terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Dead Man

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Quando Jim Jarmusch lançou "Dead Man", ele vinha de filmes aclamados pela crítica, como "Stranger Than Paradise" (seu primeiro e emblemático trabalho) e "Daunbailó" (que colocou Roberto Benigni no mapa). Um dos elementos que essas duas fitas tem em comum com "Dead Man", além da calma nervosa de Jarmusch, é a opção pelo preto e branco. Mark Borchardt, no hilário documentário "American Movie", disse que "qualquer coisa fica bem em preto e branco", o que não deixe de ser uma verdade para diretores independentes em começo de carreira, que sempre resolvem tentar limar problemas de fotografia escolhendo o PB. No entanto, "Dead Man" é meio que um blockbuster do famoso "indie" americano, principalmente pela presença de Johnny Depp, que já era um astro na época e começava a se tornar o alter ego de Tim Burton.

A história de "Dead Man" é simples: o contador de Cleveland, William Blake (igual ao escritor), vai para o fim do mundo (que fica nos EUA) atrás de um emprego certo. Ao chegar na cidade, um mês depois do estipulado, seu cargo já havia batido as asas, assim como seus últimos trocados - gastos na viagem. Para melhorar ainda mais as coisas, ele se envolve com uma moçoila comprometida com o filho do figurão número um da cidade, o Sr. Dickinson, e após uma inusitada argumentação, Blake acaba o matando com um tiro no pescoço - e neste exato momento, sem ao menos perceber, sua cabeça se torna extremamente valiosa, e o contador acanhando de Cleveland se transforma em um "homem morto". Ele pode estar andando e respirando, mas está mais morto do que nunca.

Em sua fuga, o recém pistoleiro encontra um índio chamado "Nobody" (que se traduz Ninguém) - é ele quem ajuda Blake a se preparar para sua jornada rumo ao mundo espiritual. Enquanto esta edificação de personalidade se desenrola, os melhores assassinos da região se empenham na missão de finalmente matar o homem morto. 

Com um andamento lento (uma das características de Jarmusch), "Dead Man" acaba, em um primeiro momento, sendo maçante. Realmente sonolento. No entanto fica claro os motivos do diretor por trás de tamanha vagareza. Veja bem: quando Blake inicia sua fuga, parece mais um garoto assustado, perdido em uma trilha de lobos. Era preciso certo tempo para que ele se transformasse no malfadado assassino que todos pintavam. E para esse evolução do personagem, Jarmusch não quis recorrer a nenhum tipo de recurso ou montagem - que facilitaria o processo de passagem de tempo -, ele simplesmente vence a audiência pelo cansaço, tornando este Blake assassino (e cansado também) em alguém crível e admirável.

Um dos problemas que torna tudo ainda mais arrastado neste período específico de aprendizagem é a trilha sonora. Ok, ela foi feita por ninguém menos que Neil Young, compositor canadense que se tornou um ícone do folk e country rock americano... mas isso não releva a insistente e repetitiva harmonia dedilhada durante o longa inteiro. Young parece ter feito, basicamente, uma canção tema (muito boa, de fato), e para o resto do filme apenas dedilhou alguns acordes da mesma, produzindo ressonâncias, trastejados... e só! Se a intenção era soar rústico ou "descolado", acabou ficando apenas pobre demais.

Porém, além da interpretação eficiente de Depp como Blake, pequenas participações acabam por exercer influência positiva ao resultado geral, sendo os destaques: Crispin Glover, John Hurt, Iggy Pop, Jared Harris, Gabriel Byrne, Billy Bob Thornton, Alfred Molina e o experiente Robert Mitchum, em um de seus últimos trabalhos antes de morrer. Os três malfeitores contratados (interpretados por Lance Henriksen, Michael Wincott, Eugene Byrd) também geram excelentes momentos, sendo a personalidade de cada um bem definida e trabalhada - suas épicas histórias de matanças são um mistério oportuno, que faz dos mesmos pessoas lendárias... ou quase isso.

