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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

15 MELHORES ÁLBUNS DO 1º SEMESTRE DE 2015

Por brunochair e Lucas Scaliza

Tivemos tantos bons lançamentos nos primeiros seis meses do ano que foi difícil escolher apenas 10 destaques. Então, deixamos nossas regras mais flexíveis e aumentamos para 15 o número de álbuns que recomendamos e acreditamos estar entre o que de melhor foi lançado na música brasileira e internacional até agora. Contudo, concordamos em deixar alguns álbuns sensacionais já lançados de fora desta lista apenas para a lista de Melhores do Ano de 2015, que devemos publicar em dezembro. Procuramos ser abrangentes nas escolhas e estilos musicais: rock, eletrônica, jazz, indie, heavy metal, música de bandas muito conhecidas, discos de artistas que você precisa fuçar para descobrir, bandas nacionais, dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Itália…
(porque as boas obras estão por toda a parte, nem só no underground e nem apenas no mainstream).
É claro que essa lista com quinze nomes não agradará a todos. Mas, não tenham dúvida de que cada uma dessas obras possui méritos e características únicas que foram levadas em consideração para estarem elencadas. Algumas destas poderão, quem sabe, aparecer na lista de Melhores de 2015, outros talvez não se mantenham até lá. De qualquer forma, o importante é ouvirmos mais música e ampliarmos nosso horizonte de fruição estética. Se discordar de nosso julgamento ou se quiser indicar algum disco, os comentários estão abertos.
Sempre lemos tudo!
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Preparados?
Então, segue a lista!
sufjanstevens
1. Sufjan Stevens – Carrie & Lowell
Poesia e música. Muito menos afetada e muito mais pé no chão do que nas experiências do álbum anterior, Sufjan Stevens nos entregou um dos melhores – se não o melhor – disco de sua carreira até agora. Sensível, bem construído, econômico e com um tema e tanto: sua mãe, Carrie, e tudo o que se passou com ela: os momentos especiais no Oregon, a distância entre eles, seus problemas com drogas e sua condição mental. Belas composições que revelam delicadamente o fantasma de Carrie, uma situação sem volta. Mas Sufjan mostra que não está em busca de solução alguma. É apenas luto, da forma mais bonita que você vai ouvir em 2015.
epic
2. Kamasi Washington – The Epic
Neste primeiro semestre, já contamos com excelentes discos instrumentais, como o de Marcus Miller (Afrodeezia), Bixiga 70 (Bixiga 70 III), Al Di Meola (Elysium) e Scott Henderson (Vibe Station), mas o grande disco (grande, mesmo) instrumental deste semestre foi o do californiano Kamasi Washington. É o primeiro álbum da carreira deste saxofonista americano, que já participou das bandas do Snopp Dogg, Stanley Clarke e gravou para Kendrick Lamar e Flying Lotus. The Epic é épico por vários motivos: sua duração (178 minutos); a forma como desliza pelo jazz contemporâneo; a habilidade para dialogar com outros estilos musicais; como ser rebuscado, virtuoso e ser ao mesmo tempo easy listening. Kamasi Washington entregou-nos um excelente trabalho artístico.
Cover
3. Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.
Steven Wilson cumpre o que promete: fez novamente um disco excepcional e que empurra o rock progressivo para novos horizontes, incorporando com muito bom gosto a música eletrônica e até mesmo o pop (mesmo que seja um pop no estranho compasso 9/4). Retirou os elementos de jazz da banda dessa vez, mas continuou mantendo o som com a mesma sofisticação que já era esperada dele. Um disco de faixas e atmosferas diversas, mas conceitual e que esteticamente está muito bem organizado. Com uma banda excelente ao seu redor, Steven Wilson faz questão de deixa-los brilhar também. Um nome obrigatório para todos que acompanham a retomada da música progressiva.
