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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

CRÍTICA DO FILME - TRISTEZA E ALEGRIA (2015)

Finalmente chegou o filme que foi um dos pré – indicados no seu país, Dinamarca, para concorrer ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015. Como vimos na cerimônia deste ano, ele não passou. Aqui no Brasil, o filme apareceu em 2014, na Mostra SP, e foi um dos bem cotados do festival. Agora, todos os públicos podem ir assistir. Um detalhe que ele foi feito em 2013 e só foi distribuído por aqui dois anos depois. Só este fato já daria um texto à parte. 
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O filme do diretor Nils Malmros, que, segundo o próprio é autobiográfico, é um drama forte e simples. Fala da história de um diretor de cinema popular que chega em casa numa noite e encontra seus sogros aflitos na sua casa. Em poucos segundos ele descobre, por meio deles, que sua esposa matou sua pequena filha num surto psicótico. Esta é a trama de Tristeza e Alegria. Podemos já ter cansado de ver histórias como essa ou um pouco parecidos. No entanto, o que chama a atenção neste filme é como o próprio diretor Nils vai conduzindo a história. O assunto é delicado? É. Mas, com uma delicadeza impressionante, você é colocado num thriller. E falo aqui no thriller  não ao estilo norte-americano de ser. Mas bem ao estilo europeu (é, ficou clichê, eu sei). A busca pelo personagem, e agora você sabe que foi do diretor também,  em tentar entender o motivo da mulher ter feito aquilo começa desde a primeira cena. Com ferramentas de vai e volta no tempo e tomadas focando os detalhes de cada recinto, de cada cena, Nils vai ajudando para que o espectador monte sua colcha de retalhos. Afinal, na história da vida, e ainda mais assim em casos de homicídio doloso (?) parental, somos todos costureiros. O filme conta com vários auges. A começar pelos atores principais: Jakob Cedergren (Johannes), Helle Fagralid (Signe) e Ida Dwinger (Else). Os três são fundamentais para o desenrolar da história e da sua análise. Os três estão muito bem em seus papéis. A química é perfeita e transcende a telona. Até arrisco em dizer que seus filmes valerão a ida ao cinema apenas por sua presença no roteiro. Qualquer longa que seja. Outro auge é o diretor colocar no longa-biográfico uma cena dele mesmo se enxergando, enxergando o desenrolar das coisas: a cena que o personagem de Johannes vai ao psiquiatra que irá inocentar ou acusar sua mulher no tribunal. Em tese, esta cena poderia ser desnecessária e limada do filme.  Mas para ilustrar e captar aquele espectador desavisado ou que se perdeu no caminho da perícia analítica intelectual, a cena mostra o caminho das pedras. A fotografia e a trilha sonora também não podem ser esquecidas. Principalmente esta última, que te faz sentir determinado sentimento a cada passo do filme. O mais impressionante de tudo é que Nils consegue transpor a barreira do horror, do choque, e você não sai do cinema com energia pesada ou pesaroso. O filme é uma porrada, mas foi tão bem conduzido, montado, editado, que você sai tranquilo, calmo. É a mesma forma que Bryan Fuller conduziu em “Hannibal”, na história do canibal mais famoso do mundo. Não importa se o assunto é espinhoso ou não, basta conduzir e abordá-lo com suavidade, sem exageros. Aliás, esta nova maneira de se fazer filmes tem ganhado o meu respeito a cada vez mais. Parabéns, Nils! Boa diversão!



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