No final, "Dead Man" é uma obra que foge completamente dos padrões comuns. Como foi dito, seu andamento é maçante, mas sua história é deveras interessante. A direção de Jarmush passeia de forma bela por paisagens secas do árido local perdido nos EUA. Cenas de impacto, com tiroteios realistas - e dignos de nota dentro do mitológico universo "western" -, se intercalam a momentos de tédio e divagações sem sentido algum, que não alcançam um nível satisfatório de humor ou mesmo reflexão. Mas apesar de todos esses defeitos, o filme fica imprenso na memória de maneira vívida. Algo peculiar.






Dead Man: EUA, Alemanha, Japão/ 1995/ 121 min/ Direção: Jim Jarmusch/ Elenco: Johnny Depp, Gary Farmer, Crispin Glover, John Hurt, Iggy Pop, Gabriel Byrne, Jared Harris, Billy Bob Thornton, Alfred Molina

Yakuza Apocalypse review: 'demented brilliance'

Takashi Miike's martial arts extravaganza is foolish, transgressive, and just about the best fun you can have in a cinema
If the thought of two months of Oscar and Bafta-baiting cinemamakes you bilious, here is a film that stands as much chance of winning one of those awards as it does an Olympic gold in show jumping – though it is, in its own preposterous way, a work of sharp and singular genius.
Yakuza Apocalypse is, at the time of writing, the latest film from the cult Japanese director Takashi Miike – although it’s entirely possible that by the time you read this, he’ll have polished off another. In the last five years, Miike has made 11 films, although by his standards, that’s relatively restrained: between 2001 and 2005, he managed 28.
His body of work is as overstuffed as it is wildly uneven, though the good ones tend to pop up in the UK eventually. Of his recent films, the best are 13 Assassins and Hara-Kiri: Death of a Samurai – two handsome, classically wrought samurai dramas that are worlds apart from Audition, the extreme J-horror that first endeared him to western audiences in the late Nineties, but each has an unmistakeable sprinkling of Miike mischief.
This latest film sees Miike switched back to Fun Mode: the same setting that produced the family serial-killer musical The Happiness of the Katakuris and the hallucinatory Gozu during that absurdly busy early 2000s patch. Miike stirs everything into the mix: slapstick, satire, body horror, stop-motion animation, even Showa-era giant monster carnage.
The frog in 'Yakuza Apocalypse'
A future cult hero: the frog in 'Yakuza Apocalypse'
It begins as a sly, fantastical skit on the financial downturn. Kamiura (Lily Franky), a mob boss running an extortion racket in a drab provincial town, is revealed to be a vampire, draining the local population of their plasma and thereby turning more and more formerly productive citizens into soulless bloodsuckers.
But then, a foreign cartel rolls into town, consisting of an English-speaking witch-hunter with a Django-like coffin on his back, an ultra-violent anime nerd (Yayan Ruhian, from The Raid films) and a kappa water-demon with terrible personal hygiene. Kamiura defends his turf, but doesn’t come out of the confrontation well, and on his deathbed, he bites the neck of his protege, Kageyama (Hayato Ichihara), so he can continue to carry out the clan’s vampiric work.
After that, all bets are off. The cartel summons a creature who’s described as “the modern monster” and “the world’s toughest terrorist” – a man in a slightly moulting frog costume with astonishing martial arts prowess, but who still needs help getting up and down stairs. Kageyama and the remnants of his crew vow to take down this dread beast, and the cartel with it.
The film is a tooth-rotting, mind-scrambling aspartame rush of nonsense, but its brilliance stems from the director’s flat refusal to distinguish between the sublime and the ridiculous. The martial arts battles are played for laughs, but the combat is shot from an over-the-shoulder angle that displays Ichihara and Ruhian’s whip-crack athleticism to its fullest advantage.
And though the frog monster looks uproariously low rent, it moves with a Chaplin-esque comic grace. In the Miikeverse, this is the way the world ends: with a bang, a whimper, a honk, a crash of cymbals, and lunatic laughter that rings all the way to doomsday and beyond.