Mew cover
4. Mew – +-
Seis anos após o último álbum, No More Stories (2009), os dinamarqueses do Mew reaparecem com +-, um disco superelaborado e cheio de camadas. Uma banda que sempre foi boa e legal no indie, dessa vez surpreendeu. Faixas muito bonitas e cheias de bom gosto, com produção e vocal que lembra o do Yes em diversos momentos. Disco colorido, animado, sentimental e com uma boa camada de verniz sonoro que ajuda o Mew soar ainda melhor.
susanne sundfor cover
5. Susanne Sundfor – Ten Love Songs
A cantora norueguesa de 29 anos lançou o sexto álbum em fevereiro de 2015. Ten Love Songs flerta com a pop music, sim. Mas, não trata-se daquele pop banal, produto da cultura de massa. Ela reelabora a pop music com intenções artísticas, e consegue juntar a ele referências da música eletrônica (synthpop), o new age (lembram da Enya?) e elementos de música clássica. Detalhe é que o álbum tem esse nome porque, quando a cantora começou a escrevê-lo, observou que todos os temas das letras passavam pelo amor. Ah, o amor! E que lindo disco.
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6. Tulipa Ruiz – Dancê
Dancê já era discutido antes mesmo do seu lançamento. “Então, a Tulipa vai entrar numa vibe eletrônica?”. Alguns não gostaram da ideia, outros tantos pagaram pra ver. E o disco foi lançado. E, qual a surpresa? A qualidade. O terceiro disco da Tulipa Ruiz tem elementos eletrônicos acrescidos ao seu repertório, mas a essência não mudou: as letras continuam inventivas, o vocal da Tulipa afinadíssimo como sempre, a experimentação musical está em dia – fruto do excelente trabalho da dupla Tulipa/Gustavo Ruiz, irmão e produtor do disco. Os elementos eletrônicos, no fim das contas, vieram para somar. E o resultado foi um terceiro disco maduro, criativo e afiado. Tulipa Ruiz continua com tudo.
gal-costa
7. Gal Costa – Estratosférica
Gal Costa, 50 anos de carreira e 36 álbuns na prateleira. É muita música, é muito tempo. Sua produção sempre foi vasta e ela sempre pôde contar com diversos compositores de mão cheia (Caetano é o principal deles) para fazer uma música que nunca foi saudosista. Pelo contrário, Gal sempre espelhou o que estava acontecendo de mais atual no Brasil e fora do país. Não é diferente com Estratosférica, em que ela interpreta jovens compositores brasileiros com a mesma liberdade estética de sempre. Mais avançada e menos tradicional que muitos novos nomes da MPB.
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8. Barock Project – Skyline
Da Itália, a grande surpresa de rock progressivo do semestre. A banda italiana Barock Project lançou o seu quarto disco, chamado Skyline. O disco surpreende pela qualidade musical dos seus integrantes, que conseguem oferecer aos ouvintes referências do hard rock, heavy metal, rock progressivo setentista e contemporâneo. Luca Zabbini, tecladista e fundador da banda, emociona e oferece o toque refinado ao conjunto. O disco foi gravado com letras em inglês, e algumas das músicas foram criadas em um período conturbado da região em que os integrantes residem (Emília-Romana) que foi sofreu abalos sísmicos fortes, em 2012. Skyline é emocionante, criativo e surpreendente. Se você gosta do gênero, não deixe de conferir.
muse drones
9. Muse – Drones
Drones é uma volta da sonoridade do Muse a um rock’n’roll mais agressivo, como em “Psycho” e na visceral “Reapers”, mas sem perder a qualidade de produção de seus últimos discos. Ainda estão ali os timbres bem calibrados, os ótimos riffs, as baladas, o pop, o eletrônico, as passagens orquestrais e, sobretudo, o apreço pelas teorias da conspiração. Dessa vez a banda conta uma história sobre drones, tanto as máquinas de guerra quanto a transformação da população em espécies de drones, controlados por forças ocultas e poderosos sistemas econômicos e políticos que agem nos bastidores.
