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domingo, 6 de setembro de 2015

A BARALHA DO APOCALIPSE – Eduardo Spohr


 – Verus  Editora – 585pgs.

Sinopse:  Há muitos anos, tantos quanto o número de estrelas no céu, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.  Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas. Único sobrevivente do expurgo, Ablon, o líder dos renegados, é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na Batalha do Armagedon, o embate final entre o céu e o interno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro da humanidade  (Fonte: Contra-capa do livro).

O autor:  Eduardo Spohr, além de escritor, é jornalista e blogueiro. Também  administra um curso de literatura como professor da faculdade Hélio Alonso, no Rio de Janeiro.  Para maiores informações, visite o site do autor (www.abatalhadoapocalipse.com).
Resenha:   Eduardo Sporh esbanja talento nesse livro. Construindo de forma notável, criativa e apaixonante, uma trama de proporções épicas. Um belo trabalho que não fica nada a dever aos grandes nomes da “literatura de fantasia”, como: Terry Brooks, Emily Rodda, Licia Troisi, Christopher Paolini, entre outros.
               
Em A Batalha do Apocalipse, o autor une o Livro do Gênesis e o Livro do Apocalípse bíblicos com singular ousadia. Sem ser pedante ou tendencioso, Eduardo Spohr não se apega ao canone místico, ou mitológico, da fé cristã  pararecriar as suas legiões de anjos, serafins e arcanjos. Despojado de qualquer dogma, vai além dos conceitos sobre a criação do universo, do nascimento do homem, do surgimento das civilizações, da missão do Messias, da angeologia, da demologia e da própria existência de Deus, descritos na Bíblia. Sua obra transcende o mito, a superstição, as lendas e até mesmo a fé, e desnuda  um universo onde o gênero humano não passa de fantoche nas mãos dos ganaciosos arcanjos.

Ao ler A Batalha do Apocalípse,  deixe  de lado crenças religiosas e conceitos dogmáticos da fé. Considere que o livro se trata de uma obra de ficção, onde o autor expressa toda a sua genialidade literária. Desta forma, a leitura se tornará muito saborosa, trazendo-lhe uma satisfação ímpar. Esse é o melhor livro sobre o tema “Apocalipse” que já tive a oportunidade de ler.  Eduardo Spohr prova que a literatura brasileira atingiu um novo nível autoral e uma qualidade narrativa impressionante. É, sem dúvida alguma, um modelo a ser seguido. 

A começar pela capa, com a excelente ilustração de Stephan Sölting, o livro possui um cuidadoso trabalho gráfico. A narrativa, em suas quase 600 páginas, é clara e concisa, com um estilo próprio, sem exageros ou excessos. Os personagens são condizentes com a  trama, e nenhum deles, por mais simples que seja sua participação, fica sem uma apresentação adequada e esclarecedora dentro do contexto geral.  Adorei o  glosário no final do livro, com os nomes em ordem alfabética dos personagens e das localidades, com explicativo. A cronologia  das datas apresentadas na história também ficou ótima.

Nas primeiras 70 ou 80 páginas do livro  os diálogos e a narrativa são um tanto que truncados, pouco articulados. Fiquei com a impressão de que Eduardo Sporh estava ensaiando, tentando encontrar  um equilíbrio adequado entre narração e diálogo. Pensei seriamente em abandonar a leitura. Fiz bem dar uma chance ao livro. Porque,  a partir deste ponto em diante, a narrativa decola, toma corpo e articula-se de tal maneira que parece que a história ganha alma própria. Flui de forma envolvente, enredando-nos em suas linhas até o último parágrafo, consumindo nossa atenção de um só fôlego.

Os arcanjos e anjos da mitologia criada por Sporh possuem interesses que vão além dos desejos humanos. Os homens, aliás, são tidos como seres abjetos que merecem e precisam ser exterminados. Os Arcanjos, invejosos, desalmados, bem que tentam: na expulsão do Paraíso, no dilúvio, na destruição da torre de Babel, no extermínio das cidades de Sodoma e Gomorra, além de outras catástrofes devastadoras, como a destruição da Atlântida e da fabulosa cidade de Enoque.  Constantemente em guerra, os invejosos Arcanjos estão prestes a destruir o universo para consolidar os seus planos mesquinhos de domínio. No meio desse embate apocalíptico, surgem heróis de proporções divinas que fariam Gilgamesh ficar de cabelo em pé e roer as unhas. Ablon, o Primeio General Renegado, e Shamira, a feiticeira de En-Dor, formam um par de imortais aguerridos e apaixonados que lutam para salvar a humanidade dos maléficos arcanjos. Diante do Armagedon, a luta é de uma ferocidade que me transportou imediatamente às suas fileiras, e, por diversas passagens  marcantes, me senti revestido de couraça reluzente e içado aos céus em asas igualmente potentes, tamanha é a empatia que a narrativa nos causa.  

Os cenários onde se passam a trama do livro são variados. Temos os Planos Celestes, as profundezas do Inferno, Babilônia, Roma, China, Europa Medieval, Rio de Janeiro, Israel, abarcando uma linha de tempo que remontam aos primórdios da formação do nosso planeta terra.  Gostei muito da  parte em que Ablon viaja da China para Roma, e de lá para Israel. Toda essa parte é narrada em primeira pessoa, com muita inspiração filosófica e lutas incríveis.

Além de Ablon e Shamira, Eduardo Spohr criou personagens que transbordam vida, ferocidade, paixão, obstinação, inveja, ódio, humildade, amor e tenacidade. São tantos, que é impossível ficar indiferente ao conflito por eles perpetrado no Céu, na terra, ou mesmo nas masmorras do Inferno. Aliás, por falar no capeta, a descrição que ele faz do Inferno  é  apavorante. Uma das melhores que já tive a oportunidade de ler.  Dante Alighieri, certamente,  está se contorcendo em sua tumba, consumido pela inveja. Vai ver é outro arcanjo pretencioso…

A Batalha do Apocalipse é uma grande sacada da Verus Editora que acertou em cheio com esse lançamento.  O livro é espetácular, e espero que Eduardo Spohr nos brinde em 2011 com um outro título de dimensões divinas.

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