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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

CRÍTICA DE FILME | BETINHO – A ESPERANÇA EQUILIBRISTA .

Se o chamarmos de Herbert José de Sousa poucas pessoas saberiam de quem estamos falando. Mas ao invocar o apelido pelo qual era conhecido, fica mais fácil, principalmente para os mais velhos, saber de quem se trata. Betinho foi um sociólogo marcante na sociedade brasileira. Hemofílico, enfrentou e venceu a tuberculose, a clandestinidade e o exílio. Símbolo da Anistia e contaminado pelo vírus da AIDS, iniciou as primeiras campanhas contra a ­doença. Liderou diversos movimentos sociais, como o Movimento pela Ética na Política, e em 1993, lançou a Ação da Cidadania Contra a Fome e pela Vida, campanha que até hoje mobiliza milhões de brasileiros e muda o rumo do país (você já deve ter ouvido falar no “Natal Sem Fome”, né?). Para alguns, ele foi um herói – palavra esta tão banalizada nos dias atuais -, mas, sem dúvidas, Betinho foi, acima de tudo, um sonhador. Prestes a completar 80 anos, sua vida e obra ganham destaque através do belo documentário Betinho – A Esperança Equilibrista. Produzido pela Globo News e dirigido por Victor Lopes, o filme mostra de forma franca e muito sensível a visão do homem, sociólogo por formação e humanista por opção. Betinho foi o primeiro brasileiro a pensar política e estruturalmente uma forma de combater a fome e a extrema pobreza com um programa social. O longa apresenta o lado familiar do biografado. 
Enterro de Betinho, uma das mais emocionantes cenas do documentário
Enterro de Betinho, uma das mais emocionantes cenas do documentário
 A produção, indiscutivelmente, emociona sem manipular sentimentalismo, utilizando-se unicamente da carga dramática da história envolvida. Betinho – A Esperança Equilibrista começa pelo “final”, mostrando seu enterro e sua música tema “O Bêbado e o Equilibrista”, considerado um hino da anistia. Para quem não sabe, o sociólogo foi homenageado como “o irmão do Henfil” na canção de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina (“Meu Brasil / que sonha com a volta do irmão do Henfil / com tanta gente que partiu…”). Num de seus momentos mais emocionantes, o filme recupera as imagens da chegada ao aeroporto após voltar do exterior, onde estava exilado e foi anistiado depois. Em prantos, Betinho pede tempo para sentir o que está acontecendo. Henfil, sempre afiado, dispara: “Foi uma vitória danada do nosso time, o povo brasileiro”. Foi mesmo. No Chile, Betinho assessorou Salvador Allende, até sua deposição em 1973. Conseguiu escapar do golpe de Pinochet refugiando-se na embaixada panamenha. Posteriormente morou no Canadá e noMéxico. Durante esse período foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia – que ele julgava ser incompatível com o sistema capitalista. Voltou ao Brasil apenas em 1979. “Natal sem Fome”, uma das muitas ações sociais de Betinho O documentário tem uma narrativa básica do gênero, com entrevistas-depoimentos de familiares e amigos. Durante o decorrer do longa, ele nos mostra como Betinho foi “vencendo a Aids” com o “remédio que era uma cerveja todo dia”, seu humor inabalável, sua simplicidade e a desistência de “cometer suicídio” (para a nossa sorte!). Em tempos de crise política e econômica, Betinho – A Esperança Equilibrista revela ainda como um homem uniu políticos, artistas, intelectuais e gente humilde em prol do bem. Fato raro nos dias atuais. A produção tenta provocar a geração atual e emociona os veteranos, especialmente no trecho que que diz: “Ele fez a parte dele, agora sobrou para nós”. Betinho – A Esperança Equilibrista é um filme essencial para todos os brasileiros. Apesar de ser conservador em seu formato, sem inovar na narrativa, o documentário traz consigo uma mensagem tão forte que é impossível não se emocionar. No entanto, Betinho (e aí um ponto acertado do diretor) não é retratado como um herói ou um salvador. O sociólogo é apontado sim como uma referência, alguém a quem seguir, mas, acima de tudo, nos ensina (e acho que era esse o objetivo do próprio Betinho), que cada um deve fazer a sua parte, tornando-nos heróis de nós mesmos. Fica a dica.



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