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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Filme : Inside Llewyn Davis – 2013 (Resenha)

Inside Llewyn Davis – 2013 (Resenha)

Hang me, oh hang me, I’ll be dead and gone.
Inside Llewyn Davis no Brasil vem acompanhado de um subtítulo: “A Balada de um Homem Comum”. Digamos que isso sintetiza de forma limpa o propósito do filme. Além de carregar consigo um ar solitário, a frase transmite bem a essência da história.
Dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen, conhecidos por Onde os Fracos não Têm Vez (2007) e O Grande Lebowski (1998), o filme retrata alguns dias na vida do jovem e solitário Llewyn Davis que foi interpretado – muito bem inclusive – por Oscar Isaac (Drive – 2011). A história se passa no início dos anos 60, mais precisamente ao redor de 1961, época onde o Folk ainda não havia mostrado presença.
O roteiro do filme não esconde grandes segredos, apenas nos deixa com uma dúvida no início do filme, a qual será respondida no final. Essa cena inicial nos apresenta o protagonista dentro do lendário Gaslight Café, local que abrigou nomes de peso mais para frente, como Tom PaxtonBill Cosby e Bob Dylan. O Gaslight está para o folk assim como CBGB está para o punk. Nova York, eu te amo.
Gostei bastante do filme não se propor a mostrar o lado bom e feliz do folk, isso todos nós já sabemos. Inside Llewyn Davis é justamente o oposto disso, os irmãos Coen decidiram mostrar a frustração dessa profissão no início da década de 60, mas tudo com muita elegância e poesia. A linguagem utilizada pode não agradar a todos, mas se você comprar o ingresso, com certeza a chance de sair satisfeito é grande. Claro que para quem gosta do estilo musical, como eu, já ajuda bastante.
Além da trilha sonora, a fotografia do filme é muito expressiva. É indiscutível: Nova York no inverno é a cidade mais linda do mundo. Bruno Delbonnel, o diretor de fotografia, soube escolher muito bem a paleta de cores – e não foi a primeira vez. Ele já avia trabalhado para outros grandes longas, como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) e Across the Universe (2007) dois filmes que – também – se sobressaem pela fotografia.
Inside Llewyn Davis é, também, um filme sobre relacionamento. Nas idas e vindas do protagonista, nos é apresentada a casa de uma “amiga” chamada Jean (Carey Mulligan), a qual está dentro de um relacionamento com Jim (Justin Timberlake). Acontece que ela guarda dentro de si, algo que pode ser fruto de uma relação extraconjugal com Llewyn. Jean deixa claro em quase todas as cenas do filme o seu ódio pelo sofredor cantor de folk, exceto em uma das mais lindas cenas do longa onde, enquanto o casal Jean e Jim cantam “Five Hundred Miles” Llewyn e Jean trocam olhares que sim, chegam a dizer mais do que mil palavras.



É claro que eu não posso deixar de citar sobre o gato, ícone essencial do filme. Não digo essencial para a história em si, mas ele serve para firmar ainda mais toda a desordem na vida de Llewyn, sem contar a sua falta de sorte. Logo no início do filme, enquanto sai do apartamento de outro conhecido, deixa o gato escapar e, se não bastasse, ao tentar capturá-lo fica trancado para fora de casa, tendo que levar o gato junto com ele. Mas isso é apenas o início.
O choque da realidade pode ser sentido de muitas e distintas maneiras. Em “Inside Llewyn Davis” nós não temos muitas respostas mas, ainda assim, dá para tirar muitas conclusões. O que mais me marcou foi o inesperado final, afinal, sempre esperamos por uma conclusão num filme, certo? Bom, no longa dos irmãos Coen a história não se encerra definitivamente, o que por um lado é bastante significativo uma vez que, como eu já disse, nos traz um choque de realidade.
Seria uma história sobre relacionamentos? Uma história sobre a indústria musical? Um ensaio sobre como é possível alguém produzir coisas incríveis, mesmo quando a vida insiste em negar? Um estudo de personagem? Pode ser tudo, ou nada. Kubrick já disse que se alguém entender a essência de 2001 Uma Odisséia no Espaço ele teria fracassado. Acho que isto serve para toda e qualquer obra de arte, afinal, elas são feitas para serem sentidas e não entendidas. Na verdade, cada um absorve aquilo que consegue entender e é isso que me encanta.

8.3ÓTIMO
Um filme sobre música, um filme sob

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