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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Filme: O AGENTE DA U.N.C.L.E

Nesta semana estão em cartaz dois de espionagem: um medíocre (Hitman – Agente 47), outro muito bom (Missão Impossível – Nação Secreta), e na próxima semana (03/09) chega as salas de cinema do Brasil, um absolutamente formidável, e é claro que estou falando de O Agente da U.N.C.L.E. A obra-prima do talentoso diretor Guy Ritchie (Sherlock Holmes) acerta em cheio justamente por preservar o melhor do subgênero (clima conspiratório e disputa entre nações), e ainda inovar a linguagem de maneira inteligente e coesa com a narrativa. Não é a toa que o filme ambientado na época da Guerra-Fria já começa brincando com nossas expectativas, ao apresentar não um, mas dois espiões protagonistas: um americano e o outro russo. Ambos possuem a missão de encontrar a filha de um cientista capaz de produzir uma ogiva nuclear. Mas isso é apenas o gatilho inicial da narrativa. ::: O-Agente-da-U.N.C.L.E. A partir do encontro literalmente explosivo entre os três, somos envolvidos por uma trama extremamente inteligente, que explora os bastidores da política e ainda desenvolve personagens complexos e interessantes. O ianque Napoleão Solo, interpretado por Henry Cavill (O Homem de Aço), é um conquistador nato, que utiliza da sedução para extrair informações e se infiltrar em lugares estratégicos para sua missão. Mas além disso, é bastante frio e objetivo em seus métodos. Seu contraponto é o passional e atormentado Illya Kuryakin, vivido de maneira visceral pelo ótimo Armie Hammer (O Cavaleiro Solitário). Ambos são estrategistas brilhantes e altamente eficientes em combate, o que já fica claro desde a primeira e fantástica cena de ação. Completando a trinca, a engenheira mecânica Gaby Teller, interpretada pela sueca Alicia Vikander (Ex-Machina), apresenta uma mistura de meiguice e determinação, o que acaba por agitar ainda mais a relação entre os dois espiões. Mas a lista de personagens interessantes é longa, e ainda inclui a vilã inteligente, sexy e cruel vivida pela bela Elizabeth Debicki. Além disso, o excelente roteiro de Guy Ritchie e Lionel Wigram nos brinda com diálogos repletos de tensão e ironia, ao melhor estilo Tarantino. E esse é o maior mérito do longa: ao mesmo tempo em que há incríveis sequências de ação, auxiliadas pela bela fotografia claramente inspirada no cinema noir, os personagens também duelam entre si com palavras, em um jogo de manipulação muito bem articulado e executado. Mas é a direção inspiradíssima de Ritchie que torna o filme uma obra de arte. E é incrível como a Warner confere total liberdade para seus diretores transformarem blockbusters em filmes de autor. Além de Guy, outros grandes nomes do cinema atual como Christopher Nolan, George Miller, Zack Snyder e Alfonso Cuarón imprimem sua digital em cada quadro de seus longas produzidos no estúdio. O Agente da U.N.C.L.E tem tudo o que um filme de Guy Ritchie deve ter: tomadas impressionantes tanto do ponto de vista técnico quanto artístico; inserções gráficas estilizadas, como os letterings que indicam os locais por onde transcorre a ação, por exemplo; trilha sonora que foge totalmente do lugar comum, com uma interessante mistura de temas incidentais à base de instrumentos de percussão e canções de diversas nacionalidades, as quais abusam da excentricidade e leveza; montagem inventiva e crucial para o desenvolvimento da tensão durante a trama, com a alternância de pontos de vista e a quebra constante da linearidade; perfeita reconstituição de época com desenho de produção e figurinos arrojados e deslumbrantes; desenho de som utilizado de forma inteligente não só como instrumento narrativo, mas também como potencializador dramático; e, finalmente, atuações inspiradíssimas de um elenco afiado, com destaque para a impressionante atuação de Armie Hammer. E se até o galã de comédias românticas Hugh Grant consegue conferir uma performance convincente como o chefe da Interpol, é porque realmente o diretor sabe comandar seus atores de forma sublime. Portanto, O Agente da U.N.C.L.E apresenta-se como uma grata surpresa, e é, por enquanto, o melhor filme de espionagem do ano e um de meus favoritos de todos os tempos. A partir de agora, Guy Ritchie é um de meus diretores favoritos, e esperarei com bastante ansiedade por suas próximas obras-primas.



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