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sábado, 17 de outubro de 2015

FILME: Boi Neon

 Por 

Boi Neon 1
Começando pela inventiva rotina das vaquejadas, contemplando  toda a brutalidade do trabalho com os animais mas sem julgar os meandros deste de forma moralista, o novo longa de Gabriel Mascaro apresenta mais uma curiosa história, após o belo e extasiado Ventos de Agosto. A história de Boi Neon analisa um grupo de vaqueiros, com desejos estereotipados de personagens dicotômicos, apesar do lugar onde habitam, provando que a pecha de “filho do meio” não precisa ser via de regra.
O enfoque maior é em dois personagens contraditórios. O primeiro é Iremar, magistralmente conduzido por Juliano Cazarré, que consegue desenvolver melhor seu talento em filmes se comparado ao repertório em televisão. O boiadeiro tem em seu âmago um desejo de difícil execução, que é o de ser tornar estilista, a despeito do ambiente em que vive. Ao seu lado, há a caminhoneira Galega, vivida por Maeve Jenkings (de O Som ao Redor e Amor, Plástico e Barulho), com visual e comportamento igualmente bruto, mas que carrega em si uma sexualidade atroz, como se a sua camada de feminilidade se escondesse atrás de uma profunda casca, típica de quem trabalha com carga.
A mesma observação ao longe, dos filmes anteriores de Mascaro – desde o mais recente, bem como nos documentários Doméstica Um Lugar ao Sol – é presente na fotografia bela do diretor. Há um enfoque curioso nos pés das personagens, e na rotina de busca pelo belo mesmo em paragens lodosas. A rotina dos vaqueiros, apesar de parecer vazia em um primeiro momento, está repleta de pequenos signos visuais, que antecipam os acontecimentos futuros, dando um ar de premonição e “conspiração positiva” no destino dos seres que habitam aquele universo.
Boi Neon 3
O choque de realidades revela paixões silenciosas, com flertes que não precisam de palavras para se concretizar. O que predomina nessa “predação” são murmúrios, sons abafados por pele, músculo e pelo, sexualizando as relações de modo belo, tocante, com nus cada vez mais aprimorados e poéticos. O uso dos animais para manifestar o desejo e pulsão, através do garanhão e dos cabelos de boi retiradas, anuncia todas as transas que ocorrerão, preparando o terreno para as relações mais belas e orquestradas do recente cinema brasileiro.
O roteiro não tem qualquer receio em erotizar fetiches comuns, se valendo até da beleza de uma mulher grávida, que não tem pudor em exercer seu tesão e pulsão. Os papéis de ativo e passivo conseguem ser equilibradamente invertidos, curiosamente sem se valer de arquétipos homo afetivos, o que já torna a escolha em algo nada óbvio.
Boi Neon possui um roteiro simples, com mensagens subliminares, e que usa seu desfecho para exemplificar o início da vida através do bebê, que ainda não viu a luz, mas que já habita um mundo que sobrevive à caretice, apesar de se situar em um ambiente bronco e comumente machista, brotando dali as manifestações mais básicas do sexo, amor livre, volúpia e lascívia, avatares dos sonhos estranhos e provavelmente irreais de seus personagens.
Nota:


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