The Danish Girl review: 'a beautiful, humane and moving biopic'

Eddie Redmayne and Alicia Vikander's performances in Tom Hooper’s film about Lili Elbe, one of the first people to undergo sex reassignment surgery, has made them genuine award contenders
There’s a scene in The Danish Girl in a bustling Paris salon, where Gerda Wegener (Alicia Vikander), an artist from Copenhagen, is exhibiting her series of nude portraits of a smouldering femme fatale called Lili.
The guests can’t get enough of them, or her – and in the crush, someone asks Gerda if her mysterious model has come to the party.
“I’m afraid she’s not here,” she replies, except she is: in the person of Gerda’s husband Einar (Eddie Redmayne), who posed for the paintings and is hanging back on the staircase, a jittery mixture of awkward and flattered. Einar’s body is male, but on the inside, he’s female – and when he looks at the paintings, he sees his true self, Lili, looking back. Art can see who Einar really is: mirrors just have a bit of catching up to do.
Tom Hooper’s beautiful, humane and moving biopic of the transgender artist Lili Elbe, who worked during the early part of the 20th century and was one of the first people to undergo sex reassignment surgery, may not be the most obvious next step for the director of The King’s Speech and Les Misérables. Those are elegant, gilded, crowd-pleasing films of a type often called "easy watches" – and on the surface, there’s nothing easy about Lili’s plight. 
Long before Hooper arrived on the scene, this film was to be directed by one of two Swedish filmmakers, Tomas Alfredson and Lasse Hallström, either of whom might have made the kind of wincing, austere, fingernail-picking drama the film’s subject matter suggests. (Nicole Kidman was also attached to play Lili.) But Hooper’s involvement makes it a far more daring proposition – because he has no interest in making a daring film. His clear-eyed, tasteful storytelling makes Lili’s struggle as easy to grasp as if she were a loveable prince played by Colin Firth. That doesn’t just make The Danish Girl watchable. It makes it revolutionary.
But there’s depth to be had if you’re looking for it, and tellingly unfaithful reflections – of people, landscapes, intentions – are everywhere. Even out in the Scandinavian wilds, where the film begins, a wind-whipped lake twists trees into new and beautiful shapes – while in Copenhagen and Paris, Einar catches muddy glimpses of himself in foxed-glass mirrors and smudged windows.
Eddie Redmayne and Alicia Vikander in The Danish Girl
Eddie Redmayne and Alicia Vikander in The Danish GirlCredit: Agatha A Nitecka
Einar and Gerda are husband and wife, and live in the kind of pensive, echoey apartment that was much-painted by the great Danish artist Vilhelm Hammershøi – although their own colourful artworks seem to leap out from the grey-panelled walls.
One morning, Gerda asks her husband to fill in for a life model for her portrait of a dancer, and Einar laughingly pulls on a pair of tights and squeezes into a dainty pair of ballet slippers. The experience doesn’t awaken new feelings, exactly, so much as stir some that were always there. The sexually adventurous Gerda finds it a bit of a turn-on, and together the pair cook up a plan to attend a society ball with Einar dressed as a woman.
She helps her husband find a wig, dress and make-up, and working together, they make Lili. Perhaps she’s a kind of surrogate for the child they’ve been trying in vain to conceive – a little bit of both of them, but also someone entirely new.
Lucinda Coxon’s perceptive screenplay withholds the lightning-bolt moment you might expect at this point. Instead, both Lili and Gerda are confused by the experience, particularly when she discovers her husband in a quiet drawing room being kissed by Ben Whishaw. (“You’re different from most girls,” Whishaw whispers beforehand, without knowing the half of it.)
Eddie Redmayne and Alicia Vikander in The Danish Girl
Eddie Redmayne and Alicia Vikander in The Danish GirlCredit: Agatha A Nitecka
It soon becomes clear that Lili is here to stay, and the film gives equal weight to each partner’s coming to terms with the implications. Redmayne has more of the obvious soul-searching – the actor does a lot of hand-twisting and delicate inclinations of his head as Lili tries to mimic the physical business of how women do things – and also, crucially, how they do nothing. (It also squeezes in that rarest of things: a dramatically justified full-frontal nudity scene.) Even in the film’s too-hurried final scenes, where the script’s neatness starts to trip over itself, Redmayne remains dazzlingly in control.
It’s the kind of obviously transformative performance that is likely to be Bafta-nominated by the end of next week, and probably also Oscar-nominated the week after that. And Redmayne, who won both of those awards last year for his performance as Stephen Hawking in The Theory of Everything, would be a more than worthy contender.
But the film’s secret weapon is Vikander, who’s been blessed with a role that has no truck whatsoever with the usual supportive wife banalities – at points she’s effectively its lead character. The Swedish actress glides into the film after a ludicrously busy 2015, in which she bounced between lead roles in Ex Machina and Testament of Youth, did fine supporting work in The Man From UNCLE, and even made a dignified cameo in the otherwise dignity-phobic chef drama Burnt. But here she’s better than ever – hungry, energised, up on the balls of her feet, and an equally convincing awards prospect. (Like Redmayne, she’s already been nominated for a Golden Globe, with surely more nominations to follow.)
She also perfectly delivers the film’s most moving line, which comes during her husband’s first consultation with a doctor about the operation that will finally bring nature up to speed with reality.
“I believe I am a woman,” Lili says haltingly, as if the words still strike her as somehow embarrassing, or ridiculous. Gerda turns to the doctor and says very calmly: “I believe it too.” That, perhaps even more so than the surgery, is the transformation that counts.
Play!

