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terça-feira, 6 de outubro de 2015

FILME: La Strada – 1954 (Resenha)

La Strada – 1954 (Resenha)

Ahhh, já fazia um bom tempo que eu não chorava desse jeito. Já havia recebido muitos comentários positivos sobre os filmes de Fellini, reconheço a genialidade dele mas me enganei quando fui assistir La Strada.
Achei que seria uma história comum na vida de artistas circenses, eu já conhecia o gosto irredutível deFellini por circo, mas este filme conseguiu superar todo meu conceito de genialidade dele. La Strada hoje, sem dúvida, é uma das melhores obras que eu já assisti, a composição do filme é belíssima, envolvente, cativante e de uma bagagem emocional tão rica que é impossível não se envolver.
Já no início do filme vemos a forma que Gelsomina (Giulietta Masina) é tratada pela família, um ”objeto” de substituição da filha perfeita, que morre no início do filme, Rosa. A mãe usa ela como moeda de troca por um valor suficiente para concertar o telhado e o resto para comprar comida. Nesta troca, Gelsomina segue com um artista circense de rua, o Zampano (Anthony Quinn). Um típico bruto italiano, que é frio, grosso, estúpido e não tem o menor respeito por ela.
Gelsomina então decide seguir o rumo de artista, na esperança de se enriquecer e retornar a casa da sua família com condições de ajudar, nesta viagem sem volta prevista que ela embarca se depara com uma realidade completamente diferente.
A atuação de Giulietta, que é esposa de Fellinina na vida real, é absurda. Ela traz a vida que o filme necessitava, toda a alegria de um palhaço e a tristeza de uma vida de abandono em uma só personagem, é impossível não se apaixonar por Gelsomina. Conforme percebemos que no decorrer da história a vida dela vai piorando cada vez mais, o turning point de quando ela decide voltar pra casa traz um novo ar à história. Nessa fuga ela conhece “O Louco” interpretado por Richard Basehart que também é um artista circense, com apresentações bem mais complexas do que Zampano, que só estourava cadeados com o peito.
É óbvio que ela se deslumbra com essa nova experiência e logo depois, Zampano volta para buscá-la. O desenrolar do filme é intrigante e a minha questão pessoal é: “Dou ou não spoilers para vocês?”.  Acredite, o que eu disse até agora não vai interferir, mas como eu odeio spoilers não vou querer isso pra vocês.
O final do filme é de chorar eternamente. Mas Fellini fez um belíssimo trabalho, na escolha do casting, o enquadramento, mesmo sendo em preto e branco o filme é lindíssimo. A escolha das locações, os diálogos são feito somente em momento absolutamente necessários.
Enfim, é estonteante, eu não tenho contra indicações e reclamações sobre ele. Um filme produzido em 1954 que é absolutamente atual no seu contexto, que pode se aplicar no sentido literal e figurado e é exatamente aí que Fellini decidiu esconder sua genialidade. Então, se você não gosta de filmes antigos, tão pouco de filmes italianos e muito menos de filmes em preto e branco, dê essa chance a você mesmo para mudar de opinião. E se você, assim como eu, é amante da filmografia italiana, com certeza vai se apaixonar. Se por acaso você já assistiu, é uma boa hora de reassistir. :)

8.8ÓTIMO!
A delicadeza e a ingenuidade de um filme que nos envolve a cada segundo. La Strada, uma das obras primas de Frederico Fellini.

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