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10. Hiatus Kaiyote  Choose Your Weapon
Banda que vem lá de Melbourne, na Austrália. Vem para mostrar ao mundo que o soul nunca morre. E que o bom soul pode modificar-se. E pode (por que não?) ser modificado por australianos. Hiatus Kaiyote tem um nome difícil de escrever, mas uma sonoridade difícil de esquecer. O segundo álbum da banda é a manifestação da música plural, em que diversos estilos conseguem cruzar-se, sem pedir protagonismos ou maior importância. É soul, é future soul, é funk, é música eletrônica, é hip-hop, r&b, jazz. O vocalista Nai Palm é uma figuraça, e tem uma voz lindíssima. Se você curte uma banda sem rótulos, sem moda e com musicalidade jorrando pelos poros, vai gostar de Hiatus Kaiyote. Dê um play, e entenda o porquê de estarem na lista dos melhores do semestre.
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11. Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday
Por mais que o primeiro disco solo do ex-Oasis Noel Gallagher fosse bom, era um pop/rock bem básico e sem ambição. Chasing Yesterday devolve ao compositor, cantor e guitarrista o apreço pela criação, algo que há tempos não víamos. E ele faz isso sem abrir mão do pop/rock básico. Tem muita guitarra (“Lock All The Doors”, “The Mexican”), space jazz (“The Right Stuff”), pop (“The Girl With The X-Ray Eyes” e “You Know We Can’t Go Back”) e até flertes com eletrônico (“In The Heat Of The Moment”). E sim, Chasing Yesterday supera o primeiro disco do encrenqueiro irmão Gallagher.
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Essa australiana não é nova na música, mas este é seu primeiro álbum completo lançado sob seu nome. E é roqueiro, é animado, é bonito, é despojado, direto e, sobretudo, divertido. Um pouco do que o Strokes deixou de ser. E a moça tem atitude de sobra. Além de porradas (“Pedestrian at Best” e “Nobody Cares If You Don’t Go To The Party”), ela escolheu a soturna e longa (mais de 6 minutos) “Kim’s Caravan” para ganhar clipe e ser trabalhada para promover o álbum. Não foi falta de opção, pois no álbum existem outras faixas boas para o público geral. Foi marcar território mesmo, indo na contramão das expectativas. Marquem o nome de Courtney Barnett, porque mais coisas boas devem vir com ele no futuro.
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13. Elder – Lore
De Boston, o trio Elder conseguiu com Lore entregar um trabalho vigoroso, arrastado, pesado, distorcido. Um ótimo exemplo de stoner rock, entre a pegada clássica do estilo e a incursão por uma via quase metaleira. Músicas longas, nenhuma intenção de ser acessível e nem contam com a chance de conseguir espaço no rádio mainstream. O resultado é um disco comprometido com as composições e com a liberdade de criação e de volume do overdrive. Quem não conhece a banda Elder, Lore é uma porta de entrada e tanto. Com certeza uma das melhores surpresas que o rock pesado nos trouxe no semestre.
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14. The Cribs – For All My Sisters
Os mesmos três caras tocando juntos e fazendo barulho. Muita guitarra e muita animação, sem perder nunca de vista a melodia (seja da guitarra ou seja a da voz). For All My Sister não tem firulas e mostra que o rock pode ser divertido, bonito e emocionante mesmo sem adição de teclados e orquestrações. É um dos melhores discos do semestre porque não tem nenhuma faixa ruim. Além disso, os ingleses do The Cribs até agora não se desviaram um milímetro da sonoridade original do grupo e continuam sabendo fazer discos inspirados. Há certa beleza na simplicidade e For All My Sisters é a prova disso.
Cover
15. Kamelot – Haven
Que seja feita justiça: houve muitos bons discos de heavy metal até aqui, como o do Blind Guardian, do Sirenia, do Between The Buried And Me e do Sylvan, mas Haven se destaca pela evolução em composição que a banda de metal melódico Kamelot apresenta no novo trabalho. Pouco exibicionismo, pouca fritação e linhas melódicas marcantes, estruturas musicais um pouco mais ousadas e muita alma em todas as faixas. Conseguem abarcar tudo isso e ainda não abrir mão do peso. Está tudo ali para fãs e novos interessados. Kamelot não é uma banda pretensiosa, mas por enquanto está se refinando a cada trabalho (o novo vocalista tem grande peso nisso) eHaven é um trabalho que preza pelo equilíbrio.
Eis a lista. Gostaram dos nomes? Os comentários estão aí, para serem utilizados! ;)
Um abraço,
brunochair/Lucas Scaliza

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