As 10 Grandes Cenas de Cinema em 2015

 

* aplausos *
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Não há nada que eu não entenda, acredite em mim.
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Você não atua, é celebridade. Vamos deixar isso bem claro.
Eu vou matar sua peça.
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Eve, pare!
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Isso é uma avalanche?
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Oh! Você precisa ver isso!
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He left no time to regret
Kept his dick wet
With his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry
Get on without my guy
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Eu não posso assinar isso.
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Na-na-na-na!
Na-na-na-na!
Hey-hey-hey!
Goodbye!
Cante!
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Que Horas Ela Volta?
Jéssica, eu estou na piscina!

Os 10 Piores Filmes de 2015

Alguns compromissos e estudos nos fizeram preterir os lançamentos por alguns clássicos e filmografias em particular no curso de 2015. Portanto, somente nas últimas semanas do ano nos preparamos para uma repescagem, com tudo aquilo de essencial que perdemos durante a passagem no circuito comercial ou mesmo em homevideo.

O empenho em correr atrás desses filmes que devem ser vistos antes de fechar uma lista de melhores nos tranquilizou, no sentido de que a nossa relação de piores está inalterada desde agosto. Portanto, a meta de ser mais seletivo surtiu um efeito positivo, com potenciais bombas sendo evitadas.
Ainda assim, elas existem e podem se revelar até mesmo em filmes que aguardamos com alguma expectativa ou no desafio da cobertura jornalística em um lançamento. Grande parte dos títulos a seguir se encaixa nessas condições e, por isso mesmo, buscamos (des)privilegiar o que houve de pior no cinema em 2015, seja no circuito alternativo, seja em títulos que predominam as salas de shoppings.
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Adeus à Linguagem#01. Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard +
Como um experimento, “Adeus à Linguagem” pode se comportar como um estudo curioso (e nada mais do que isso) sobre a predominância do digital e o quanto as transições do cinema fazem muitos diretores reavaliarem as novas possibilidades para contar uma história. Como cinema, “Adeus à Lingaugem” é um registro triste sobre Jean-Luc Godard desaprendendo o seu ofício, acreditando que vomitar citações de Darwin, Faulkner e Sartre e de distorcer as músicas de Bethoveen e Tchaikovsky são recursos para engrandecer personagens que carecem de uma alma. Uma agressão aos sentidos.
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Loucas Pra Casar#02. Loucas Pra Casar, de Roberto Santucci
Existe extremismo quando se fala das comédias com o selo Globo Filmes, como se todas fossem abomináveis ou meras transposições para o cinema de projetos televisivos. A verdade é que títulos como “Até que a Sorte nos Separe” e “Minha Mãe é Uma Peça – O Filme” fazem sucesso devido às premissas com temas que conseguem cativar, como a dificuldade de administração de fortunas daqueles que enriquecem da noite para o dia ou os exageros do zelo maternal. Não é o que acontece em “Loucas Pra Casar”, uma comédia que só nos perturba com o embate entre três mulheres histéricas para conquistar o mesmo homem. A surpresa final, que chegou a ser comparado com “O Sexto Sentido” por Ingrid Guimarães, só embaraça o que já estava irreversivelmente constrangedor. Além do mais, é impossível não namorar com a tecla “ejetar” quando “Happy”, de Pharrell Williams, é tocada pela enésima vez.
