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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Livro: A Caçada

Andrew Fukuda
ISBN: 9788580574340
Tradutor: Regiane Winarski
Ano: 2013
Páginas: 287
Editora: Intrínseca
Pontuação: ♥ ♥ ♥  ♥ 
() Favoritado!
Gene é diferente dos outros. Ele não tem a força e agilidade de seus colegas da escola, é imune à luz do sol e não sente uma sede insaciável por sangue. Gene é um "eper", um dos últimos humanos do planeta, e vive disfarçado no meio das pessoas normais. Ele usa presas falsas, raspa todos os pelos do corpo, faz o possível para esconder seu cheiro e jamais abandona sua máscara. Sabe que não deve chamar a atenção em um mundo em que um pequeno deslize pode ser fatal. Mesmo vivendo sozinho há anos, Gene ainda escuta as palavras de advertência de seu pai - Não faça amigos; não pegue no sono durante a aula; não pigarreie; não gabarite as provas, embora sejam um insulto à sua inteligência. Não durma na casa de colegas; não cantarole nem assobie. E ainda; Nunca esqueça quem você é. Ele leva sua vida de acordo com essas regras, determinado a sobreviver. Mas a frágil segurança de Gene é ameaçada por uma terrível surpresa; a Caçada Eper. Gene precisa escolher entre ser o caçador ou a caça. Não há escapatória - e qualquer erro significa a morte certa. 

A Caçada é um livro tenso, de arrancar os cabelos e de arrepiar os pelos do braço. O meu nível de tensão ao ler este livro só é comparável ao meu nível de tensão ao assistir minha série preferida, The Walking Dead. Não que o livro tenha alguma coisa a ver com a série, pelo contrário. Mas fazendo um comparativo para que você entenda o quanto roí as unhas com a leitura deste livro, pode ver que eu quase desmaiei, tive ataques do coração e muita palpitação durante a leitura.

E não é para menos! Gene é um jovem rapaz de 17 anos que cresceu e viveu toda a sua vida fingindo ser o que não é. Antes ele tinha uma família, depois viveu somente com seu pai. Agora ele não tinha mais ninguém. Sozinho, ele vive em um mundo dominado por pessoas, que são uma espécie de vampiro (que tem a mesma aparência que nós, de forma geral). Neste mundo os epers (seres humanos) foram extintos, ou pelo menos é no que se acredita. Agora visualiza comigo: o cara tem que fingir o tempo todo que é uma dessas pessoas esquisitas e vampirescas, que são totalmente notívagas. Vivendo em tons sombrios da vida noturna, Gene tem que raspar todos os pelos do corpo, aparar as unhas, usar presas falsas, e controlar suas emoções. Imagine só, não poder deixar transparecer nenhuma expressão facial, não poder transpirar, etc. E o pior, os epers exalam um cheiro muito forte e enlouquecedor para as pessoas, e ele tem que controlar seu cheiro o tempo todo.

Que cara azarado, não!? Mas pode piorar. Há alguns anos atrás houve uma espécie de jogo, onde o governo criou uma caçada para contentar as pessoas e sua sede: A Caçada Eper. Uma caçada violenta, sangrenta e terrível onde os humanos são caçados por estes seres. Acontece que uma nova caçada está prestes a acontecer, e a vida deGene tão regrada e comedida está prestes a ruir. Sim, ele vai ser um dos "sortudos" a participar da caçada. E é aí que a aventura (ou os problemas) realmente começa.
Antigamente estávamos em maior número. Tenho certeza. Não chegaríamos a lotar um estádio de futebol, nem mesmo uma sala de cinema, mas certamente havia mais do que hoje. A verdade é que acho que não sobrou ninguém. Só eu. É o que acontece quando você é uma iguaria. Quando é desejado. A extinção.
Gene me incomodou um pouco em alguns momentos, mas dei um desconto para ele. Ele é um pouquinho egoísta quando está com algo grandioso em sua frente, mas o perdoei, pois ele cresceu aprendendo do pai que sua sobrevivência vinha acima de tudo. Ele acaba se redimindo e fazendo o que tem que fazer, e isto basta por enquanto. Também gostei da Julia Brasa, uma personagem marcante e muito inteligente, que vai ter um papel importantíssimo para Gene.

O ponto forte do livro sem dúvida alguma, além da habilidade narrativa do autor (que quase me provocou um ataque do coração de tanta tensão), é a visão diferente para os nossos velhos conhecidos vampiros. Andrew Fukuda criou uma história bem inovadora, apresentando os vampiros de uma forma diferenciada e bem criativa. Além de que achei horripilante. Eles têm uma agilidade inimaginável; dormem como morcegos, pendurados nos tetos; e podem devorar um ser humano em segundos. O que achei mais terrível foi justamente este lado animalesco e descontrolado destes vampiros, e quando eles sentem o cheiro de um eper nada pode os segurar. Fukuda soube explorar muito bem o instinto caçador destes seres, assim como sua sede e motivação. Eles me lembraram bastante os vampiros do filme 30 dias de noite (em sua força, sede e maldade).
Ouço seus ossos sendo esmagados e se partindo. Decrépito quebrou uma das pernas do eper. Está brincando com ele, como um gato faz com um rato ferido, demorando-se aproveitando o momento. Está fazendo isso também para irritar os outros caçadores, provocando-os para exibir o prêmio tão fora de alcance para nós mas tão garantido para ele. O eper rasteja agora, usando os braços e a perna boa, enquanto arrasta a esquerda na terram seus olhos delirantes de dor inimaginável. 
Há cenas de arrepiar, cheias de sangue e adrenalina. Eu vejo o livro como um fio sendo bem esticado. A cada linha, cada passagem da trama, o fio vai se esticando e vai se esticando cada vez mais. Até que em determinado ponto ele está tão esticado que irá se romper, causando um grande estrago. A Caçada causa justamente esta impressão. A trama vai crescendo em tamanho, adrenalina e ação, até que em determinado momento tudo se rompe, e então o fluxo de acontecimentos é como uma ferida aberta, em que o sangue não para de escorrer. Pura carnificina.

Gostei bastante do resultado, de forma geral. O livro é eletrizante (já disse que roí todas as unhas e perdi um chumaço de cabelos?), cheio de nuances e boas cenas de terror e de luta (cheias de sangue, pus, corpos decompondo a luz do sol, gritos horripilantes e tudo mais que se tem direito).

Fukuda usou do grotesco e do terror da incerteza para nos tornar cativos. Nada é o que parece, e A Caçada é apenas a ponta do iceberg. Há muitas pontas soltas, perguntas não respondidas e um final de deixar os olhos vidrados. Fukuda soube muito bem como prender a atenção e criar o clima certo para uma continuação arrasadora. Estou ansiosa para conferir o futuro de GeneJulia Brasa e dos Epers.

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