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terça-feira, 24 de novembro de 2015

ADELE – 25 (2015)

adele 25

Definitivamente, 25 nunca será 21. Teria como ser diferente?
por brunochair
Eis que um dos álbuns mais aguardados de 2015 está entre nós.
Após um hiato de quatro anos, Adele lança o seu terceiro disco da carreira, chamado 25. Vinte e cinco também era a idade da cantora quando começou a compor as canções deste novo álbum (hoje tem 27), e Adele seguiu a mesma lógica nos discos anteriores: 19 (2009, o primeiro) e 21(2011, o segundo). Os nomes dos discos seguem a idade, a musicalidade e as experiências da cantora.
Portanto, 19 nunca será 21, assim como 21 jamais será 25.
Ainda mais em se tratando da carreira da Adele. O disco 21, lançado em 2011, atingiu um sucesso de vendas e repercussão inimagináveis, com vendagens que (atualmente) superam os 30 milhões de CD’s – números expressivos, ainda mais se considerarmos o atual cenário da indústria fonográfica, experimentando um vertiginoso (e insolúvel?) declínio. E ainda não contamos as até bilionárias visualizações de clipes no YouTube, as vendagens pelas mídias digitais, DVD’s, o sucesso dos singles na Bilboard.
Enfim… 21 é um disco que apresentou uma fase de vida de Adele bastante delicado, o que gerou uma intensidade artística bastante particular. Portanto, é um disco singular, dotado de uma aura genuína e sincera que extrapola qualquer definição artística/estética, numa roupagem que atende os interesses de um público bastante abrangente. Conclusão: o disco foi um sucesso, por transmitir (ao mesmo tempo) verdades e confissões.
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25? Como será? Para iniciar a discussão, devemos ressaltar que Adele nunca conseguirá experimentar algo parecido com aquela torrente de emoções e incertezas que permearam o disco antecessor. Portanto, 25 nunca será 21, e Adele tem convicção disso. Adele é uma outra mulher: bem resolvida, milionária, em um relacionamento estável, mãe de um garoto chamado Angelo. Passou por uma cirurgia nas cordas vocais (algo que poderia arruinar a sua carreira como cantora) cirurgia esta que foi um sucesso. Ou seja, a sua vida pessoal vai bem, obrigado. Mas, e então? Qual é o mote das canções de 25? O que a inspira, a partir desta nova configuração de vida?
Feita esta digressão, agora partimos para uma análise do disco. Em 25, pode-se dizer que Adele reinventou-se enquanto artista. Não é mais a mulher que sofre, mas mesmo assim tem (por que não?) condições de escrever músicas sobre este assunto. Adele não assume a condição de ser, necessariamente, a protagonista de dores e amores: ela assume a condição de ser artista, de poder falar livremente sobre reencontros e dinâmicas de amor. Compositora e intérprete não somente de uma voz só (21), mas de várias (25).
O disco, então, perde um pouco deste caráter confessionário e ganha uma dimensão mais profissional. Adele encarou este álbum como um trabalho, mesmo: passava questões de meia hora a uma hora em estúdio por dia, e depois partia para sua casa, para cuidar do filho. Não é mais um exorcismo nem uma forma de encontrá-lo, é apenas oferecer ao público o que ele deseja: canções vigorosas, repertório vocal invejável e letras que abordam temas corriqueiros, próximos do cotidiano (sentimental) das pessoas.
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Caso pensemos em 25 como um trabalho mais profissional de Adele e que leva em conta o gosto do público, podemos enfatizar alguns pontos negativos do disco que possam (talvez) aborrecer este mesmo público. Por exemplo, há um certo “exagero” vocal em alguns refrãos da música, sobretudo nas canções mais lentas. É o caso, por exemplo, das músicas “Hello”, “When We Were Young” e “All I Ask”.
Por sinal, “Hello” (primeiro single lançado) tem uma ótima letra, mas o arranjo não possui o mesmo brilhantismo; “When We Were Young” (segundo single) é bem mais encorpada que “Hello”: foi composta em parceria com Tobias Jesso Jr., novato cantor que também lançou álbum em 2015. “All I Ask” é uma canção pop (parceria dela com Bruno Mars) com passagens sensacionais, tanto na condução do piano quanto no vocal de Adele. Essa música lembra até (no início) de“Without You”, de Harry Nilsson, canção regravada por diversos artistas – entre eles Mariah Carey, que de certa forma é uma influência para quem Adele se tornou, enquanto artista.
Portanto, as referidas canções são boas, mas possuem uma certa estrepolia no refrão. Há quem não se importe, e tantos outros (como este resenhista que vos digita) que sentiram um certo incômodo nestas passagens. Aliás, e apenas a título de recordação, as músicas do 21 possuíam também essa intensidade no refrão, mas havia uma certa sutileza que conseguia encaixar e dar rumo natural às coisas. No entanto, que fique bem claro: não estamos colocando em xeque o potencial de Adele como cantora, pois ela consegue atingir todas as notas com perfeição, provando continuar sendo uma das vozes mais competentes do mundo.
Outro ponto negativo que acreditamos ser necessário enfatizar: Adele, faltou arriscar um pouco mais! A cantora convidou os produtores mais competentes do mundo para ajudá-la nesta empreitada, como é o caso de Ariel Rechtshaid (produtor dos discos mais recentes de Madonna eBrandon Flowers), Danger Mouse e Ryan Tedder, produtores que estão inseridos no cenário da música pop atual, e poderiam levar Adele a outras esferas. A música mais inovadora do disco é “Send My Love (To Your New Lover)”, que tem uma pegada mais moderna, uma guitarra cadenciando um pop com uma pitada de hip-hop.
Duas outras canções que fogem do convencional são “Million Years Ago”, em que Adele parece trazer como uma das referências Karen Carpenter (Carpenters), e The Animais (“House of the Rising Sun”). “Sweetest Devotion” é outra excelente canção, que possui um ar mais próximo do folk – como se estivesse buscando a sonoridade do Wallflowers em sua época de maior sucesso.
“River Lea” é a canção mais fraca do disco, que parece meio descolada das demais. Não podemos negar que Adele arriscou nesta música (algo que pedimos a ela ali atrás), mas nesta canção ela não conseguiu obter êxito. “Remedy” e “Love In The Dark” são as baladas mais equilibradas do disco: não há exageros, as letras são muito boas e os arranjos são agradáveis. São as que mais agradaram a este resenhista, neste quesito. “I Miss You” também é interessante, bateria marcando o ritmo da música, mas um tanto parecida com “Rolling In The Deep”.
E, como vocês bem sabem, 25 nunca será 21.
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Em suma, 25 de Adele assume uma certa grandiloquência. Aliás, tudo que envolve Adele possui este caráter de grandiloquência, e o público parece identificar-se com isso, como se este fosse o grande diferencial dela. Faltou a Adele (talvez) pensar menos nesta grandiloquência e um pouco mais em sua condição de artista, agora assumida de fato. Mas, ainda há tempo e maturidade para ser atingida, pois talento para cantar e escrever, ela tem.
E que venham outro (outros) 20, vários 30 e 40, 50, 60…

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