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O Amuleto#03. O Amuleto, de Jeferson De
Filmes estrangeiros de terror fazem um sucesso imenso no Brasil. Ainda assim, a nossa produção pena para produzir os seus próprios representantes do gênero. As coisas estão mudando um pouco, mas ainda há muito a ser feito. A existência de “O Amuleto” é um exemplo. Sem nenhuma experiência prévia que comprove o seu tino para o gênero, Jeferson De (“Bróder”) subverte as “regras” ao antecipar para o primeiro ato os danos de seu mistério somente para rechear as consequências dessa escolha com chavões surrados. Além de adolescentes aborrecidos, os personagens centrais de “O Amuleto” são daqueles que não conseguem demonstrar qualquer amadurecimento nos diálogos que entonam e ainda têm uma facilidade risível de se perderem em meio a floresta a partir de ações como tirar a água do joelho. Para cada Marco Dutra ou Rodrigo Aragão, haverá sempre um “O Amuleto” para retardar o nosso progresso.
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Cinquenta Tons de Cinza#04. Cinquenta Tons de Cinza, de Sam Taylor-Johnson
Existia alguma esperança de que a adaptação do best seller  “Cinquenta Tons de Cinza” fosse capaz de superar a caretice que impera em Hollywood com o seu inevitável sucesso comercial. Ledo engano. As peripécias sexuais da então virginal Anastasia Steele (Dakota Johnson) e o seu amado milionário Christian Grey (Jamie Dornan) provam que o cinema americano regrediu aproximadamente 30 anos. A ousadia de cineastas como Adrian Lyne e Paul Verhoeven é um passado lamentavelmente castrado, dando lugar a cenas de sexo pudicas que não dialogam com o perfil aparentemente perturbador de seu protagonista. A equipe com pedigree, como o diretor de fotografia Seamus McGarvey (“Desejo e Reparação”), o compositor Danny Elfman (“Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”) e até mesmo a colaboração da montadora Anne V. Coates (“Lawrence da Arábia”), são meros adereços para a escritora E.L. James, que detém o controle artístico da adaptação de seu romance homônimo, um patético conto de fadas às avessas.
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Qualquer Gato Vira Lata 2#05. Qualquer Gato Vira Lata 2, de Roberto Santucci +
Novamente, Roberto Santucci tem um de seus filmes citados nesta lista de piores, desta vez dividindo a desonraria com Marcelo Antunez para que “Qualquer Gato Vira Lata 2” pudesse ser confeccionado mais rápido. É uma curiosidade importante, pois cada vez Santucci se assemelha mais a um empresário e menos como um diretor, tendo despontado como uma promessa após o regular “Bellini e a Esfinge”. Na verdade, o que mais incomoda nesta sequência protagonizada por Cléo Pires, Malvino Salvador e Dudu Azevedo é a total cara de pau em surrupiar a premissa de comédias americanas de sucesso, como “Esposa de Mentirinha”. E preparem-se, pois logo mais “Um Suburbano Sortudo” pintará nas telonas.
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Deixa Rolar#06. Deixa Rolar, de Justin Reardon
Mais que um mero galã. Chris Evans conseguiu a cobiçada posição de astro hollywoodiano, graças ao sucesso de “Capitão América” e um contrato confortável com a Marvel. Porém, fora desse universo de super-heróis, anda tendo dificuldades para ser levado a sério – excetuando, claro, o formidável “Expresso do Amanhã”.  “Deixa Rolar” marca os seus primeiros passos como produtor após uma experiência inexpressiva na direção de “Before We Go”. Evans é também o protagonista, um boa-pinta desinteressado em relacionamentos sérios. Bom, isso até aparecer Michelle Monaghan, aquela graça de mulher que vai desencadear tudo o que estamos exaustos de ver em comédias românticas vulgares e esquemáticas: as indecisões quanto ao homem que ela deve escolher, alguns dramas inócuos que buscam justificar a cafajestice do protagonista, a corrida para impedir um casamento, o discurso constrangedor ao final… Somente a presença engraçadinha de Topher Grace torna o humor mais tolerável.
