ruiz tem elementos eletrônicos acrescidos ao seu repertório, mas a essência não mudou: as letras continuam inventivas, o vocal da Tulipa afinadíssimo como sempre, a experimentação musical está em dia – fruto do excelente trabalho da dupla Tulipa/Gustavo Ruiz, irmão e produtor do disco. Os elementos eletrônicos, no fim das contas, vieram para somar. E o resultado foi um terceiro disco maduro, criativo e afiado. Tulipa Ruiz continua com tudo.
Gal Costa, 50 anos de carreira e 36 álbuns na prateleira. É muita música, é muito tempo. Sua produção sempre foi vasta e ela sempre pôde contar com diversos compositores de mão cheia (Caetano é o principal deles) para fazer uma música que nunca foi saudosista. Pelo contrário, Gal sempre espelhou o que estava acontecendo de mais atual no Brasil e fora do país. Não é diferente com Estratosférica, em que ela interpreta jovens compositores brasileiros com a mesma liberdade estética de sempre. Mais avançada e menos tradicional que muitos novos nomes da MPB.
Da Itália, a grande surpresa de rock progressivo do semestre. A banda italiana Barock Project lançou o seu quarto disco, chamado Skyline. O disco surpreende pela qualidade musical dos seus integrantes, que conseguem oferecer aos ouvintes referências do hard rock, heavy metal, rock progressivo setentista e contemporâneo. Luca Zabbini, tecladista e fundador da banda, emociona e oferece o toque refinado ao conjunto. O disco foi gravado com letras em inglês, e algumas das músicas foram criadas em um período conturbado da região em que os integrantes residem (Emília-Romana) que foi sofreu abalos sísmicos fortes, em 2012. Skyline é emocionante, criativo e surpreendente. Se você gosta do gênero, não deixe de conferir.
Drones é uma volta da sonoridade do Muse a um rock’n’roll mais agressivo, como em “Psycho” e na visceral “Reapers”, mas sem perder a qualidade de produção de seus últimos discos. Ainda estão ali os timbres bem calibrados, os ótimos riffs, as baladas, o pop, o eletrônico, as passagens orquestrais e, sobretudo, o apreço pelas teorias da conspiração. Dessa vez a banda conta uma história sobre drones, tanto as máquinas de guerra quanto a transformação da população em espécies de drones, controlados por forças ocultas e poderosos sistemas econômicos e políticos que agem nos bastidores.
Banda que vem lá de Melbourne, na Austrália. Vem para mostrar ao mundo que o soul nunca morre. E que o bom soul pode modificar-se. E pode (por que não?) ser modificado por australianos. Hiatus Kaiyote tem um nome difícil de escrever, mas uma sonoridade difícil de esquecer. O segundo álbum da banda é a manifestação da música plural, em que diversos estilos conseguem cruzar-se, sem pedir protagonismos ou maior importância. É soul, é future soul, é funk, é música eletrônica, é hip-hop, r&b, jazz. O vocalista Nai Palm é uma figuraça, e tem uma voz lindíssima. Se você curte uma banda sem rótulos, sem moda e com musicalidade jorrando pelos poros, vai gostar de Hiatus Kaiyote. Dê um play, e entenda o porquê de estarem na lista dos melhores do semestre.
Por mais que o primeiro disco solo do ex-Oasis Noel Gallagher fosse bom, era um pop/rock bem básico e sem ambição. Chasing Yesterday devolve ao compositor, cantor e guitarrista o apreço pela criação, algo que há tempos não víamos. E ele faz isso sem abrir mão do pop/rock básico. Tem muita guitarra (“Lock All The Doors”, “The Mexican”), space jazz (“The Right Stuff”), pop (“The Girl With The X-Ray Eyes” e “You Know We Can’t Go Back”) e até flertes com eletrônico (“In The Heat Of The Moment”). E sim, Chasing Yesterday supera o primeiro disco do encrenqueiro irmão Gallagher.
Essa australiana não é nova na música, mas este é seu primeiro álbum completo lançado sob seu nome. E é roqueiro, é animado, é bonito, é despojado, direto e, sobretudo, divertido. Um pouco do que o Strokes deixou de ser. E a moça tem atitude de sobra. Além de porradas (“Pedestrian at Best” e “Nobody Cares If You Don’t Go To The Party”), ela escolheu a soturna e longa (mais de 6 minutos) “Kim’s Caravan” para ganhar clipe e ser trabalhada para promover o álbum. Não foi falta de opção, pois no álbum existem outras faixas boas para o público geral. Foi marcar território mesmo, indo na contramão das expectativas. Marquem o nome de Courtney Barnett, porque mais coisas boas devem vir com ele no futuro.
De Boston, o trio Elder conseguiu com Lore entregar um trabalho vigoroso, arrastado, pesado, distorcido. Um ótimo exemplo de stoner rock, entre a pegada clássica do estilo e a incursão por uma via quase metaleira. Músicas longas, nenhuma intenção de ser acessível e nem contam com a chance de conseguir espaço no rádio mainstream. O resultado é um disco comprometido com as composições e com a liberdade de criação e de volume do overdrive. Quem não conhece a banda Elder, Lore é uma porta de entrada e tanto. Com certeza uma das melhores surpresas que o rock pesado nos trouxe no semestre.
Os mesmos três caras tocando juntos e fazendo barulho. Muita guitarra e muita animação, sem perder nunca de vista a melodia (seja da guitarra ou seja a da voz). For All My Sister não tem firulas e mostra que o rock pode ser divertido, bonito e emocionante mesmo sem adição de teclados e orquestrações. É um dos melhores discos do semestre porque não tem nenhuma faixa ruim. Além disso, os ingleses do The Cribs até agora não se desviaram um milímetro da sonoridade original do grupo e continuam sabendo fazer discos inspirados. Há certa beleza na simplicidade e For All My Sisters é a prova disso.
Que seja feita justiça: houve muitos bons discos de heavy metal até aqui, como o do Blind Guardian, do Sirenia, do Between The Buried And Me e do Sylvan, mas Haven se destaca pela evolução em composição que a banda de metal melódico Kamelot apresenta no novo trabalho. Pouco exibicionismo, pouca fritação e linhas melódicas marcantes, estruturas musicais um pouco mais ousadas e muita alma em todas as faixas. Conseguem abarcar tudo isso e ainda não abrir mão do peso. Está tudo ali para fãs e novos interessados. Kamelot não é uma banda pretensiosa, mas por enquanto está se refinando a cada trabalho (o novo vocalista tem grande peso nisso) eHaven é um trabalho que preza pelo equilíbrio.
Eis a lista. Gostaram dos nomes? Os comentários estão aí, para serem utilizados! ;)