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O Rio nos Pertence#07. O Rio nos Pertence, de Ricardo Pretti +
Parte de uma trilogia denominada como Operação Sônia Silk, “O Rio nos Pertence” é inspirado em um projeto da produtora Belair, no qual Júlio Bressane e Rogério Sganzerla se desdobraram durante três meses para conceber sete filmes. Assim como no passado, o resultado não passa de um exercício pretensioso, com “O Rio nos Pertence” certamente representando a ponta mais frágil do triângulo. Mesmo que seja curioso observar a instável protagonista de Leandra Leal em um cenário carioca despovoado e nada tropical, o que se tem é aquele velho caso de um artista presunçoso com o desejo de compartilhar histórias com relevância apenas para si mesmo.
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Amaldiçoado#08. Amaldiçoado, de Alexandre Aja
Americano de 43 anos, Joe Hill continua avançando para ser um sucessor à altura de seu pai, Stephen King. Os sucessos de “A Estrada da Noite”, “Nosferatu” e “O Pacto” provam que Hill está andando no caminho certo. Em contrapartida, a adaptação de “O Pacto”, batizada como “Amaldiçoado” em seu lançamento no Brasil direto em homevideo, prova que precisará tomar mais cuidado ao vender os direitos de seus romances. Isso porque o francês Alexandre Aja, que não faz nada digno desde “Viagem Maldita”, parece não saber o que fazer com o material. Na mistura de fantasia, terror e comédia, “Amaldiçoado” se arrasta durante duas horas que penam para chegar ao fim, trazendo ainda uma direção atroz de atores – Max Minghella está especialmente terrível no papel do melhor amigo do protagonista vivido por Daniel Radcliffe.
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Rua Secreta#09. Rua Secreta, de Vivian Qu +
Exibido na 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o chinês “Rua Secreta” certamente ocupou a oportunidade de lançamento em circuito comercial de algum dos inúmeros títulos superiores que infelizmente se perdem após a passagem por festivais. Isso porque essedebut de Vivian Qu na direção e roteiro acompanha com desinteresse um jovem que se vê enroscado em uma teia conspiratória ao se sentir atraído por uma jovem que atua em uma empresa misteriosa. Embora a premissa seja uma grande promessa para um thriller, com o protagonista não identificando em seus equipamentos de mapas digitais alguns locais em que seu interesse amoroso transita, Qu contenta-se com uma condução em banho-maria e uma conclusão em aberto propenso a gerar mais frustrações do que questões para o seu enigma.
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Vício Inerente#10. Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson
Paul Thomas Anderson não é um cineasta dos mais ativos, chegando a atingir cinco anos de intervalo entre a realização entre um filme e outro. Dois anos após “O Mestre”, o americano vem com “Vício Inerente” esquecendo-se de uma máxima sobre a obra do excêntrico Thomas Pynchon: inadaptável. PTA não entendeu o recado, camuflando com a boa reconstituição de uma época o ritmo claudicante de uma história não compatível com a narrativa cinematográfica. Além do mais, o extremo formalismo de sua condução não tem ressonância com a decadência que contamina toda a história, muito distante da estética pornográfica de “Boogie Nights: Prazer Sem Limites”.